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A segunda revolução

Novos fabricantes conseguem aliar tecnologia e preço competitivo nos veículos. Sinal é de alerta para montadoras tradicionais que não se adequarem

Fábio Doyle - Publicação:11/07/2016 08:32
A pré-venda de 400 mil unidades de um carro que só chega ao mercado no final do ano que vem é um fato emblemático, que não pode ser ignorado pelos atores da tradicional indústria automotiva. Afinal, as recentes 400 mil reservas de consumidores dispostos a comprar o modelo Tesla, que concorrerá diretamente com o Mercedes-Benz Classe C, o BMW Série 3 e o Audi A4, têm um significado dramático. O caso representa que esses quase meio milhão de compradores estão fora da lista de possíveis clientes das marcas tradicionais nos próximos dois a três anos. A consequência é a redução nas vendas em 10% a 15% para cada uma dessas montadoras alemãs.
 (Divulgação)

O estranho é que ninguém parece ter visto isso acontecer. Todos têm acesso às mesmas tecnologias e conceitos, assim como acompanham as informações e as novidades. É verdade que uma empresa como a BMW evoluiu bastante em termos de inovação, como fica claro com o seu i3, mas não o suficiente. E agora a notícia que chega é que seu time de desenvolvimento do carro elétrico foi contratado por uma companhia chinesa.

Os curiosos pelo tema transporte que visitam Viena, na Áustria, e passam pelo Museu Imperial da Carruagem aprenderão que existiu um tal de Carl Marius, que era o construtor de carruagens preferido do imperador. E a razão por quase ninguém ter ouvido falar dele nos dias atuais é que ele não evoluiu, não mudou o foco de sua fábrica de carruagens para os de automóveis. Parou no tempo. E isso é o que parece estar acontecendo, mais uma vez, em nossos dias.

Não é uma questão de ter potencial para evoluir e mudar. É uma questão de querer mudar o mundo. Se você quiser apenas defender e manter o status quo, alguém com maior ambição e visão vai surgir e fazer o que você não fez. E novamente a revolução está sendo liderada pelo Vale do Silício, na Califórnia. Desta vez, no entanto, há um fato novo: a China acompanha em alta velocidade os passos das empresas do Vale do Silício. Tendo em conta que países como China, Israel ou Índia estão anos à frente no uso de ciclomotores movidos a bateria elétrica, as chances de que Alemanha, França ou Itália eliminem essa lacuna são muito remotas. Mesmo empresas que passam por momentos de crise, como a Volkswagen, discursam muito, mas suas atitudes mostram que fazem tudo na direção oposta. Parecem estar cegas diante das evidências sobre o futuro da mobilidade.     
Sem exageros no design e acabamento, a norte-americana Tesla, a mais nova entre os fabricantes de automóveis, lidera a chamada segunda revolução dos carros, a da emissão zero com preço acessível (James Lipman/Divulgação)
Sem exageros no design e acabamento, a norte-americana Tesla, a mais nova entre os fabricantes de automóveis, lidera a chamada segunda revolução dos carros, a da emissão zero com preço acessível

A Mercedes-Benz e a BMW não vão gostar da comparação, mas estão muito parecidas com os russos Ladas e Trabants, lembram-se? Pelo menos é esse o discurso no blog do CEO da Enterprise Garage, denominado Mario (ele omite o sobrenome), empresa do Vale do Silício voltada para inovações e ideias.  Mario é um austríaco PhD em engenharia química que definiu como sua missão de vida "ajudar as pessoas a abrirem uma fenda no universo, tornar a vida e o trabalho mais divertidos". Ele diz que falta ambição a essas montadoras que resistem a mudanças. Enquanto isso, o mundo observa o impossível sendo realizado por empresas como Tesla, Google, Apple e companhia.

O analista austríaco profetiza que a segunda revolução dos carros (a primeira foi a criação da linha de montagem iniciada por Henry Ford) já está acontecendo, por iniciativa da Tesla, e será engrossada também pelas novas empresas da China, dos EUA  e Índia. A Tesla Motors Inc. é uma marca de automóveis norte-americana focada em veículos elétricos de alto desempenho. Foi fundada em 2003 pelos engenheiros Martin Eberhard e Marc Tarpenning em San Carlos, Califórnia. O seu nome é uma homenagem ao inventor e engenheiro eletricista Nikola Tesla. A empresa ganhou importância e tornou-se notável após a produção do Tesla Roadster, o primeiro carro esportivo totalmente elétrico. O segundo veículo da empresa é o Model S, um sedã de luxo totalmente elétrico, e em seguida lançou os modelos X e 3 respectivamente. O CEO da Tesla, Elon Musk, disse que a empresa, como fabricante de automóveis independente, tem como objetivo oferecer carros elétricos a preços acessíveis ao consumidor de classe média. Um veículo ao preço de 40 mil dólares é esperado em 2017.
A promessa da Tesla para 2017, de um carro totalmente elétrico com preço mais competitivo, gerou uma lista de reserva de 400 mil veículos e acendeu o sinal de alerta da indústria tradicional (Divulgação)
A promessa da Tesla para 2017, de um carro totalmente elétrico com preço mais competitivo, gerou uma lista de reserva de 400 mil veículos e acendeu o sinal de alerta da indústria tradicional
 
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