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COLUNA »

Gente da capital

Zuleika de Souza - Publicação:31/08/2016 09:38Atualização:31/08/2016 10:03
PELAS ÁGUAS
O advogado Marcelo Reis nasceu no Rio e bem pequeno veio para o Quadradinho. Com 13 anos trabalhando no jurídico da Caesb, engajou-se na causa da água e fala com paixão de como as que nascem no Planalto Central são importantes para o Brasil. Ele diz que o amor pela água vem da natação, que pratica desde criança. O gosto por estar junto à natureza o leva a fazer viagens de motocicleta e com ela já chegou ao Atacama. Marcelo está na disputa por uma vaga de desembargador pelo quinto constitucional no TJ-DF e defende sua pretensão de contribuir com a Justiça, levando ao tribunal sua experiência de advogado desde 1996. "Acredito na Justiça deste país, mas tenho consciência de que injustiças ainda ocorrem, apesar de toda a evolução e avanços do direito", diz.
 (Zuleika de Souza/Encontro/DA Press)

BORDANDO A VIDA
Kátia Ferreira comanda a Apoena, marca que já virou sobrenome da estilista. "A Apoena foi fundada para ser uma roupa do bem, para quem veste e também para quem fabrica", diz. O negócio social gera renda e modifica a vida de muitas mulheres bordadeiras em comunidades carentes da capital. As roupas têm um caráter atemporal e são verdadeiras obras de arte usadas por artistas nacionais e esteve por anos nas passarelas Fashion Rio. Já ganhou vários prêmios de empreendedorismo e tem projeto de apoio a crianças em parceria com a Unesco e o Criança Esperança. A designer é hiperativa, gosta de falar das experiências, o que a tem levado para a África e o Caribe, em projetos de comunidades para resgate de tradições de costura. No ano passado trouxe tecidos africanos para sua coleção, também quando abriu a loja que fica na 403 Norte. Atualmente, faz um trabalho com mulheres vítimas de violência doméstica, que estão bordando suas histórias de vida. Dentro de uma gaveta, ela guarda os desenhos que Niemeyer fez para o futuro prédio do seu Instituto Proeza, que deve abrigar todas as suas ideias, um sonho que falta realizar.
 (Zuleika de Souza/Encontro/DA Press)

LEITURAS ANIMADAS
Ele fazia sucesso cantando na noite de Fortaleza, sua cidade natal, quando veio morar em Brasília há 17 anos em busca de novos palcos. Aqui, Tino de Freitas envolveu-se no mundo da literatura infantil, com sua companheira Ana Paula Bernardes, através dos Roedores de Livros, projeto de difusão da leitura, que visita escolas de todo o Distrito Federal e tem uma biblioteca em Ceilândia com mais de 3 mil livros voltados para crianças. Nas leituras animadas, Tino canta, toca e lê os livros que ele mesmo começou a escrever. Acabam de sair da gráfica mais duas edições - Um Abraço Passo a Passo (Panda Books, ilustração de Jana Glatt) e A Casa na Árvore (Melhoramentos, com Lúcia Brandão). Agora, são 18 livros, todos com ótimos ilustradores brasileiros, inclusive o ícone Ziraldo. O escritor passa o ano todo viajando pelo Brasil em feiras literárias, tarefa que concilia com o trabalho de curador dos shows e festas que lotam o Calaf quase diariamente.
 (Zuleika de Souza/Encontro/DA Press)

NADA DE ESTEREÓTIPOS
Marta Carvalho é uma produtora cultural criada e formada na luta das mulheres por mais espaço na cidade. À frente da Ossos do Ofício - confraria das artes que produz vários projetos de música e teatro. Agora, a partir de 13 setembro, chega o Festival Satélite061, que vai ocupar os espaços do Teatro Sesc Garagem (com o Palco Radar de artes cênicas), do IESB (com os workshops para artistas cênicos) e na Torre de TV (Palco Radiofusão, com DJs e Arte Urbana e Palco Satélite061, com artistas nacionais como a esperada Gal Costa, Fioti e Emicida), tudo de graça. Curadora e produtora, Marta explica os objetivos do 061: "Assim como em 2015, quando o festival introduziu a força das produções artísticas, encabeçadas por líderes de histórias de transformação em seus estados, cidades e países, o tema de 2016 precisa irradiar esse protagonismo, considerando que existe grande diversidade de narrativas a serem 'disputadas' pelas artistas independentes". Ela diz também que recusa ideias que são prevalentes e que passam pela representação vitimizada e hipersexualizada - enfim, estereotipada -, "construídas a partir do pensamento racista/sexista ainda dominante na nossa sociedade". Marta pretende, ainda, dar visibilidade à produção intelectual em torno da comunicação da diversidade. Uma guerreira cultural!
 (Zuleika de Souza/Encontro/DA Press)
 
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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017