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Aprendizado divertido

Pais investem em oficinas e atividades das mais diversas vertentes, fora do período escolar, para ajudar as crianças a descobrir novas coisas ou apenas brincar. E elas adoram!

Isabella de Andrade - Publicação:21/10/2016 14:04Atualização:21/10/2016 14:40
 As irmãs Ana Teresa e Mariana fazem aula de ioga: 'Elas já possuem a consciência do respirar e os efeitos positivos do relaxamento. Por algumas vezes, eu as vi praticando em casa sem que eu tivesse indicado', conta a mãe das meninas, Cecília Jacó  (Raimundo Sampaio/Esp.Encontro/DA Press )
As irmãs Ana Teresa e Mariana fazem aula de ioga: "Elas já possuem a consciência do respirar e os efeitos positivos do relaxamento. Por algumas vezes, eu as vi praticando em casa sem que eu tivesse indicado", conta a mãe das meninas, Cecília Jacó
O investimento promete valer a pena, já que a infância é a fase da vida em que mais se acumula conhecimento. Fora do período escolar, meninos e meninas de todas as idades aproveitam para melhorar suas habilidades na cozinha, aprimorar a percepção corporal e coordenação motora, desenvolver novos talentos e ampliar as possibilidades de criação. Entre as diversas aulas adaptadas para as mais diferentes faixas etárias estão a ioga, a gastronomia e as artes, que prometem expandir cada vez mais o leque de aprendizado desde a primeira infância até a juventude. Cada vez mais espaços em Brasília investem nessa faixa etária e aprimoram seus conhecimentos no ramo para ganhar a confiança dos pais e o carinho dos pequenos.

É o caso da Arca do Sabor, coordenada pela engenheira agrônoma e chef de cozinha Alessandra Brant, que decidiu pela gastronomia ao perceber a distância entre o alimento e a mesa, além da dificuldade dos adultos de passar esse aprendizado para os filhos ou alunos. “A criança é naturalmente curiosa, tem sede de aprender. Quando conseguimos despertar esse interesse nela, a origem do alimento e a forma como se processam até chegar à mesa aumenta muito a chance de ela querer saber o gosto e provar coisas diferentes”, diz. Para ela, a criança que aprende o processo tem a tendência de se alimentar melhor e fazer escolhas saudáveis. “Muitas pessoas ficam admiradas ao observar que no prato dos meus filhos sempre tem muitas verduras e são escolhas deles. Comemos muitas verduras na minha família e despertamos essa curiosidade”, conta.

Bernardo, de 9 anos, na aula de artes plásticas do Ateliê Daniela Jorge. A atividade, segundo a mãe dele, Sílvia, auxilia no pequeno déficit de atenção: 'A linguagem artística é muito importante para desenvolver outros tipos de expressão', diz ela (Raimundo Sampaio/Esp.Encontro/DA Press )
Bernardo, de 9 anos, na aula de artes plásticas do Ateliê Daniela Jorge. A atividade, segundo a mãe dele, Sílvia, auxilia no pequeno déficit de atenção: "A linguagem artística é muito importante para desenvolver outros tipos de expressão", diz ela
Um exemplo da eficiência do aprendizado gastronômico é Luísa Soares, de 8 anos, filha da administradora Paula Soares. A mãe conta que Luísa sempre teve interesse no assunto e demonstrava vontade de aprender mais sobre os alimentos e logo começou a participar de pequenos cursos. “Eles aguçam a criatividade, a percepção dos sentidos, a consciência alimentar e são uma excelente forma de diversão. Desde que começou a aprender gastronomia, é só falar que a comida será por conta dela que a Luísa quer inventar de um tudo e troca qualquer fast-food pela cozinha”, afirma. Paula conta ainda que virou cobaia para os experimentos alimentares da filha, que aprende nas aulas, cozinha em casa e chama a família para provar as delícias. “Notei que ela ficou mais paciente e focada em suas tarefas diárias”, conta a mãe de Luísa.

Alessandra Brant explica que a criança deve lidar com o máximo de ingredientes possíveis e que isso aumenta a participação delas durante as compras, escolhas das receitas e até mesmo no preparo dos alimentos e no desejo por se alimentar bem. “Buscamos desenvolver no curso a autonomia das crianças na cozinha, para que possam aprender seus limites e entender que precisam da supervisão de um adulto para não se machucarem. A cozinha deve ser um ambiente descontraído e ligado ao prazer, sendo assim, é propício para a convivência”, afirma.

Pilar Pontes com a professora Daniela Jorge: a menina de 7 anos, que adora desenhar, faz aulas de pintura e desenho (Raimundo Sampaio/Esp.Encontro/DA Press )
Pilar Pontes com a professora Daniela Jorge: a menina de 7 anos, que adora desenhar, faz aulas de pintura e desenho
Destacando ainda mais o desenvolvimento da independência, sentimento de segurança e confiança das crianças, Daniela Jorge, dona do ateliê de artes plásticas que leva seu nome, acredita que a atividade no espaço ajuda a criança a aprimorar diversos aspectos de sua rotina. Além de melhorar a capacidade de concentração e foco durante os estudos, a professora afirma que as crianças aprimoram sua coordenação motora e o despertar criativo no ateliê. O trabalho de Daniela é feito por meio de projetos culturais, que englobam diferentes materiais e possibilidades artísticas, e “serve para estimular ainda mais a criatividade que as crianças já têm, além de desenvolver a parte de socialização e a coordenação motora”.

Ana Valéria Pontes é servidora pública e mãe da pequena Pilar, de 8 anos. A filha faz aulas de desenho e pintura no ateliê desde os 4. “Decidimos colocá-la nas aulas porque, além de acharmos que estimula a criatividade, vimos que ela gosta muito de desenhar. Acredito que o trabalho manual e o aprendizado com as artes ajudam a despertar para diversas coisas do cotidiano. O trabalho desenvolvido aguça o olhar da criança, desperta a sensibilidade para as diferenças, para o novo e faz com que ela questione o igual”, explica Ana Valéria. Durante a atividade, as crianças lidam com tinta, gesso, papel, massinha, introdução ao trabalho de artistas, vídeos e músicas.

O filho da professora universitária Sílvia Badim, Bernardo, de 9 anos, também faz aulas de artes plásticas no ateliê de Daniela. Para ela, esse trabalho durante a infância pode auxiliar no aprendizado: “Neste ano, procurei as aulas pois meu filho tem um pequeno déficit de atenção e a linguagem artística é muito importante para desenvolver outros tipos de expressão. A arte na infância tem um papel muito importante no desenvolvimento da criatividade, no reconhecimento do mundo ao seu redor”, diz Sílvia. Ela conta que Bernardo adora desenhar e essa habilidade se manifesta em seu cotidiano e auxilia na relação com outras pessoas.

Luísa Soares (esq.) e a colega Ana Clara Cardoso usam em casa o que aprendem nas aulas de gastronomia: a mãe de Luísa, Paula, já notou que ela está mais paciente 
e focada nas tarefas (André Violatti /Esp.Encontro/DA Press )
Luísa Soares (esq.) e a colega Ana Clara Cardoso usam em casa o que aprendem nas aulas de gastronomia: a mãe de Luísa, Paula, já notou que ela está mais paciente e focada nas tarefas
Por não existir aquela exigência entre o que é certo e errado, como em uma aula de línguas, por exemplo, as crianças se sentem mais livres, e as técnicas e teorias são passadas todas durante o desenvolvimento dos projetos”, descreve Daniela Jorge. A artista conta que o projeto deste ano procura despertar o olhar de cada criança para a presença do outro, fora das tecnologias. As atividades são feitas com diários, fotografias, pinturas, argila, aquarela: “Cada faixa etária trabalha de acordo com os seus limites. Temos turmas de jovens que estudam há anos no ateliê, desenvolveram suas potencialidades e agora já criam seus projetos autônomos.”

O aprendizado chega também ao corpo, e aulas de ioga têm se mostrado boa opção para permitir que as crianças conheçam mais seus limites corporais, aprendam a lidar com a ansiedade e se sintam mais tranquilas, tornando-as adultos mais conscientes e seguros. É o que afirma a professora Mariana Faria Andrade, que ensina ioga a crianças entre 3 e 12 anos. “Para mim, investir na ioga é investir no futuro das crianças. As aulas são divididas de acordo com a faixa etária. Com as crianças menores, de até 5 anos, ocorrem de forma bem lúdica, ajudando a despertar a coordenação motora e questões da fala. Com as maiores, já podemos trabalhar a ajuda em grupo, a consciência coletiva, valores e conexões com eles mesmos”, diz a professora.

A ioga ajuda a desenvolver a consciência do corpo e da respiração, trazendo a consciência dos limites de cada um e como ultrapassá-los. Além disso, traz equilíbrio e diminui a ansiedade. “Ajuda também no psicológico, os medos diminuem quando diminui a ansiedade. A criança cria a consciência do mundo ao redor dela, o que a ajuda muito a ter mais paciência e lidar com a irritabilidade, bem como fortalece seu sistema nervoso e imunológico”, conta Mariana.

Casos das irmãs Mariana Jacó, de 11 anos, e Ana Teresa, de 6, filhas da servidora pública Cecília Regina Jacó. As meninas praticam ioga regularmente e a mãe conta que reconhece os benefícios em toda a família: “O mundo está cada vez mais acelerado, com muitas informações, e a ioga proporciona momentos e atitudes valiosos para o autoconhecimento e equilíbrio físico e emocional”, afirma.

Cecília também percebe em suas filhas os benefícios das posturas e dos mantras, que proporcionam mais alongamento, relaxamento e reenergização: “As crianças exercitam a criatividade e o brincar nas aulas, suas emoções e resoluções de conflito”. Muitas das posturas são ensinadas de maneira lúdica e lembram elementos da natureza, como a postura da árvore, do barco e do leão, facilitando a identificação para os pequenos. “Noto que elas já possuem a consciência do respirar e os efeitos positivos do relaxamento. Por algumas vezes, eu as vi praticando em casa sem que eu tivesse indicado”, diz Cecília.
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EDIÇÃO 59 | novembro de 2017