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COLUNA »

Gente da capital

Zuleika de Souza - Publicação:24/10/2016 09:54Atualização:24/10/2016 10:11
ALQUIMIA CRIATIVA

Pedras que Adriana Vignoli encontrou pelo caminho, lapidadas, viraram arte. Poderia ser filosofia de vida, mas é parte do trabalho que a artista está apresentando na galeria do Centro Cultural Elefante. Vãos é o nome da mostra que foi contemplada com um FAC (Fundo de Apoio à Cultura do DF) e ocupa dois andares do espaço na 706 Norte, tem curadoria de Manuel Neves e ensaios de Graça Ramos e Bia Dias. É a segunda exposição individual da arquiteta, que não quis seguir no ofício e utiliza o que aprendeu na UnB para criar as próprias obras, em que se usam concreto, vidro, elásticos, cobre, terra vermelha, catéteres, ácidos e pedras. É uma alquimia construtiva e destrutiva, que ela acha que tem muito a ver com Brasília. Também diz que essa mostra é quase uma residência artística, porque várias obras foram concebidas dentro da galeria e a montagem levou algumas semanas. Com mestrado em artes na UnB, a arquiteta morou na Alemanha, onde também participou de exposições. Neste ano foi finalista do maior prêmio de arte contemporânea brasileira, o Pipa. Com pouco mais de 30 anos, Adriana Vignoli já está na lista dos grandes artistas da cidade.
 (Zuleika de Souza/Esp. Encontro/DA Press)

BOLHA ESTOURADA

Rachel Gontijo Araujo estava terminando o curso na Escola de Artes de Chicago quando teve, com a artista californiana Stephanie Sauer, a ideia de montar uma editora diferente, que publicasse o que outras editoras não queriam editar. Também seria um jeito de voltar para o Brasil e fazer o que mais gosta, escrever e ler. Daí nasceu a Bolha, que funciona no Rio de Janeiro, na antiga Fábrica da Bhering, e virou um ponto de cultura da cidade. Vem sendo considerada a grande novidade do mercado editorial do Brasil, cada um dos seus mais de 30 títulos é uma obra de arte de acabamento impecável, sendo comparada à Cosac Naify. Parte da Bolha se dedica a traduzir e publicar autores brasileiros nos Estados Unidos, Hilda Hilst só foi editada em inglês e trabalhada fora do país graças à editora. Além da literatura, publica narrativas visuais e grande parte do financiamento dos projetos vem dos próprios leitores que apoiam e contribuem para viabilizar as obras. No site, dá para colaborar com as edições e adquirir os livros. Candanga, Rachel está sempre por aqui e já levou artistas como os brasilienses Lucas Gehre e Virgílio Neto para a Bolha. Em setembro, a editora foi a grande estrela da feira de arte do Ernesto Café, onde conversou sobre os livros e reencontrou os amigos da cidade. Também aproveitou e ficou mais uns dias com família e fez uma imersão em novo projeto de livro. Aguardem!
 (Zuleika de Souza/Esp. Encontro/DA Press)

A BEM DA ARTE

Com apenas 7 anos de idade, Sergio Barcelar desembarcou no Planalto Central com a família, vinda do Maranhão. Sergio fez direito na UnB, chegou a trabalhar como funcionário público, mas, como ele diz, não era a sua praia. Foi quando montou um bar, o Segundo Caderno, nos anos 1980, e começou a produzir shows na casa que encontrou sua praia: produzir arte. O boteco fechou, mas depois de alguns anos nasceu a Alecrim, produtora cultural que no ano quem completa 20 anos, especializada em dança, música e teatro. Faz cinco anos que é sócio-fundador do Instituto Bem Cultural (IBC), presidido por Henrique Oswaldo. Por meio do instituto, em parceria com Sérgio Maggio, Bacelar coordena a produção do Movimento Internacional de Dança (MID), cuja ação de formação é voltada para 560 alunos da rede pública de ensino com deficiência intelectual. Neste fim de ano, vai apresentar cinco companhias locais, duas nacionais e cinco internacionais, com residência artística, workshops e aulas de dança. O CCBB, a rodoviária e teatros do Sesc do Gama, Taguatinga e Ceilândia serão os palcos. O produtor também é um dos articuladores da Rede de Festivais Nacionais e Internacionais do Brasil, que reúne mais de 30 festivais, para fomentar políticas públicas para sua manutenção. "Os projetos que desenvolvo têm uma atenção especial para com a formação de público, especialmente de alunos, pois acredito que, para se pensar em um mínimo de sustentabilidade geracional para as artes, esse caminho deve passar necessariamente pelas escolas. Mais de 50 mil alunos de diferentes estados brasileiros já foram beneficiados com as ações de formação dos projetos. Para o início de 2017, pretendemos levar um recorte da produção  de teatro, dança e circo do DF para Belo Horizonte", diz.
 (Zuleika de Souza/Esp. Encontro/DA Press)

A ARTE IMITA A VIDA

O ator brasiliense João Campos está na novela A Lei do Amor, da Globo, no papel de um jornalista. "Na trama, Élio é um cara corajoso, simples, criado pela tia Suzana (Regina Duarte) após a morte da mãe. Engajado politicamente, vai se embrenhar na investigação de casos de corrupção em São Dimas e de um atentado contra o prefeito da cidade (Tarcísio Meira)", antecipa o ator. João já atuou como jornalista de verdade por alguns anos no Correio Braziliense e cobriu casos de polícia. Há alguns anos, deixou de lado as reportagens e mergulhou na carreira de ator, fazendo várias peças e filmes. Brasília começou a ficar pequena para ele quando no ano passado ganhou o prêmio de melhor ator dos curtas-metragens no Festival de Brasília. Foi selecionado para trabalhos na Globo que acabaram não dando certo, mas desta vez chegou a hora de ele mostrar seu talento no horário nobre. "O ritmo de gravações tem sido bastante puxado, o que não tem deixado brechas para eu pegar outros trabalhos. Antes da novela, estava montando uma peça (As Três Irmãs) em Brasília e me preparando para rodar uma série na Amazônia. Mas tive de largar os dois para passar esse período no Rio", diz João.
 (Divulgação )
 
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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017