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VINHOS | Novidade »

A hora e a vez dele

Portugueses vêm a Brasília para divulgar as delícias de sua bebida mais nobre: o vinho verde

João Marcondes - Publicação:26/10/2016 13:49Atualização:26/10/2016 14:40
Região vinícola em Portugal: castas diferentes produzem rótulos especiais (Divulgação)
Região vinícola em Portugal: castas diferentes produzem rótulos especiais
O pequeno garoto João Costa anda nas ruazinhas estreitas da cidade de Vizela, de 20 mil habitantes, no litoral norte de Portugal. Ele faz companhia ao avô Manoel, que visita as quintas para comprar vinho e depois revender. Vizela fica na região do Minho, colada à cidade de Guimarães, onde, segundo o vinicultor português Manuel Carvalho, “um manto verde desce das serras, cobre os vales, prolonga-se pela planície e se estende até o mar”. O verde é a marca dessa localidade de vinhos suaves e refrescantes.

João Costa, o menino de 15 anos atrás, hoje é empresário e viaja o mundo: Japão, Alemanha, República Tcheca e... Brasil. Sua família comprou maquinaria e hoje faz o próprio vinho, o Melodia, em parceria com os primos e demais familiares. A marca acaba de chegar ao Brasil via São Paulo e, segundo Costa, em breve aparecerá nos supermercados brasilienses: “O vinho verde é fresco, pode ser tomado gelado, à beira da piscina ou na balada”, afirma. “É um bom rival para a cerveja, que é muito consumida no Brasil”, acrescenta.

 “O país pode ficar em primeiro nesse ranking, hoje ocupado pelos Estados Unidos”, diz Bruno Almeida, enólogo e representante dos vinhos verdes portugueses no Brasil na Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV). “A refrescância e a acidez do vinho verde rimam com o Brasil. Mas não é só isso”, ressalta. “A gastronomia brasileira tem muito a ver com a de Portugal. Tudo combina”, completa.

Retratos de Portugal
Retratos de Portugal
Quem quiser já pode experimentar alguns desses vinhos à disposição nos supermercados e lojas brasilienses. Um deles é o Cruzeiro, com a uva loureiro, produzido na região de Ave, por Vera Lima: “Estou nessa desde criança. Uma vez que você entra no mundo dos vinhos, não sai mais. É o mundo das paixões”. Sua vinícola produz um vinho muito leve, para uma tarde de sol na piscina ou na praia, de ótimo preço, abaixo dos 30 reais, que pode ser encontrado na rede Pão de Açúcar.

“O único esforço que temos de fazer é que provem nosso vinho pela primeira vez”, desafia Vera, que, tal como João Costa, percorre vinícolas desde a tenra idade. Ela é uma expert, desde a forma como usa o saca-rolhas com destreza e segura o copo, chacoalhando o vinho com delicadeza ímpar, até sua percepção em relação aos mais distintos aromas. “O Brasil verá que o vinho verde tem muito mais a ver com o país do que um tinto francês, argentino ou chileno”, defende ela.

Outro que também já está em Brasília é o Via Latina, que pode ser encontrado nas versões branco, rosado e tinto (com uvas loureiro, alvarinho e vinhão, puras ou cortes). O enólogo José Castro, que esteve na capital para apresentar esse rótulo, também dá outra dica aos brasileiros que querem se aprofundar nesse tipo de bebida: “A melhor forma de conhecer o vinho verde português é viajando por essa região de Portugal”.

Os portugueses costumam se referir ao conjunto de vinhos de sua região com uma palavra. “Panóplia”, diz José Oliveira, que traz ao Brasil (e a Brasília, muito em breve) a marca Estreia. Panóplia, no sentido figurado, significa “coleção”. Na Idade Média, referia-se a  “coleção de armas”. Mas, aqui, dá a ideia de que qualquer tipo de vinho pode ser produzido por ali. Não apenas brancos, tintos e rosados, mas também frisantes, espumantes e aguardentes. Oliveira tem um belo e refrescante espumante de sua marca Estreia: “São vinhos menos alcoólicos, uma grande vantagem. Fala-se muito de ser um vinho de piscina, mas também cai muito bem numa balada, em substituição à cerveja. Hoje, pode-se dizer, o brasileiro não quer ficar só na cerveja”, diz.
 
 (João Marcondes/Esp.Encontro/DA Press)
O que é vinho verde?
 
Esqueça aquele Casal Garcia básico. Vinho verde não é apenas um vinho claro, de cor levemente esverdeada, como se pode pensar. Há também os rosados e os tintos bem escuros. “Vinho verde”  é apenas a região onde são produzidos (como Bordeaux, na França, por exemplo). Há vários tipos de uvas e cortes. A mais comum é a loureiro, cultivada em quase toda a região e melhor adaptada às zonas de litoral. Seus vinhos são cor citrina (ardósia), possuem um aroma fino, leve, frutado, cítrico, floral (rosa, frésia) e melado (buquê). É, provavelmente, a melhor porta de entrada para o universo desses vinhos. Outra casta que pode ser chamada de “clássica” é a alvarinho. É mais rica em açúcares. Sua cor é mais intensa, tonalidade palha. Aromas que vão desde marmelo, pêssego, banana e lichia, além de flor-de-laranjeira, mel, amêndoa e nozes. Resulta em um vinho de sabor mais complexo, que agrada mais o paladar dos iniciados. É encorpado e persistente. Para os que quiserem experimentar o “tinto verde”, vale provar a uva vinhão. De cor intensa, vermelho granada e aroma de frutas silvestres, como amora e framboesa. Seu sabor é encorpado e levemente adstringente.
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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017