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Treino High Tech

Apps de atividade física estão cada vez mais populares, especialmente pela praticidade e economia de tempo. Encontro testou alguns dos principais existente no mercado

Marina Dias - Redação Publicação:27/10/2016 14:28Atualização:27/10/2016 14:41
O publicitário Saullo Soares não abre mão dos apps para complementar o treino: 'Eles ajudam a acompanhar o objetivo, pois é possível anotar informações sobre nossa evolução e a manter a rotina' (Alexandre Rezende/Esp.encontro/DA Press)
O publicitário Saullo Soares não abre mão dos apps para complementar o treino: "Eles ajudam a acompanhar o objetivo, pois é possível anotar informações sobre nossa evolução e a manter a rotina"
Após mudança de hábitos trazida por um quadro de sobrepeso, o publicitário Saullo Soares é hoje o que se costuma chamar de “rato de academia”. Mesmo com a rotina corrida, está sempre lá. Ainda assim, não consegue participar das aulas coletivas de abdominais – que adora –, porque elas acontecem em um horário em que ainda está trabalhando. Por isso, começou, no início do ano, a usar um aplicativo de ginástica. Entre as funções do app está o treino de abdominal, que sugere uma sequência diferente de exercícios a cada dia, com duração de 20 minutos. Aprovou. “Além de indicar exercícios diferentes daqueles que estão na minha ficha da academia, o uso do aplicativo reduz o tempo que passo ali”, afirma.

Fora os abdominais, Saullo ainda usa o app nos fins de semana, quando não consegue ir à academia. Nesse caso, escolhe os exercícios funcionais. “Para manter o foco na dieta e nos exercícios, é preciso ter rotina e um objetivo real”, afirma. “O aplicativo ajuda a acompanhar o objetivo, pois é possível anotar informações sobre sua evolução e manter uma rotina”, afirma.

E qual é a ideia desses apps, afinal? Eles seguem a onda dos vídeos de ginástica que a atriz Jane Fonda lançou nas décadas de 1980 e 1990, mas em versão moderna. Oferecem sequências de exercícios de diversas modalidades, como força, cárdio, ioga, pilates, com vídeos demonstrativos, dicas de como executar corretamente, variedade de treinos, além de outras funções, como divulgação de resultados em rede com outros usuários, acompanhamento do avanço, etc. Em algumas versões pagas, existe até possibilidade de consulta a distância com técnicos.

Segundo o profissional de educação física Brucce Cota, coordenador desportivo da PUC Minas, as tecnologias fitness já são identificadas como tendência pelo American College of Sports Medicine dos Estados Unidos, que divulga anualmente recomendações e posicionamentos em relação à atividade física. “Isso reforça o fato de que esses apps estão aí, mas o que importa é usá-los de forma eficiente e inteligente”, afirma.

Isso porque os aplicativos trazem vantagens, como praticidade, privacidade e economia do tempo de deslocamento até a academia. Por outro lado, não há acompanhamento pessoal de profissionais da área – o usuário faz os exercícios por sua conta e risco. E, como é consenso entre especialistas, nada substitui o acompanhamento do professor de educação física. “Sempre existiram vídeos e aulas prontas”, diz Brucce. “Nos aplicativos, quem ministra a aula são profissionais de educação física e é possível fazer um treino mais personalizado no que diz respeito aos aparelhos a que a pessoa tem acesso no momento e ao feedback que o usuário consegue dar sobre o serviço.”

Além disso, Brucce lembra que quase 50% das pessoas que começam na academia param em até seis meses. Entre as que praticam alguma atividade física, mais de 70% não buscam orientação de instrutores, segundo pesquisa divulgada em 2015 pelo Ministério da Saúde. “Nesse sentido, o app pode ajudar a pessoa a continuar praticando, além de ser uma forma de orientação, mesmo que a distância”, afirma.

O assunto, no entanto, ainda é controverso. O professor da Faculdade de Educação Física da UFMG Fernando Vitor Lima é cético. Para ele, o meio virtual não permite que o professor conheça o praticante, o que é condição básica para a segurança. Por isso, não indica o uso para iniciantes. “Somente seria de alguma utilidade para alguém que já está treinando regularmente com acompanhamento e em uma situação de impossibilidade da presença do profissional de educação física”, diz.
 
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EDIÇÃO 59 | novembro de 2017