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CIDADE | Clima »

Estação quente, efeitos colaterais

A temporada de chuvas da primavera-verão deve ser normal no DF, mas especialistas alertam que é preciso economizar água para não faltar e se proteger do sol forte desta época do ano

Júnia Lara - Redação Publicação:27/10/2016 14:42
Temperaturas mais altas e pouca chuva nos últimos três meses: escassez hídrica na capital do país ainda não foi afastada (Breno Fortes/CB/DA Press)
Temperaturas mais altas e pouca chuva nos últimos três meses: escassez hídrica na capital do país ainda não foi afastada
A grama volta a ficar verde, as árvores começam a ganhar novas folhas, o ar se torna de novo respirável. Ufa! Brasília atravessou mais um período de seca, um dos piores dos últimos anos. Foram 86 dias sem qualquer chuva, de 17 de maio a 11 de agosto, mas a população ainda vai sentir seus efeitos pelo menos até que se regularizem os níveis dos reservatórios de água que abastecem a cidade.

Desde 16 de setembro a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa-DF) declarou estado de alerta por causa da escassez hídrica na capital do país. No dia 3 de outubro a barragem do Descoberto tinha apenas 33% de sua capacidade e a de Santa Maria 47%, quando o nível seguro deve girar em torno de 60%.

Ao anunciar as medidas para economizar água, o diretor-presidente da agência, Paulo Salles, ressaltou que se cada um reduzir o seu consumo, não haverá necessidade de adotar medidas mais rigorosas. Entre as providências estão a troca de tubulações para evitar desperdício na distribuição, a redução de 10% do consumo nos órgãos públicos, a fiscalização da captação ilegal, a realização de campanhas educativas para estimular a população a economizar e a restrição ao consumo em algumas localidades, caso necessário.

 (Minervino Júnio/CB/DA Press)
Para auxiliar a população, a Adasa lançou o site  com dicas para usar com consciência os recursos hídricos. A Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal), por sua vez, lançou a campanha Consciência 10 que, entre outras peças educativas, enumera atitudes que podem ser adotadas por todos para o uso mais consciente da água.

A boa notícia é que os fenômenos El Niño e La Niña (o aquecimento ou resfriamento das águas do Pacífico que provocam extremos de chuva ou seca no Brasil) estão mais fracos neste ano. “Quando isso acontece, podemos prever um período normal de chuvas no Centro-Oeste”, afirma o meteorologista do Instituto de Meteorologia (Inmet-DF), Hamilton Carvalho.

Como em outros anos, outubro e novembro terão chuvas esparsas e períodos chamados popularmente de “veranicos”, e dezembro, janeiro e fevereiro serão os períodos mais chuvosos. Em comum às altas temperaturas, um motivo a mais de preocupação, já que isso significa maior consumo de energia e água. Pelas projeções da Caesb, o DF deve chegar ao fim de 2016 com o consumo de 183 milhões de m³ de água — o maior dos últimos sete anos, um aumento de 16% em relação a 2010.

Paulo Salles, diretor-presidente da Adasa-DF: 'Se cada pessoa reduzir seu consumo de água, não haverá necessidade de adotar medidas mais rigorosas' (Minervino Júnio/CB/DA Press)
Paulo Salles, diretor-presidente da Adasa-DF: "Se cada pessoa reduzir seu consumo de água, não haverá necessidade de adotar medidas mais rigorosas"
Além de economizar água para não faltar, os brasilienses devem ter um cuidado redobrado com a proteção contra os raios solares nesse período. Segundo a dermatologista do Hospital Universitário de Brasília (HUB), Jorgeth Motta, a altitude da capital (1.172 m) expõe mais as pessoas aos raios ultravioletas: “A fotoproteção é mais uma questão de saúde do que de estética. Formar uma barreira física, com o uso de chapéus e roupas adequadas, além do uso de protetor solar são fundamentais tanto para prevenir os efeitos agudos do sol, como as queimaduras solares, as alergias, as urticárias, quanto para prevenir os efeitos crônicos que, com o tempo, podem desenvolver o câncer de pele”, alerta a especialista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e preceptora de residência médica na área.

Como qualquer produto que será usado na pele, é preciso se certificar que a pessoa não é alérgica aos componentes das fórmulas, e essa é a única restrição para o uso do protetor solar. Está comprovado cientificamente que seu uso não provoca danos à saúde e que sua proteção química cria uma barreira que reflete a radiação. Atualmente, um protetor solar de fator 30, por exemplo, garante duas a três horas de exposição ao sol sem que a pele comece a ficar vermelha. Sempre que entrar na água ou suar muito a pessoa deve reaplicar o produto.

O metereologista do Inmet-DF, Hamilton Carvalho, afirma que outubro e novembro terão chuvas esparsas e períodos de veranicos. 'Dezembro, janeiro e fevereiro serão os períodos mais chuvosos' (Raimundo Sampaio/Esp.Encontro/DA Press)
O metereologista do Inmet-DF, Hamilton Carvalho, afirma que outubro e novembro terão chuvas esparsas e períodos de veranicos. "Dezembro, janeiro e fevereiro serão os períodos mais chuvosos"
“O brasileiro tende a pensar que só se deve usar o protetor quando estiver se expondo mais ao sol, mas esse deve ser um hábito diário, até em dias nublados e mesmo que seja só para dar uma descidinha até o comércio”, afirma Jorgeth. Crianças de até 6 meses também não podem usar o produto e a dica é redobrar a proteção dos pequenos, com roupas com proteção UVB, bonés e chapéus e evitar os passeios e a exposição nos horários mais quentes.

Vale também, segundo os especialistas, lançar mão de sprays refrescantes com água pura guardada na geladeira quando precisar se refrescar: borrife-se começando pelas extremidades, pés e mãos e depois rosto. No mercado existem também miniventiladores e alguns têm até mesmo um borrifador integrado, uma mão na roda em tempos de altas temperaturas. Se você é esportista e gosta de atividades ao ar livre vale a pena investir também em roupas com proteção UVB ou projetadas para aliviar o suor. E os cuidados devem se estender também à dieta: ingerir bastante líquidos e incluir alimentos de mais fácil digestão, como saladas e frutas. Com esses cuidados básicos, dá para desfrutar do calor e do verão que se aproxima sem comprometer sua saúde.
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EDIÇÃO 59 | novembro de 2017