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COLUNA | Nas telas »

Treinamento Bruce Wayne

José João Ribeiro - Colunistas Publicação:24/11/2016 10:03
Quem acompanha o astro Ben Affleck, desde que surgiu vencendo o Oscar por Gênio Indomável (1997) ao lado do melhor amigo, Matt Damon, percebe sua inquietação. Batman vs Superman foi massacrado pela crítica, e Ben sentiu o golpe. Suas aparições, quando da promoção do longa-metragem dos super-heróis, davam o alcance do olhar disperso, quase deprimido. Com tropeços na carreira, bem lá no passado, sobretudo na fase de influência da paixão por Jennifer Lopez, Ben Affleck vem colecionando sucessos e seu novo filme, como protagonista, O Contador (The Accountant), dá a impressão de um exercício combinado com a Warner para assumir a franquia do Homem-Morcego.

O Contador pretende seguir a linha Bond ou Jason Bourne. Um gênio da matemática (Ben) com treinamentos de guerra e de toda sorte de artes marciais sofre de síndrome de Asperger, tendo mais facilidade em lidar com números e equações. De fachada, ele se dedica a um modesto escritório de contabilidade. Porém, o trabalho que o desafia é o de prestar serviços às redes e organizações criminosas mais perigosas do mundo. Um roteiro de ação que promete (e cumpre) reviravoltas até o último minuto.

Com elenco formado por notáveis, diversos nomes na crista da onda em Hollywood, partindo de J. K. Simmons, vencedor do Oscar por Whiplash, chegando à mocinha de Anna Kendrick, craque em conjugar beleza e humor em suas aparições, a produção tem o tamanho que seu ator principal conseguiu atingir junto aos estúdios. Ben Affleck dá as cartas em qualquer encontro com “tubarões”.
Ben Aflleck no papel-título de O Contador: um personagem na linha entre James Bond e Jason Bourne (Chuck Zlotnick/Warner Bros/Divulgação)
Ben Aflleck no papel-título de O Contador: um personagem na linha entre James Bond e Jason Bourne

Já na segunda experiência na direção, Atração Perigosa (2010), uma imensa receptividade da crítica, pontuando em várias listas de melhores do ano, naquela ocasião. Argo, de 2012, foi sua consagração. Mesmo estreando fora da temporada, quando os prováveis indicados se destacam, o filme ganhou praticamente em tudo que disputou. Ben Affleck tinha, de forma até prematura, atingido o mesmo status dos mais importantes cineastas em atividade dos Estados Unidos.

Ao topar embarcar no projeto da DC Comics/Warner, que tinha obrigação de peitar a hegemonia da Marvel/Disney, o ator insinuava mensagens de que a gigante dos quadrinhos iria renascer. Contudo, o tempo foi lançando suspeitas negativas sobre o futuro resultado do duelo entre o Homem de Aço com o Batman. Vários executivos apostavam que Ben Affleck não estava confortável com os rumos da produção milionária, primeiro ameaçando abandonar o papel e depois intervindo diretamente nas decisões do diretor, Zack Snyder.

Essa insatisfação ficou clara na estreia de Batman VS Superman. Mas Ben Affleck não desiste tão fácil. Fechou um acordo com a Warner, em que não só continuará usando o uniforme do morcego justiceiro, mas também assumirá completamente o projeto “The Batman”, já em fase de pré-produção. Em recente entrevista, o garoto cria de Hollywood se recusa a aceitar um resultado aquém do alcançado por Christopher Nolan na sua trilogia do Cavaleiro das Trevas. Affleck já encara a mitologia do super-herói da DC como o maior desafio de sua carreira.

Nesse impasse, seus malabarismos e a correria no papel de Christian Wolff, em O Contador, com direção de Gavin O’Connor, seriam uma etapa na preparação do extremo objetivo de recriar a saga do bilionário Bruce Wayne e sua identidade secreta.
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EDIÇÃO 59 | novembro de 2017