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ESPECIAL LUXO | Piscinas »

Espelhos d'água

Revestimento em pedras vulcânicas, pastilhas em diversos tons, iluminação super LED e limpeza robotizada estão entre as tendências para piscinas de alto padrão

Rebeca Oliveira - Publicação:24/11/2016 14:29Atualização:24/11/2016 14:43
Projeto da arquiteta Juliana Zuba, a piscina aparece em tons esverdeados: calmaria que lembra as águas do mar (Edgard César/Divulgação)
Projeto da arquiteta Juliana Zuba, a piscina aparece em tons esverdeados: calmaria que lembra as águas do mar
Piscinas, naturalmente, trazem a sensação de calma e relaxamento. Mais que um item supérfluo, elas podem se tornar os protagonistas das construções. Em Brasília, a baixa umidade do ar as tornam mais que elementos decorativos. São fundamentais para o bem-estar. Se em alguns lares elas dão boas-vindas aos convidados, situando-se na entrada da casa, em outros, são a cereja do bolo no quintal, refúgio escondido e mais que necessário. Ainda não há pesquisa oficial sobre a quantidade de moradores da cidade que têm piscinas nas residências. Os fabricantes e lojistas trabalham com o número de 50 mil. E a lista só deve aumentar. “Os revendedores de Brasília são diferenciados, porque os clientes também o são”, afirma Carlos Amorim, representante de diversas marcas nacionais e importadas.

O proprietário da Bsb Piscinas, no Núcleo Bandeirante, aponta uma importante mudança no comportamento do consumidor de alto padrão: “As piscinas já não são meros retângulos, têm praias, saunas e, principalmente, contam com tecnologia de ponta na limpeza”, diz Amorim. “Um dos meus clientes fez um investimento de 200 mil reais em um projeto”, conta o empresário, com duas décadas de experiência no segmento.

Ambiente criado pela arquiteta Walléria Teixeira: novidades como a praia e o revestimento de pedra hijau se destacam na construção  (Edgard César/Divulgação)
Ambiente criado pela arquiteta Walléria Teixeira: novidades como a praia e o revestimento de pedra hijau se destacam na construção
De diversos formatos, elas exercem o mesmo efeito estonteante nos moradores e convidados. Assim como os interiores das residências, também estão sujeitas a modismos. Neste ano, uma das tendências no setor acompanha um caminho adotado pelo design de retorno a uma estética orgânica, com formas que não necessariamente perpassam pelos clássicos retangulares ou ovais. Em alguns casos, elas parecem flutuar e integram-se à paisagem.

“Clientes que optam por alternativas mais luxuosas ainda preferem as construções de alvenaria, em detrimento das semiestruturadas e as de vinil, que são vendidas já prontas. São piscinas exclusivas, com desenhos que respeitam o projeto arquitetônico do lugar”, diz Leonardo Levay, sócio do Shopping das Piscinas, no Lago Norte. Piscinas, bem se sabe, são feitas de muitos detalhes. Um dos mais sofisticados atende pelo nome de SPA, como são conhecidas as hidromassagens artesanais, mais interessantes quando interligadas à piscina. O investimento, nesse caso, é de 4 mil reais a mais no orçamento.

Com assinatura da Igui para a Casa Cor 2016, esta piscina foi erguida sobre o chão: revestimento externo feito com granito (Raimundo Sampaio/Esp.Encontro/DA Press )
Com assinatura da Igui para a Casa Cor 2016, esta piscina foi erguida sobre o chão: revestimento externo feito com granito
Para conseguir um visual mais moderno, profissionais como a arquiteta Juliana Zuba optam por revestimentos com efeito mais natural, como o mármore. Por ser comumente visto em peças grandes, o material diminui consideravelmente a quantidade de rejunte utilizado. “Brasília está entre as cidades que possuem o maior número de piscinas do mundo”, afirma. Diferentemente de outras capitais, temos alto poder aquisitivo, que pede um cuidado especial. “Todos querem uma piscina diferenciada”, conta a profissional, que trabalha, em sociedade com a mãe, no Studio Denise Zuba.

Assim como o mármore, está em alta o cristal pool, nome do revestimento de quartzo pigmentado misturado a resina. O diferencial é que ele se adapta a qualquer superfície, incluindo terrenos irregulares. Também são antiderrapantes e permitem que se construam as famosas praias particulares. O cristal pool é encontrado por 180 reais o m². Iraneudo Ávila, sócio da Acqua Clean, indica também outro acabamento: materiais com ares mais rústicos.

As pedras vulcânicas, tecnicamente chamadas de pedra-hijau, importadas da Indonésia, são o must-have do momento. A aparência natural é o maior atrativo. Na Jotafrança Banho, top store no Lago Sul que tem exclusividade no Brasil da fabricante espanhola Roca, tem feito sucesso a massa porcelânica com relevo de prensa. Marcelo França enumera as vantagens desse produto: “É instalado mais rápido, muito mais fácil de rejuntar e dá um acabamento contínuo, praticamente perfeito”, afirma.

Cresce também a quantidade de clientes em busca de pastilhas esverdeadas. Elas dão uma cor parecida com a do mar, diminuindo a sensação de distância entre o brasiliense e o litoral – de, no mínimo, 1 mil km. “A ideia de a piscina se integrar com a natureza também é bem forte. Um tom que está bem em alta é o verde como referência a uma piscina natural. O azul nunca vai deixar de ter seu espaço, mas hoje se divide com outras cores, como o branco”, acrescenta a arquiteta Caroline Resende, dona de escritório homônimo.

Eliseu Miranda, da Igui Piscinas, no Lago Sul, ergueu uma no espaço Refúgio Gourmet, na Casa Cor 2016, assinado pelo arquiteto André Alf. Já instalada e aquecida, uma piscina idêntica custaria 65 mil reais. Feita em fibra de vidro multiestruturada, a obra recebeu revestimento externo de granito e, diferentemente do senso comum, foi feita elevada, sobre o chão. “São escolhas particulares, e a construção é a realização de um sonho. Erguer uma equivale à pintura de um quadro: nunca há duas iguais”, diz Miranda. Parceiro da marca de cerâmicas Atlas, ele reforça o interesse em tons mais diversos. Incluindo o cinza, que há poucos anos não era tão popular. “É algo que está bombando na Europa”, afirma.

Não é só se refrescar, mas aliar o banho relaxante a sustentabilidade. Recursos como o robô de limpeza têm menos desperdício de água. O equipamento faz todo o trabalho sozinho em 30 minutos e dispensa piscineiro. O consumo de energia elétrica pode ser reduzido em até 10 vezes com o uso da iluminação super LED, uma evolução das lâmpadas de LED. “Ela tem a tecnologia do RGB, uma luz que fica trocando de cor. Pode-se ter em casa uma cor por dia para iluminar a piscina”, diz a arquiteta Walléria Teixeira, do Studio Walléria Teixeira.
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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017