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Gente da capital

Zuleika de Souza - Publicação:16/01/2017 10:18
CASA, BOLO E FLORES

Confeitaria, ilustração científica e corretagem de imóveis parecem coisas muito distantes e diferentes, mas fazem parte da vida de Adriana Lima. Artista plástica, ela trabalhou como fotógrafa por um pequeno período, mas foi no mercado imobiliário, negócio de família, que passou grande parte de sua vida profissional. Nas oscilações do mercado encontrou tempo para voltar à universidade e desenvolver outra habilidade herdada da família mineira, a culinária. Tortas e bolos preparados como obras de arte fazem parte do menu de encomendas da Lima Flour & Flower, tudo feito com maior carinho na casa da artista. E a ilustração científica? “Eu sempre fui apaixonada por plantas e animais, insetos e também pela Margaret Mee. Um dia fiquei sabendo do curso do Marcos Santos Silva, do Núcleo de Biologia da UnB. Fiz o curso como aluna especial, depois frequentei várias oficinas”, conta Adriana. Em sua linda casa no Park Way, ela dedica uma parede inteira para as suas aquarelas do cerrado. Cada vez mais voltada à gastronomia, a artista plástica reúne, uma vez por mês, os amigos para almoços temáticos com mesas espalhadas pelos jardins da casa. Um sucesso, com lista de espera.
 
 (Zuleika de Souza/Divulgação)


NA TRILHA


Felipe Burato, o DJ Che, teve uma loja de vinis, criou uma feira só dos bolachões e tem tocado em festas e em lugares supersimpáticos da cidade, como o Jamón Jamón. Madruga todos os sábados fazendo a trilha da feirinha delícia da Grand Cru, que tem orgânicos, plantinhas (ipês), comidinhas, cosméticos naturais e um café da manhã maravilhoso, assinado pelos chefs Leo e Alex. O brasiliense Felipe conta que fez jornalismo depois de passar pelos cursos de antropologia e letras, e que essa inquietude fez com que durasse pouco tempo em redação e no governo. Passou por agências de publicidade e encontrou na discotecagem outra maneira de contar histórias: “O vinil é também uma linguagem. Todo disco tem uma história por trás e entendi que dá para contar essa (e outras) história tanto vendendo discos como discotecando. Toda discotecagem é a chance de construir uma narrativa, uma experiência para quem está ali vivendo aquele momento e, assim, guardar boas lembranças”. E qual seria a trilha sonora do Che? “Começa com algum rock sujo, passa por muitos grooves e termina num sambão exaltação, que reflete a minha história com a música”, diz o DJ.
 
 (Zuleika de Souza/Divulgação)
 
 
CENOGRAFIA AFETIVA

Tesourinhas, Foguetão e ipês estão entre os ícones do Quadradinho que Carmem San Thiago pinta como relíquias afetivas. A artista não nasceu aqui, mas a capital sempre esteve na sua vida, mesmo quando vivia em Porto Velho, sua cidade de nascimento. Suas pinturas não são cópias das paisagens brasilienses e o Foguetão pode ser transplantado para uma Tesourinha. O brinquedo do Parque da Cidade está em vários trabalhos e em vários suportes, e até virou uma almofada na forma de foguete. Trata-se de um equipamento da cidade que sempre a instigou. Outro dia, entrou no brinquedo com a filha pequena e reviveu emoções da infância. Uma exposição com esses trabalhos da artista, que também é diretora de arte e cenógrafa, está no novíssimo Academia Café, na 201 Norte.
 
 (Zuleika de Souza/Divulgação)
 
 
VIDA E MORTE

José Rezende Jr., mineiro de Aimorés, veio para o Planalto Central ainda na década de 1980, para trabalhar nas redações da capital. A última, antes de deixar o jornalismo diário, foi a do Correio Braziliense, onde se embrenhou na literatura em uma série de matérias sobre os grandes escritores brasileiros. Hoje, Rezende escreve obsessivamente sobre dois temas: vida e morte. Ele diz que, ao contrário de muitos escritores, escreve por puro prazer! As histórias vêm naturalmente – até quando caminha com Miguelim (seu amigo cachorro). Em 2010, o Eu Perguntei pro Velho se Ele Queria Morrer, ganhou o Prêmio Jabuti de Melhor Livro de Contos. Os Vivos e os Mortos, sua quarta obra, foi lançada no fim de novembro, em São Paulo, e neste mês será a vez de Brasília. As histórias fortes do escritor contrastam com o jeito meigo de quem gosta das coisas simples, de bichos, e que é capaz de mobilizar uma grande rede amigos para salvar uma curicaca, que ele encontrou de perna quebrada. O escritor também está comemorando o primeiro ano da revista Traços, da qual é o editor do projeto socioeditorial, capitaneado por André Noblat. O projeto gráfico é muito bonito e o conteúdo, de grande relevância para a cultura da capital.
 
 (Zuleika de Souza/Divulgação)
 
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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017