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GASTRÔ | Negócios »

Cantinho luso-brasiliense

Sagres ultrapassa duas décadas de funcionamento e alcança o posto de restaurante português mais antigo da cidade, com clientela fiel, que agora pode saborear os pratos da casa ao som do fado

Jéssica Germano - Redação Publicação:17/01/2017 10:10
Da ideia inusitada de uma bióloga e um geólogo até se tornar referência em culinária portuguesa para Brasília, a história do Sagres foi escrita de forma natural e bem-sucedida. No Brasil desde os 11 anos de idade, a portuguesa Olga Soares lembra o início do negócio, aberto há 21 anos, ao lado do marido. “Éramos dois professores que resolveram abrir um restaurante. Foi uma loucura”, conta, bem-humorada. “Eu na cozinha e ele do lado de fora, de garçom.” E assim os pratos benfeitos, marcados por bacalhau, azeites e doces de ovos, aliados ao atendimento acolhedor, conquistaram o público brasiliense. “O negócio começou a pegar e nós não percebíamos”, relembra a chef autodidata.

Localizada desde o início na comercial da 316 Norte, a casa se manteve firme à tradição que lhe deu origem. Das toalhas que forram as mesas na varanda ao artesanato típico, responsável pela decoração do ambiente interno, o casal se orgulha da ligação que ainda mantém com o país natal. “Nós trouxemos absolutamente tudo de lá”, afirma Maurício Cerqueira, continuando a dar os louros à amada, que, pelo menos três vezes por ano, visita Portugal. “O restaurante é fundamentalmente em função da Olga”, declara o companheiro de comércio e vida há 25 anos.
O casal Olga Soares e Maurício Cerqueira no salão do restaurante: 21 anos de história na gastronomia de Brasília (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
O casal Olga Soares e Maurício Cerqueira no salão do restaurante: 21 anos de história na gastronomia de Brasília

Mesmo firmados nos clássicos, como o tradicional bacalhau à lagareiro, que faz sucesso desde o primeiro cardápio, o conceito frequentemente se abre para novidades. Em 2016 foi a vez de a cozinha ter sua produção de sobremesas ampliada e lançar receitas como natas do céu, papo de anjo e ovos moles – com Olga sempre firme na supervisão de tudo. “Para o ano que vem eu farei um bacalhau desfiado com camarão. Tenho certeza de que será um sucesso”, antecipa a chef.
O tradicional bacalhau à lagareiro, feito aqui como se fosse em Portugal: sucesso desde o primeiro cardápio (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
O tradicional bacalhau à lagareiro, feito aqui como se fosse em Portugal: sucesso desde o primeiro cardápio

Outra novidade é a aposta nas noites de fado. Desde outubro, acontecem, em determinadas quintas-feiras por mês, apresentações do grupo Fala Materna. Composto por dois portugueses e um brasileiro, o trio cativou os donos do restaurante durante uma atuação externa. Ao todo já foram seis edições no empreendimento de viés português. “É uma coisa autêntica, genuína, e as pessoas se emocionam”, conta Maurício, lembrando que durante essas noites o espaço costuma encher, por isso o conselho de fazer reserva. “Se tivermos duas mesas livres é muito”, comemora a chef-proprietária.

Para a banda musical que nasceu em 2013 com o intuito de criar uma expressão popular unindo Brasil e Portugal, o convite veio muito bem a calhar: “Tem sido fantástico para nós e para o público. A música fala por si só”, atesta o vocalista Francisco Bandorra. Para João Lucas, responsável pelo teclado e pelo adufe, a identificação com o público é natural: “Tem muito a ver com a língua. É o que nos une.” E completa, ao lado do parceiro musical Bernardo Bittercourt: “O Sagres tem servido também para nós criarmos uma identidade musical.”
Trio Fala Materna, formado por dois portugueses e um brasileiro: noites de fado têm apresentações às quintas-feiras (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Trio Fala Materna, formado por dois portugueses e um brasileiro: noites de fado têm apresentações às quintas-feiras

Na crença do casal, que comanda o restaurante português mais antigo da cidade em operação, o sucesso e a longevidade têm a ver, especialmente, com a multiplicidade de vertentes do endereço. Olga cita, por exemplo, que inúmeras vezes é procurada pela clientela fiel para dar dicas de viagem a Portugal. A relação, segundo ela, ultrapassou as esferas de comandas para a cozinha: “Se fosse só um comércio comum, acho que não estaríamos mais aqui”, acredita, satisfeita com a trajetória que escreveram.
Detalhe da decoração do Sagres: religiosidade portuguesa da família se faz presente na casa (Raimundo Sampaio/Esp Encontro/DA Press)
Detalhe da decoração do Sagres: religiosidade portuguesa da família se faz presente na casa
 
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EDIÇÃO 59 | novembro de 2017