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SAÚDE | Pele »

Verão sem manchas

Maior órgão do corpo humano, a pele não pode ser negligenciada nunca, como explicam os dermatologistas, principalmente quando o assunto é exposição ao sol

Mariana Froes - Publicação:18/01/2017 09:47
 capital brasileira figura entre as cidades que atingem, periodicamente, índices extremos de radiação ultravioleta (UV). Isso quer dizer que, nos horários de luz mais intensa (entre 9h e 15h), aqueles que moram por estas bandas estão mais vulneráveis aos efeitos nocivos dos raios solares na pele. O uso diário do filtro solar, principalmente no verão, transformou-se em máxima que deve ser seguida à risca. Algumas marcas, inclusive, uniram o útil ao agradável: passaram a associar cosméticos às composições, o que, de fato, é visto com bons olhos pelos dermatologistas.

Mesmo com toda a evolução, recentemente, uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) reacendeu a preocupação sobre o assunto, ao mostrar que as líderes de mercado têm Fator de Proteção Solar (FPS) inferior ao anunciado. Diante da dúvida, nada melhor do que caprichar nos cuidados nesta estação.
Há cinco anos a arquiteta Adriana Sakaguti não se protegia dos efeitos solares: foi depois de descobrir os benefícios dos cosméticos que ela aderiu aos cremes fotoprotetores (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Há cinco anos a arquiteta Adriana Sakaguti não se protegia dos efeitos solares: foi depois de descobrir os benefícios dos cosméticos que ela aderiu aos cremes fotoprotetores

Mesmo pesquisas apontando que, culturalmente, o brasileiro é um povo consciente com relação ao tema, grande número de pessoas é acometido pelos melanomas, ano após ano. Segundo o coordenador da Campanha Nacional de Prevenção e Combate ao Câncer de Pele da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Emerson Lima, os dados são subnotificados. De acordo com registros do Instituto Nacional de Câncer (Inca), até o fim de 2016 serão aproximadamente 176 mil novos casos.

 “É o tipo mais comum de câncer, mas é possível prevenir. Por isso, as pessoas devem assumir uma postura de responsabilidade. Muitos brasileiros, embora conscientes, deixam de usar o filtro e isso é alavancado pela cultura do bronzeamento, com exposição excessiva, em horários errados”, alerta o médico. Durante todo o mês de dezembro, a SBD promove o #DezembroLaranja, ação de combate ao câncer de pele que tem como proposta informar sobre diagnóstico e tratamento da doença.
A fotógrafa Larissa Gurgel tem hipersensibilidade aos raios solares: 'Sinto minha pele arder seja qual for o horário e, além das sardas, tenho melasma. Então, qualquer descuido, e ambos se acentuam' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
A fotógrafa Larissa Gurgel tem hipersensibilidade aos raios solares: "Sinto minha pele arder seja qual for o horário e, além das sardas, tenho melasma. Então, qualquer descuido, e ambos se acentuam"

Foi após perceber que as sardas escureciam ao tomar sol que a fotógrafa Larissa Gurgel, de 31 anos, começou a cuidar da pele e descobriu ter hipersensibilidade aos raios solares. “Tinha 18 anos quando me dei conta. Sinto minha pele arder seja qual for o horário e, além das sardas, tenho melasma. Então, qualquer descuido, e ambos se acentuam. Já fiz vários tratamentos com ácidos, uso sabonete específico e protetor solar três vezes ao dia. Para o rosto uso fator 70 e para o corpo, 50. Já cheguei a pagar 400 reais para clarear as manchinhas”, revela. A fotógrafa gosta da ideia dos filtros com cor e maquiagens com proteção solar, mas afirma não confiar na eficácia deles.

Para o dermatologista Erasmo Tokarski, os protetores com outros ingredientes associados trazem praticidade ao dia a dia. “Temos mais de um efeito num único produto. A menos que a pessoa observe alguma sensibilidade à formula, não vejo qualquer problema e recomendo o uso”, esclarece. Tokarski acrescenta que pesquisas como a da Proteste, embora sejam importantes no sentido de cobrar qualidade das marcas, não podem motivar o abandono dos protetores, que atualmente são as melhores formas de prevenir problemas como manchas, queimaduras, envelhecimento precoce e câncer de pele. O especialista estima que 10% dos seus pacientes tenham algum problema cutâneo mais grave.
O especialista Gilvan Ferreira Alves diz que no Brasil ainda é grande a busca por tratamentos estéticos nos consultórios e que é preciso prevenir os efeitos da radiação:  'Aqui não tem solzinho; tem solzão' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
O especialista Gilvan Ferreira Alves diz que no Brasil ainda é grande a busca por tratamentos estéticos nos consultórios e que é preciso prevenir os efeitos da radiação: "Aqui não tem solzinho; tem solzão"

A consultora de beleza Lindauva da Cruz, de 46 anos, surpreendeu-se com o diagnóstico de câncer de pele, melanoma considerado raro em pessoas de cor parda. Passados 11 anos do tratamento, ela leva uma vida normal e hoje cuida da pele. Além de rituais de limpeza específicos, usa protetor solar fator 30, geralmente, associado à maquiagem, e afirma não ver diferença em relação aos convencionais. “Infelizmente, nem todos são como eu. Muitos não se importam com a pele”, diz.

Gilvan Ferreira Alves, doutor em dermatologia pela Universidade de Londres, que também atende casos clínicos, concorda. Ele destaca que grande parte dos pacientes recorre aos especialistas em busca de tratamentos estéticos, aos quais sugere cuidados cotidianos. “A nossa pele está exposta às intempéries do dia a dia, como o sol. Sendo assim, é importante a proteção, principalmente para quem vive em um país tropical como o nosso. Aqui não tem solzinho; tem solzão. Cinco minutos diários ao sol produzem vitamina D para o resto do dia. Portanto, devemos evitar deitar ao sol para não desencadear outros problemas”, explica.
O médico Erasmo Tokarski sugere o uso de protetores a todas as pessoas: a melhor forma de prevenir problemas como manchas, queimaduras, envelhecimento precoce e câncer de pele (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
O médico Erasmo Tokarski sugere o uso de protetores a todas as pessoas: a melhor forma de prevenir problemas como manchas, queimaduras, envelhecimento precoce e câncer de pele

O especialista diz que antioxidantes, clareadores, entre outros, associados aos filtros solares são bem-vindos. “Eles penetram na pele combatendo radicais livres. Aqueles com maquiagem funcionam bem também. A faixa diária ideal é o fator 30. Os com mais que isso, muitas vezes, têm preço superior, mas não a eficácia. A questão é reaplicar e verificar a quantidade. Espalhar demais não é o melhor. E para quem tem manchas, sardas, queloides, é recomendável usar barreiras físicas, como chapéus”, recomenda.

Sol não era preocupação para a arquiteta e diretora sênior independente de vendas Adriana Melo Sakaguti, de 42 anos, até cerca de cinco anos atrás. Ela se expunha à radiação sem qualquer proteção. Tudo mudou após conhecer uma marca de cosméticos com a qual decidiu trabalhar. “Tenho tendência à acne, aí surgiam manchinhas e cicatrizes. Também vamos envelhecendo e começamos a nos preocupar com as marcas na pele. Hoje, além de seguir uma rotina de tratamento, tento tomar bastante água”, diz. Diariamente, Adriana alterna o protetor fator 30 com um CC cream que tem filtro solar. “Saúde, para mim, está intimamente ligada à autoestima. E, se conseguirmos o equilíbrio entre os dois, estaremos bem”, diz ela.
O dermatologista Emerson Lima coordena a campanha #DezembroLaranja, de combate ao câncer de pele: 'Muitos brasileiros deixam de usar o filtro, com exposição excessiva ao sol em horários errados' (Germana Soares/Divulgação )
O dermatologista Emerson Lima coordena a campanha #DezembroLaranja, de combate ao câncer de pele: "Muitos brasileiros deixam de usar o filtro, com exposição excessiva ao sol em horários errados"

10 CUIDADOS BÁSICOS

Especialistas dão conselhos de como evitar manchas, queimaduras e outros problemas relacionados à exposição ao sol

1) Use um protetor solar de acordo com o seu tipo de pele. Lembre-se: crianças precisam de um cuidado maior.

Dica: Quem tem pele oleosa, por exemplo, deve optar pelos produtos toque seco/oil free, que costumam vir na forma de gel. Os protetores comuns podem estimular o surgimento de cravos e espinhas em quem tem pele desse tipo

2)
Utilize uma quantidade adequada de protetor solar e não esfregue muito. Crianças devem receber protetor em todas as áreas do corpo.

Dica: Se você usa em pouca quantidade, não adianta usar um FPS 60, porque ele não vai estar concentrado o suficiente para promover essa proteção. A quantidade recomendada é de pelo menos uma polpa digital (a parte do dedo onde ficam as digitais) por área aplicada (rosto, braço, etc.)

3) Reaplique o protetor com frequência e não proteja só a fronte. Lembre-se da região auricular e do dorso do pé.

Dica: Passar apenas uma vez também reduz a capacidade de proteção. Reaplique quando sair da piscina ou do mar, ou a cada duas horas (se estiver fazendo alguma atividade ao ar livre) ou, a cada quatro horas (na rotina comum). Uma dica para o dia a dia é aplicar antes de sair para o trabalho e reaplicar no horário de almoço

4) Aplique protetor entre 20 e 30 minutos antes da exposição ao sol.

Dica: Tem gente que chega à praia, passa o protetor e já cai direto no mar; aí o produto vai todo embora. Esse tempo é importante para ajudar na fixação

5) Evite tomar banhos quentes

Dica: A temperatura alta resseca e agride a pele

6) Hidrate-se por dentro e por fora.

Dica: Usar hidratantes corporais, beber bastante água (a recomendação diária é de cerca de 2 litros) e comer frutas com alto teor de água ajudam a pele a manter-se hidratada

7)
Lave maiôs, biquínis e sungas logo após usá-los e evite ficar com as roupas molhadas por muito tempo para evitar problemas na pele.

Dica: Assim você consegue reduzir as chances de ter micoses.

8) Use roupas de tecidos leves e frescos, que diminuem o calor e evitam o entupimento dos poros das glândulas sudoríparas.

Dica: Roupas apertadas podem desencadear brotoejas

9) Não se esqueça dos protetores labiais.

Dica: Os hidratantes sozinhos não protegem do sol, por isso precisam ter FPS

10) Invista também em chapéus (com abas com mais de 7 cm), roupas com fator de proteção e óculos escuros de boa qualidade.

Dica: É uma barreira a mais para evitar a exposição excessiva
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EDIÇÃO 59 | novembro de 2017