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BRASILIENSES 2016 | Iberê Carvalho »

Janela para o mundo

Com a Netflix, o cineasta levará o seu já premiado longa-metragem O Último Cine Drive-in, eleito pelo voto popular, a 190 países

Diego Ponce Deleon - Publicação:19/01/2017 09:51Atualização:19/01/2017 11:02
CULTURA
O cineasta Iberê Carvalho sobre seu mais recente filme: 'Sempre acreditei muito que estava diante de um projeto muito bonito, mas isso não quer dizer que eu esperasse esse ou aquele prêmio' (Paula Carrubba/Divulgação)
O cineasta Iberê Carvalho sobre seu mais recente filme: "Sempre acreditei muito que estava diante de um projeto muito bonito, mas isso não quer dizer que eu esperasse esse ou aquele prêmio"
 
Difícil pensarmos em outra produção do Distrito Federal que tenha trilhado um caminho tão promissor como O Último Cine Drive-in, de Iberê Carvalho. O longa, protagonizado por Othon Bastos, Breno Nina e Fernanda Rocha, chamou a atenção inicialmente do Festival do Rio. Depois saiu laureado do Festival de Gramado, o mais prestigiado do país. E, neste ano, talvez o mais importante dos prêmios: o ingresso no catálogo global da Netflix. Um alcance de 190 países e um público superior a 30 milhões de pessoas. E o melhor: chegou lá por voto popular.

“Quando eu começo um projeto, preciso acreditar no potencial dele. E com O Último Cine Drive-in sempre acreditei muito que estava diante de um projeto muito bonito, mas isso não quer dizer que eu esperasse esse ou aquele prêmio. Tudo o que esperava é que o filme tocasse as pessoas. Sabia que, se isso acontecesse, a repercussão seria consequência”, diz Iberê.

A relação do diretor com o cinema também percorre o lado emotivo. E não faz muito tempo que ele descobriu quando foi que a arte audiovisual o deslumbrou pela primeira vez: “Outro dia, meu pai me lembrou que, aos 5 anos de idade, depois de eu ganhar uma fantasia de super-homem, ele me filmou de forma a criar a ilusão de que eu estava voando, como se fazia nos filmes da época. Segundo ele, fiquei encantado pela mágica”, conta.

Já aos 10 anos, o pequeno Iberê pegou hepatite e se viu obrigado a passar 40 dias em casa. Claro que ele não desperdiçaria a oportunidade. “Foi quando descobri que a câmera VHS que tínhamos conseguia gravar trechos de um quarto de segundo. Foi o suficiente para fazer dos meus bonecos e de minha irmã, Maíra, estrelas de meus primeiros filmetes de animação stop motion”, lembra. Isso sem falar nos incontáveis domingos que o pai o levava, junto aos irmãos, para os cinemas da cidade.

Hoje, Iberê não sabe ao certo quando se deu a faísca, mas arrisca dizer que talvez tenha sido a soma de todas essas interferências: “No fundo, foram todas essas experiências que ao longo do tempo foram me contagiando”.

Em termos cronológicos fica mais fácil desvendar essa jornada. A primeira experiência direta com a sétima arte aconteceu sob as mãos do mestre Nelson Pereira dos Santos, que conduzia uma oficina na Faculdade de Comunicação da UnB. Ali, em 1995, Iberê estrelou seu primeiro filme, ainda como ator. O trabalho atrás das câmeras iniciou-se em 2001 com Cela de Aula, o primeiro curta que dirigiu, e Cidadão Suicídio, de 2003, o primeiro filme de ficção.

Depois de todo o burburinho em torno de O Último Cine Drive-In, Iberê já está engatilhado para novos projetos. Em 2017, vai concentrar os esforços em torno de duas séries e dois longas. E, aos poucos,  colabora para que Brasília se firme como um set de locação e produção. Ele próprio se mostra otimista: “Não tenho dúvidas de que, com as parcerias corretas, vamos poder falar de fato de um polo de produção cinematográfica no Distrito Federal”, diz.
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EDIÇÃO 59 | novembro de 2017