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BRASILIENSES DE 2016 | Caio Bomfim »

Correndo atrás do sonho

Quarto colocado na marcha atlética nas Olimpíadas do Rio, em agosto, o brasiliense venceu o preconceito e a falta de investimentos e hoje é referência nacional na categoria

Rebeca Oliveira - Publicação:19/01/2017 09:58Atualização:19/01/2017 11:05
ESPORTE
Caio Bonfim treinou muito para as Olimpíadas do Rio: foram cerca de cinco anos, percorrendo até 40 km diariamente (Breno Fortes/CB/DA Press)
Caio Bonfim treinou muito para as Olimpíadas do Rio: foram cerca de cinco anos, percorrendo até 40 km diariamente
 
Cinco segundos separaram o brasiliense Caio Bonfim da medalha de bronze na prova da marcha atlética dos 20 km, nas Olimpíadas do Rio 2016, quando a capital fluminense foi sede do maior evento esportivo do mundo, neste ano. Foi uma conquista inestimável a quem, quatro anos antes, havia cravado a 39ª colocação nos Jogos de Londres, em 2012. Nos 50 km, mais um marco: Bonfim ficou em nono lugar, posição que considera igualmente impactante: “Não fiquei triste por ser o quarto colocado. Imagine se o Brasil fosse a quarta potência mundial em qualquer setor! Não seria um fato a comemorar?”

Com os melhores tempos brasileiros em toda a história da categoria nas duas provas, Caio Bonfim conseguiu o impensável – popularizar a marcha atlética em um país onde não há visibilidade aos marchadores e, em geral, aos profissionais de alto rendimento. “Sofri preconceito em todos os lugares, até onde não imaginava. No ensino médio e na faculdade, fui reprovado por falta enquanto representava o país em competições”, diz. A modalidade esportiva mais popular do Brasil, o futebol, foi válvula de escape para Caio Bonfim, que cresceu em uma família de marchadores. Durante 10 anos, o morador de Sobradinho jogou nas categorias de base do Brasiliense, clube que o acolheu quando tinha apenas 6 anos. A entrada na marcha atlética aconteceu como maneira de melhorar a performance nos campos. Ele só queria correr mais rápido e se destacar nos gramados, como a maioria dos garotos da sua idade.

Durante uma viagem de férias com a família a Aracaju, Sergipe, com apenas 16 anos, Caio surpreendeu o pai, João Sena Bonfim, e sobretudo a mãe, Gianetti Bonfim, oito vezes campeã da Copa Brasil de Marcha. “Marchei pela primeira vez na praia. Pouco tempo depois, fiz um teste e fiquei em segundo lugar, com classificação para a Copa Sul-Americana”, relembra. Um milagre para quem precisou, aos 2 anos, fazer uma cirurgia de correção dos ossos das pernas, que eram tortas.

Em 2007, Bonfim participou do Campeonato Brasileiro Juvenil. Pouco depois, embarcou para a República Tcheca, onde conquistou a 12ª posição em campeonato mundial. Foi no mesmo ano em que a mãe parou de competir. Mesmo sem planejar, Caio deu continuidade ao talento que parece intrínseco ao DNA. “Desde então, mantive o sonho de tornar esse esporte mais conhecido. Essa é a minha missão”, afirma. 

Além dos treinos intensos, a rotina de Caio Bonfim é marcada por uma alimentação regrada. Para dar conta do ritmo ininterrupto, o esportista mantém uma dieta de 4,5 mil calorias por dia, o equivalente a mais de 10 sanduíches grandes. “Desde 2013, não me machuco ou tenho lesões. Isso é resultado da rotina equilibrada dentro e fora das pistas”, diz. Dedicado, o marchador recebeu propostas financeiramente convidativas de dois grandes clubes de fora, mas não pretende sair da capital. “Amo Brasília, amo meu clube”, afirma.  

Ainda há espaço para o afeto e a vida pessoal. O tão desejado ouro veio meses depois das Olimpíadas. No entanto, em vez de medalha, surgiu em formato de aliança. No fim de novembro, ele se casou com Juliana Bonfim, mostrando que é possível balancear sorte no jogo e no amor. Uma prova de que quando se corre atrás do que se quer a vida retribui.
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EDIÇÃO 59 | novembro de 2017