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BRASILIENSES DE 2016 | Jéssica Behrens »

Desbravando territórios

Ela desenvolveu em Harvard o app Tradr, de troca ou venda de itens sem uso, que já tem 90 mil usuários no Brasil, número que deve crescer muito mais se depender desta jovem inovadora

Rebeca Oliveira - Publicação:19/01/2017 10:04Atualização:19/01/2017 11:06
TECNOLOGIA 
Com apenas 25 anos, Jéssica Behrens já chamou a atenção de grandes empresas tecnológicas, mas ainda enfrenta preconceitos: 'Sempre precisei ser duas vezes mais eficiente, organizada e proativa para ser levada a sério' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Com apenas 25 anos, Jéssica Behrens já chamou a atenção de grandes empresas tecnológicas, mas ainda enfrenta preconceitos: "Sempre precisei ser duas vezes mais eficiente, organizada e proativa para ser levada a sério"
 
Incentivar as pessoas a repensar o consumo, trocando ou vendendo itens sem uso. Um segundo olhar sustentável sobre as coisas que se tem e nem sempre são tão necessárias quanto se imagina. Uma forma de, mais que ganhar dinheiro, conectar pessoas e comunidades. As premissas do aplicativo Tradr, ideia da brasiliense Jéssica Behrens, são tão assertivas que chamaram a atenção de especialistas em tecnologia de Harvard, a mais prestigiada universidade americana que já formou oito presidentes daquele país, entre eles, Barack Obama.

Em 2015, a brasiliense foi aceita cinco vezes em laboratórios de inovação da universidade estadunidense e tirou a ideia do papel. Por lá, respirou tecnologia. Hoje, o app tem 90 mil usuários no Brasil, sem contar os dos Estados Unidos e Israel, onde também está disponível. Tudo isso em um cenário predominantemente masculino.

Nos Estados Unidos, onde o Tradr foi incubado, apenas 7% das startups (empresas nas quais o app se encaixa) são comandadas por mulheres. “O mundo precisa de mais mulheres na tecnologia. Desde crianças somos induzidas a achar que não é algo atrativo, porque pensamos que é algo frio, sem interação. Por isso nos voltamos muito para as áreas de humanas. Mas o mundo high tech pode ser humanizado. Veja a quantidade de pessoas que baixaram e se conectaram pelo Tradr”, diz.

Embora possa parecer sorte do acaso, a ideia do aplicativo vingou porque reflete os valores que Jessica defende. O projeto inicial surgiu como uma forma pessoal de praticar o desapego, em um momento de crise existencial. O objetivo era passar para frente um objeto por dia, durante um ano. Nos primeiros três meses, ela os deixava em paradas de ônibus, até que pensou em um aplicativo com logística parecida com a do Tinder, conhecida rede social de paquera. Quem gostasse curtia e podia levar, bastando combinar um local.

 À medida que os interesses do usuário ficam mais nítidos, os produtos ofertados convergem ainda mais com a personalidade, por meio de um sistema de algoritmos que detecta gostos e preferências.

Lançado em 13 de dezembro do ano passado, o aplicativo abriu caminhos para que Jéssica Behrens começasse a trilhar uma jornada bem-sucedida, em sociedade com a brasiliense Gabrielle Borges Logo Gomes, gerente de marketing do app. No mesmo mês, foram selecionadas para a Startup Farm, maior aceleradora de startups da América Latina. O espaço de coworking Google Camp, do Google, sediado em São Paulo, também se interessou pelo projeto e as acolheu por alguns meses.  “Estamos trabalhando para, em 2017, crescermos cinco vezes mais com o Tradr”, diz.

Em junho, a brasiliense foi uma das finalistas da Start Tel Aviv Competition, uma das maiores competições de tecnologia do mundo. Embora não tenha levado o troféu, Jéssica comemora o networking feito em Israel. “Depois do Vale do Silício, é o maior ecossistema de tecnologia do mundo”, diz.

São os primeiros passos dados para um futuro que, se depender do espírito inovador da brasiliense, será ainda mais promissor. Em breve, ela pretende lançar outra iniciativa fincada nos preceitos da economia colaborativa, tendência em voga que prega um consumo consciente e benéfico para si – e, principalmente, para o planeta.
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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017