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BRASILIENSE DE 2016 | Sérgio Sampaio »

Otimismo para governar

Chefe da Casa Civil do GDF tem como desafios cortar milhares de cargos e reduzir despesas e secretarias pela metade, para equilibrar as contas públicas nos próximos anos

Teresa Mello - Publicação:19/01/2017 10:19Atualização:19/01/2017 10:26
GESTÃO PÚBLICA 
 
Sérgio Sampaio em seu gabinete no Palácio Buriti:'Tomamos decisões corajosas para fazer o ajuste fiscal, que é a única maneira de resgatar o papel do Estado' (Vinicius Santa Rosa/Esp.Encontro/DA Press)
Sérgio Sampaio em seu gabinete no Palácio Buriti:"Tomamos decisões corajosas para fazer o ajuste fiscal, que é a única maneira de resgatar o papel do Estado"
 
As mazelas financeiras do Distrito Federal vêm de outros carnavais. Relatório do Tribunal de Contas do DF divulgado em agosto de 2014 apontou dívida de 2,2 bilhões de reais herdada da administração anterior. Em 2016, o pagamento dos servidores, que representam 7% da população, consome 77% da arrecadação do governo. Outros 20% referem-se à manutenção da máquina pública e 1% destina-se a pagar dívida com a União, como financiamentos. O que sobra, minguados 2%, é investido nas regiões administrativas. No comando do ajuste fiscal para garantir a sobrevivência de Brasília, está o brasiliense Sérgio Sampaio, 49 anos, chefe da Casa Civil.

Como um equilibrista na gestão do orçamento de 32 bilhões de reais ao ano – 15 bilhões de arrecadação tributária e 17 bilhões do Fundo Constitucional da União –, ele não deixa as finanças despencarem, situação verificada em mais da metade dos estados brasileiros, a exemplo do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. “Coube a nós superar esse momento de crise no GDF”, diz Sampaio, animado com a missão, após ter sido convidado pelo governador Rodrigo Rollemberg a assumir o posto, em junho do ano passado.

Hoje, fora da zona de conforto como servidor na Câmara dos Deputados, ele coordena a o enxugamento da máquina administrativa – que incluiu o corte de 4 mil cargos comissionados e a redução de secretarias de governo de 38 para 19 – e as campanhas e greves pelo reajuste salarial de 32 categorias de funcionários aprovado sem previsão orçamentária na gestão anterior. “Tomamos decisões corajosas para fazer o ajuste fiscal, que é a única maneira de resgatar o papel do Estado”, afirma. Para Sampaio, esse papel é o de prestar serviços à população, diminuir as desigualdades sociais, implementar melhorias e promover políticas públicas.

Os 2% de recursos disponíveis do governo são objeto de muito critério: “Somos seletivos nos investimentos, com prioridades para áreas mais necessitadas”, destaca Sampaio. “São obras de infraestrutura no Setor Habitacional Sol Nascente, considerada uma das maiores comunidades da América Latina. No Buritizinho, estamos colocando esgoto, captação de águas pluviais, iluminação, asfalto. No Hospital da Criança, vamos quadruplicar as instalações e teremos UTI pediátrica. E na Saída Norte, onde as pessoas ficavam horas paradas em engarrafamento, melhoramos a mobilidade, e estamos investindo também para garantir água potável a gerações futuras”, diz.

Apaixonado por Brasília, o secretário completa: “Tenho o dever de fazer o meu melhor por esta cidade que me deu oportunidade de vida e muitos e bons amigos”. Aluno do ensino fundamental na escola pública da 113 Sul, ele cursou o ensino médio no Colégio Marista e formou-se em direito pela Universidade de Brasília. Pai de duas filhas – uma de 18 e outra de 12 anos –, Sérgio Sampaio aproveita a capital como pode. Gosta de correr e de pedalar. “Aqui é uma cidade-parque”, aponta ele, que elege, como local favorito, a orla do lago Paranoá. “Vamos viver tempos melhores em 2017”, afirma.
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EDIÇÃO 59 | novembro de 2017