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BRASILIENSES DE 2016 | Márcia Abrahão »

UnB: desafios para a nova reitora

Como nova reitora da UnB, Márcia Abrahão enfrenta um dos momentos mais conturbados da área no Brasil, mas nada que lhe tire o sonho de construir um legado para o futuro da instituição

Teresa Mello - Publicação:19/01/2017 10:20Atualização:24/02/2017 15:05

EDUCAÇÃO

Márcia Abrahão no campus da UnB, onde trabalha há 31 anos: 'Sou uma gestora muito rápida; eu meto a mão na massa' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Márcia Abrahão no campus da UnB, onde trabalha há 31 anos: "Sou uma gestora muito rápida; eu meto a mão na massa"
 
A primeira mulher reitora da Universidade de Brasília (UnB) é uma apaixonada pelo campus da Asa Norte. O local favorito de Márcia Abrahão fica no subsolo do Minhocão: “É o meu laboratório de microscopia”, admite. Lá, a geóloga de 51 anos esmiuçava bolhas em rochas de bilhões de anos. Isso até meados do segundo semestre de 2016, quando encabeçou a Diálogo para Avançar, uma das três chapas concorrentes à reitoria. Venceu com 53,34% dos votos para exercer o mandato até 2020. Mas a tranquilidade garantida nas urnas logo seria chacoalhada. Tomou posse em 24 de novembro e um problemão despencou-lhe no colo: a ocupação dos estudantes contra a PEC 55, que limita gastos para a educação e a saúde no Brasil.

Moradora do Lago Norte, a nova reitora tem na UnB a sua segunda casa: vive ali há 31 anos, desde que começou a estudar geologia em 1982, e não saiu mais. Vieram o mestrado e o doutorado na universidade e um pós-doutorado no Canadá. Em 1995, tornou-se professora. Como decana de ensino de graduação, comandou o Programa de Reestruturação Universitária, que ampliou a grade acadêmica em 37 novos cursos de graduação e 1 mil professores, e solidificou os campi de Ceilândia, Gama e Planaltina. Márcia atribui a capacidade de gestão e o trabalho em equipe à experiência de longos anos dedicados ao esporte: “Sou ex-atleta, joguei vôlei durante muito tempo, inclusive pela UnB”, conta. “Eu era atacante de ponta, apesar de ser baixinha.”

Fora das quadras, continua a arremessar a bola com determinação: “Sou uma gestora muito rápida; eu meto a mão na massa”. E é com talento, trabalho e amor pela comunidade universitária que Márcia abraça questões complexas, como a falta de segurança no campus da Asa Norte, aterrorizado por um homicídio dentro de um laboratório do Minhocão em março; a precariedade de transporte na UnB, traduzida por filas imensas à espera de pouquíssimos ônibus; e a necessidade de obras estruturais para conter rachaduras, alagamentos e fiação deteriorada. Os problemas não lhe tiram o sono ou abalam seu excelente humor: “Meus colegas dizem que sabem quando eu chego à universidade, porque escutam a minha risada de longe. Sou muito tranquila mesmo”, diz.

A família criada em Brasília é outra fonte de alegria. Os pais vieram para a nova capital pouco depois da inauguração, em 1962, e voltaram ao Rio de Janeiro para que Márcia nascesse com mais segurança: “Eu só nasci lá”, esclarece a brasiliense convicta. “Meus dois filhos seguiram a área de [ciências] exatas na UnB”, alegra-se. Tomás, de 27 anos, faz mestrado em estatística no Rio, e Renata, de 23, termina o curso de engenharia florestal. O tempo livre da reitora é bem aproveitado. Márcia cuida da mãe, faz pilates e adora os domingos: “É meu dia de mexer no jardim”. Nesse hobby, tem a companhia constante do pequinês Bob e de Flor e Cristal, enormes cães adotados e dos quais ela não sabe o pedigree. Mas isso não importa.
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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017