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BEM-ESTAR | Malhação »

Mexa-se!

Modalidades recentes como slimfit, gymbox e bodyfit prometem chacoalhar o mercado e tirar da inércia quem não consegue se manter firme na aulas da academia

Rebeca Oliveira - Publicação:15/03/2017 10:10Atualização:16/03/2017 13:17
Todo mês de janeiro a cena se repete. Ávidos por um corpo perfeito, moradores do Distrito Federal lotam as academias da cidade. Há aqueles que pretendem tirar do papel as resoluções de fim de ano, os que querem aperfeiçoar as curvas para vestir o biquíni ou a sunga e ainda quem, diante de uma recomendação médica, decidiu redimir-se com as atividades físicas. O primeiro momento é de deslumbramento e animação. Mas nem tudo é frango, batata-doce e whey protein (a famosa proteína que ajuda no ganho de massa magra). É comum que parte do público se desmotive e, antes que o mês de março dê as caras, desista das modalidades que prometeram seguir rigorosamente.  

O marasmo e a falta de dinamismo são fatores que explicam o desestímulo no meio do caminho. Para combater esses argumentos, academias e estúdios da cidade têm se reinventado constantemente, propondo técnicas diferenciadas e novo olhar sobre os exercícios. “Contar calorias para decidir qual exercício fazer é algo ultrapassado. Queremos promover o bem-estar”, afirma Débora Flores, mestre em educação física e criadora do método slimfit, modalidade que tem entusiasmado o público feminino da cidade.
Débora Flores dá aulas de slimfit no estúdio que leva seu nome: 'A alta carga de exercícios faz com que a pessoa continue perdendo peso mesmo após o fim do circuito (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Débora Flores dá aulas de slimfit no estúdio que leva seu nome: "A alta carga de exercícios faz com que a pessoa continue perdendo peso mesmo após o fim do circuito

A mistura dos intensos cross training, musculação, treinamento funcional e ginástica localizada em aulas que nunca são iguais. Segundo ela, a alta carga de exercícios faz com que as adeptas continuem perdendo peso mesmo após o fim do circuito, como acontece nos treinos intervalados de alta intensidade (Hiit, sigla em inglês). Abdômen definido, braços afinados e pernas torneadas são alguns dos resultados práticos. Ao longo dos 10 anos que trabalhou como personal trainer em grandes academias da cidade, Débora percebeu que eram essas as atividades mais buscadas pelas alunas. Reuniu as quatro e criou o Studio Débora Flores, em julho de 2015.

Química industrial, Gabrieli Martin procurou o método por motivos menos óbvios do que se pode imaginar. Ela buscou a atividade depois de enfrentar um tratamento de câncer de útero, três anos após terminar a químio e a radioterapia, que deixaram marcas no corpo, na mente e na alma. “Quando entrei, estava acima do peso e com 36% de taxa de gordura corporal. Em um ano, baixei esse índice para 22%”, conta. “É uma aula coletiva, mas com característica de um personal. Estava desanimada e com estima baixa, mas as pessoas que estão no estúdio são do bem e ficamos amigas”, conta, resumindo a experiência redentora. Mais do que baixar os ponteiros na balança, Gabrieli encontrou no slimfit uma terapia. Hoje, ela também se tornou personal chef no segmento fit, com receitas leves divulgadas nas redes sociais, onde aparece sob a alcunha de Gabi Piquet.
Além da atividade física, Gabrieli Martin encontrou no slimfit uma terapia após o câncer no útero: 'Estava acima do peso e com 36% de taxa de gordura corporal. em um ano, baixei esse índice para 22% (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Além da atividade física, Gabrieli Martin encontrou no slimfit uma terapia após o câncer no útero: "Estava acima do peso e com 36% de taxa de gordura corporal. em um ano, baixei esse índice para 22%

Dividir o espaço de treino com outras pessoas também foi o atrativo para que o funcionário público Paulo Érico Júnior frequentasse as aulas de bodyfit da Academia Premiere, há cinco meses. Cansado de passar horas na esteira, optou pela atividade que casa o treinamento funcional com movimentos de lutas para auxiliar na guerra contra o efeito sanfona. Com a dieta em dia, os resultados não demoraram a aparecer. “Nesse curto período perdi 18 kg”, conta. Aos 41 anos, Júnior também teve notável melhora na qualidade de vida e, tão importante quanto vestir aquele jeans antigo, foi voltar a fazer atividades banais como subir escadas com muito mais facilidade.

Segundo o personal trainer William Vianna, é comum haver uma empolgação com a modalidade por conta da grande exposição midiática do MMA (sigla em inglês para artes marciais mistas), de onde despontam atletas nacionais de alto padrão, como o manauara José Aldo. “Porém, usamos apenas os movimentos dos esportes, como o boxe e o muay thay. Não há confronto entre os alunos”, explica Vianna.
Para o personal trainer William Viana, não se deve confundir o bodyfit com MMA: 'Usamos apenas os movimentos dos esportes, como o boxe e o muay thay. Não há confronto entre os alunos' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Para o personal trainer William Viana, não se deve confundir o bodyfit com MMA: "Usamos apenas os movimentos dos esportes, como o boxe e o muay thay. Não há confronto entre os alunos"

Popularidade, aliás, é o que tem feito com que aulas de ragga dancehall e reggaeton se multipliquem nos centros de dança da capital. Em parte, essa procura se justifica pela grande quantidade de artistas que apostam na envolvência dos ritmos latinos para fazer sucesso com batidas pop. “O ragga dancehall atinge pessoas que têm pouca experiência com dança porque os movimentos são mais simples”, explica Carol Newman, diretora do Backstage Dance Center, um dos locais onde é possível remexer – e emagrecer até 800 calorias por hora – embalado pelos sucessos do momento. Tudo isso treinando a coordenação motora.

Contagiada pela energia da sonoridade, a estudante de psicologia Luísa Mendonça matriculou-se há um ano na turma. Os conceitos vão além da simples relação com a dança.  “Deparei-me com esse estilo nas redes sociais e notei que ultrapassa a ideia do emagrecimento. Aqui há lazer, diversão e respeito”, diz. Dança que traz o conceito fit no nome, o balé fitness continua lembrado, embora tenha vivido o auge há dois anos. “Ele tem elementos que o diferem do balé clássico. São movimentos de força com várias repetições”, explica Carol. Em alta, encontra-se ainda o fitdance, que ensina coreografias nos moldes das aulas conhecidas por “aero Bahia” nos anos 1990. E a atividade pode, de fato, quebrar qualquer barreira do que se espera dela.
 
Luísa Mendonça faz dança há um ano na Backstage: segundo ela, o ragga dancehall ultrapassa a ideia de emagrecimento. 'Aqui há lazer, diversão e respeito', diz (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Luísa Mendonça faz dança há um ano na Backstage: segundo ela, o ragga dancehall ultrapassa a ideia de emagrecimento. "Aqui há lazer, diversão e respeito", diz
Essencial para que alguns alunos se mantenham determinados a seguir a rotina de exercícios, a coletividade é marca de outro espaço que abriu as portas no DF em 2017. Trata-se do Studio Integrado Mormaii Fitness, franquia da marca presente no segmento de restaurantes e vestuário. O burburinho se deu, principalmente, por conta do aparelho V12, uma superfície que gira 360 graus sob uma base que se move em 180 graus. Coordenador do espaço, Rodrigo César Koehler conta que é possível fazer mais de 200 movimentos no V12. À primeira vista, o aparelho lembra o skate e o surfe. “Posso trabalhar mobilidade do quadril, tronco, abdômen. Depende do interesse de cada um”, diz. Um dos sócios, Frederick Nunes explica que a diferença entre o estúdio e a academia convencional é o atendimento máximo de seis alunos por aula: “Muita gente cansou de ‘puxar ferro’ e quer qualidade de vida em vez da musculação.”
Rodrigo Koehler mostra o aparelho para exercício funcional da Mormaii: com ele é possível fazer mais de 200 movimentos  (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Rodrigo Koehler mostra o aparelho para exercício funcional da Mormaii: com ele é possível fazer mais de 200 movimentos

Se, por um lado, é cada vez maior a quantidade de pessoas interessadas em atividades em conjunto, por outro, cresce a procura por aulas personalizadas. No crosstraining convencional (conhecido também por crossfit), as aulas são feitas em um box próprio e em pequenos ou grandes grupos. Dado o esforço da modalidade, dificilmente viam-se pessoas com mais de 60 anos entre os participantes. Faltava uma democratização no acesso da atividade, moda que parece longe de acabar. Henrique Pereira, da academia Evolve, criou o gymbox e ampliou as possibilidades. No método, o treinamento em circuito é feito de maneira individual e se encontra com o funcional, livre para todas as idades. “As academias não deveriam ser encaradas como local somente para gente jovem, bonita e sarada”, afirma.
Henrique Pereira, da Evolve, que criou o gymbox, método de treinamento individual para todas as idades: 'As academias não deveriam ser encaradas como local somente para gente jovem, bonita e sarada' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Henrique Pereira, da Evolve, que criou o gymbox, método de treinamento individual para todas as idades: "As academias não deveriam ser encaradas como local somente para gente jovem, bonita e sarada"

A aposentada Catarina Pompeu é uma das frequentadoras do espaço e faz valer essa máxima. Vai acompanhada de um personal para lá de especial, o filho Rafael Pompeu, professor de educação física. “Estava obesa e costumo dizer que sou a rainha das lesões. Tenho lesão por esforço repetitivo, inflamação nos cotovelos e cisto nos joelhos. O exercício me ajuda a conviver com a dor”, conta. “Agora é a revanche e é Rafael quem me bota de castigo”, diverte-se Carolina. O treino começou há pouco mais de um ano, quando prometeu perder peso para o casamento do filho. “Estava sem tempo e quase não nos víamos quando minha mãe me pediu para treiná-la. Ela estava com gordura no fígado, que poderia evoluir para um câncer. Em nove meses, perdeu 13 kg. Ter as restrições respeitadas certamente foi um estímulo para que ela não desistisse”, diz o profissional.  A família Pompeu, como tantas outras, levanta a bandeira de que o exercício físico não se restringe à corrida atrás de um corpinho bonito. É um estilo de vida. 
O professor Rafael Pompeu com a mãe, Catarina, no crossfit individual da Evolve: 'Ter as restrições respeitadas certamente foi um estímulo para que ela não desistisse', diz ele   (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
O professor Rafael Pompeu com a mãe, Catarina, no crossfit individual da Evolve: "Ter as restrições respeitadas certamente foi um estímulo para que ela não desistisse", diz ele
 
O QUE HÁ DE NOVO
Conheça algumas novidades da malhação nas academias de Brasília

GymBox

Onde: Evolve GymBox
Quando: de segunda a sexta, das 6h às 23h; sábado, das 6h às 18h; e domingo, das 9h às 14h
Quanto: R$ 120 (mais taxa de adesão)
O que é: termo criado por Henrique Pereira, um dos sócios da Evolve, consiste em treinamento de força e um box iguais ao que se pratica cross training, mas dentro da academia
Bom para: ganhar massa muscular %u2028e perder peso

BodyFit
Onde: Premiere Fitness
Quando: segunda e quarta, às 19h30
Quanto: a atividade faz parte das aulas oferecidas no pacote da academia, que também dá acesso as áreas de musculação e de exercícios aeróbicos, com preços entre R$ 239 (plano bianual) e R$ 349 (mensal)
O que é: aula de 50 minutos para 8 a 12 pessoas, trata-se de uma mistura de treinamento funcional e movimentos de lutas (como socos e chutes, ao moldes de boxe e muay thay, mas sem confronto entre os alunos). Diferentemente da musculação, não tem repetição de exercícios
Bom para: intensa queima calórica (pode-se eliminar até 800 kcal) e o fortalecimento da região do core, a que engloba abdômen e lombar

SlimFit
Onde: Studio Débora Flores
Quando: de segunda a sábado, das 7h às 20h30
Quanto: de R$ 675 a R$ 1 mil
O que é: com turmas de até oito alunas, une crossfit (que empresta a característica da intensidade), musculação (em que se trabalha a segurança), treinamento funcional (quando se usa o peso do corpo para os exercícios) e ginástica localizada, com dinamismo como ponto alto. As aulas podem ser feitas até três vezes por semana
Bom para: emagrecimento, bem-estar, autoestima, definição muscular e, principalmente, motivação

Ragga dancehall, balé fitness e fitdance
Onde: Backstage Dance Center
Quando: de segunda a sexta, das 9h às 22h; e sábado, das 9h às 18h
Quanto: De R$ 199 (plano anual) a R$ 209 (mensal)
O que é: as aulas acontecem uma ou duas vezes por semana. Além do ragga dancehall, do balé fitness e do fitdance, outras 17 modalidades ocupam as enormes salas do espaço
Bom para: perder calorias e emagrecer
 
Equipamento V12

Onde: Studio Integrado Mormaii Fitness
Quando: segunda, quarta e sexta, das 6h30 às 20h30; e terça e quinta, das 7h às 21h30
Quanto: entre R$ 186 (uma vez por semana) e R$ 420 (quatro vezes por semana)
O que é: superfície que gira em 360 graus sob uma base que se move em ângulo de 180 graus). As aulas de 50 min a 1h de duração englobam pilates, Five (método alemão de treinamento)
Bom para: boa mobilidade da coluna e quadril, treinamento funcional e cardiovascular
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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017