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O carro autônomo cada vez mais próximo

Montadoras e empresas de tecnologia se unem para viabilizar o lançamento dos chamados veículos autodirigíveis a partir de 2021

Fábio Doyle - Publicação:08/05/2017 15:38

A corrida do momento na indústria automobilística é a do carro autodirigível, ou autônomo, como chamamos no Brasil os veículos que dispensam motorista humano. O instituto de pesquisa Navigant Research, dos EUA, acaba de divulgar relatório em que aponta Ford, General Motors, Renault-Nissan e Daimler como as “mais bem posicionadas em direção ao sucesso  do carro autônomo no futuro”. Com os “bolsos cheios” e décadas de experiência, os fabricantes de automóveis lideram a corrida que pretende viabilizar técnica e economicamente o lançamento comercial de veículos autônomos, segundo o relatório da Navigant, divulgado no início de abril. E, entre todas, as marcas Ford, General Motors, Renault-Nissan e Daimler são as que estão mais preparadas para essa nova realidade no campo da mobilidade.

 

O relatório avaliou 18 fabricantes de automóveis, fornecedores e empresas de tecnologia, e os ranqueou com base em suas estratégias de desenvolvimento e execução de seus planos até agora. As quatro marcas líderes desenvolveram sistemas de assistência ao motorista de capacidade avançada para uso comercial, apresentaram planos detalhados sobre as tecnologias futuras e avançaram em direção a essas metas com parceiros estratégicos e investimentos.

 

Sob o comando do CEO Mark Fields, a Ford acelerou fundo em direção à tecnologia autônoma. A montadora investiu no fabricante de sensores Lidar Velodyne, em mapas digitais e na empresa de tecnologia artificial Argo Al, além de haver adquirido o aplicativo de caronas remuneradas Chariot. Em janeiro, Fields disse que a empresa iria investir 700 milhões de dólares em sua linha de montagem de Flat Rock, no estado de Michigan, para desenvolver o “Nível 4” de veículos autônomos, que requer intervenção humana em determinadas situações. A Ford planeja iniciar a operação de seu sistema de mobilidade e transporte autônomo em 2021.

A aposta da Ford: montadora americana testa unidade do Fusion autônomo em rua de Dearborn, Michigan  (Divulgação)
A aposta da Ford: montadora americana testa unidade do Fusion autônomo em rua de Dearborn, Michigan
 

A General Motors tem também feito esforços relevantes similares ao da Ford. Está investindo na empresa de carona remunerada Lyft e comprou a startup de direção autônoma Cruise Automation. O recentemente lançado Chevrolet Bolt foi escolhido como o modelo ícone da GM para a mobilidade autônoma, segundo a CEO Mary Barra. Os testes começam nas estradas de Michigan ainda neste ano.

 

A aliança franco-nipônica Renault-Nissan lançou no Japão, em 2016, a tecnologia Adas, que mantém o carro autodirigível em sua faixa de rolagem nas rodovias, e deverá passar a utilizar a solução nos Estados Unidos, na segunda geração do Nissan Leaf. Os planos do chairman da Nissan, Carlos Ghosn, são de iniciar a produção do veículo autônomo em 2020.

 

O fabricante alemão de carros de luxo Daimler concentrou esforços na tecnologia Adas, apresentando sistemas autônomos similares ao Autopilot da Tesla nos Mercedes-Benz classe S e E. O principal esforço do grupo alemão na busca da mobilidade autônoma é com seu fornecedor Robert Bosch, com quem irá desenvolver um sistema que permitirá a implantação de um serviço de táxi autônomo já no início da próxima década.

O recentemente lançado Chevrolet Bolt: escolhido como o modelo ícone da GM para a mobilidade autônoma (Divulgação)
O recentemente lançado Chevrolet Bolt: escolhido como o modelo ícone da GM para a mobilidade autônoma
 

As empresas trabalham em conjunto para o desenvolvimento de um software autônomo tendo por meta operar no nível 4 (que não necessita da intervenção humana em situações definidas) e Nível 5 (que elimina completamente a necessidade de um motorista humano) em veículos autônomos em áreas urbanas, informa a Bosch. O projeto prevê um serviço que permitirá aos clientes solicitar táxis autônomos por meio do telefone celular dentro de uma área predeterminada. 

 

A Daimler já trabalha há algum tempo para se inserir no setor de caronas remuneradas. Em janeiro, o fabricante divulgou que pretende fornecer modelos com tecnologia autônoma para o Uber, embora a Daimler tenha declarado que irá desenvolver sua própria tecnologia.

 

A Bosch faz também parceria com empresas para chegarem aos veículos autônomos. Em março, ela informou que trabalha com o fabricante de chips Nvidia no desenvolvimento de um supercomputador para dar sustentação ao sistema de direção autônoma. Apesar de o prazo marcado pela Daimler e Bosch para tornar essa solução, que hoje pode parecer ficção científica, ser o início da próxima década, essa nova realidade pode acontecer antes. “Assim que possível”: é o verdadeiro deadline. Quanto antes melhor, até para surpreender a concorrência.

 

Nissan Leaf é fruto da parceria com a Renault: produção do autônomo começa em 2020 (Divulgação)
Nissan Leaf é fruto da parceria com a Renault: produção do autônomo começa em 2020

BMW, Volvo Cars, grupo Volkswagen, grupo Hyundai Motor, Tesla, PSA e Toyota Motor estão logo abaixo dos líderes nesse ranking. O braço autônomo do Google, Waymo,  os fornecedores ZF e Delphi também estão em segundo plano entre os que participam dessa corrida. O que separa essas companhias dos líderes, de acordo com a Navigant, é a falta de parcerias, investimentos e confiança do consumidor, fatores que podem ser facilmente alterados à medida que essas tecnologias são desenvolvidas e decisões futuras anunciadas.

 

Honda, Uber, o startup de direção autônoma NuTonomy e a empresa de tecnologia chinesa Baidu estão no fim dessa fila. Essas companhias carecem de uma estratégia clara de desenvolvimento e de testes práticos da tecnologia em estradas públicas adequadas, afirma o relatório. A Uber, em particular, tem um desafio difícil pela frente. Em fevereiro, a Waymo abriu processo legal contra a companhia, alegando que um de seus contratados roubou seu projeto de sensor Lidar. A mesma Waymo exige, diante dessa alegação, que a Uber interrompa suas operações de direção autônoma, uma atitude que poderá, se não obstruir, pelo menos causar grande desaceleração nos esforços da companhia em direção à mobilidade autônoma.

 

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EDIÇÃO 59 | novembro de 2017