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Capital da corrida: Brasília serve de cenário para apaixonados pelo esporte

Com um calendário anual marcado por diferentes competições de rua, saiba como se preparar para ter os melhores resultados

Jéssica Germano - Redação Publicação:29/08/2017 10:00Atualização:29/08/2017 11:16

Há quem diga que é pela tal sensação do depois, quando o alívio e o sentimento de dever cumprido tomam conta do corpo, em forma de endorfina. Há quem insista no lado terapêutico que a modalidade carrega, ao colocar você diante de você mesmo, em uma competição – suada – de superação diária. O que faz uma pessoa enveredar pelo mundo da corrida, onde planilha de treinos e dedicação à risca são a regra, e não exceção, é difícil delimitar ao certo. Mas, na era do sedentarismo global, Brasília volta a mostrar seu potencial para atividades físicas e abre seus eixos para atletas profissionais e amadores cada vez mais apaixonados pelo cruzar da linha de chegada no melhor tempo.

 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
 

Com clima propenso boa parte do ano – já que a quantidade de chuva é menor por aqui –, não faltam adeptos para aquele que é considerado o mais democrático dos esportes. Afinal, um (bom) par de tênis e vontade de correr costumam ser suficientes para dar os primeiros passos. Mas pode-se ir muito além. Variáveis como estrutura corporal, pisada, alimentação e terreno adequado costumam ser apenas alguns dos fatores a influenciar um resultado positivo no cronômetro final. Assim, começar a correr bem embasado por profissionais da saúde e do esporte tem se mostrado o melhor caminho para seguir pela atividade por anos, sem o temido fantasma das contusões, naturais em modalidades de alto impacto.

 

O médico do esporte e nutrólogo Leandro Vaz é
também um praticante e já correu sete Ironman,
16 maratonas e três ultras: 'Não dá para 
começar a treinar sem ter um plano alimentar
correto' (André Violatti/Esp. Encontro/DA Press)
O médico do esporte e nutrólogo Leandro Vaz é
também um praticante e já correu sete Ironman,
16 maratonas e três ultras: "Não dá para
começar a treinar sem ter um plano alimentar
correto"
 Além de médico do esporte e nutrólogo, Leandro Vaz é um exemplo da atividade física como estilo de vida. Com um currículo que esbanja sete Ironman (maior competição de triatlo do mundo), 16 maratonas e três ultras, ele vive na rotina os benefícios de bem-estar. É por conhecer de perto a prática que ele frisa alguns cuidados: “Independentemente da distância que a pessoa vá correr, o mais importante é um check-up cardíaco e também ortopédico”, diz o especialista, lembrando que sem nenhuma investigação, com o aumento natural de volume da corrida, o risco de se machucar cresce proporcionalmente. O segundo passo é ir em busca de uma alimentação equilibrada. “Não dá para começar a treinar sem ter um plano alimentar correto”, frisa. “A pessoa corre o risco de passar mal, não terminar bem os treinos ou prova e ficar frustrado.”

 

Em se tratando de Brasília, o clima seco também entra como ponto de atenção. Esta época costuma ser o período mais crítico para quem está começando e merece cuidado dobrado com a hidratação, segundo Vaz. “A pessoa pode achar que está com falta de ar e ser o clima, ou também o contrário.” Por isso a recomendação de ter sempre um acompanhamento inicial e manter uma visita periódica anual a um profissional da área, para ir renovando as metas conforme o condicionamento. Muitos dos benefícios relacionados à prática já são amplamente difundidos. O alerta fica por conta do volume de exercícios. “A atividade física hoje em dia é muito importante. Ajuda a regular o sono, o intestino, a combater o estresse. Mas se for feita de maneira errada pode piorar os quadros e criar mais um estresse no seu corpo, quando deveria ser o contrário”, afirma Vaz.

 

“A maioria das pessoas pensa em começar a correr para se preparar fisicamente e, na verdade, o ideal seria se preparar fisicamente para iniciar uma corrida.” Quem faz a consideração é o educador físico Pedro Guimarães que, pela especialização em treinos de força, prescreve séries aliando musculação com exercícios aeróbicos em academias como a Club22. O ponto ideal de partida, segundo ele, seria cuidar das musculaturas que acabam ficando encurtadas no dia a dia das rotinas mais sedentárias. “No início, os trabalhos de correção são muito mais interessantes do que de fortalecimento propriamente dito”, explica. A partir disso, avaliando a característica de cada pessoa, é que são passados os treinamentos aliando as duas frentes, que acabam sendo complementares para o desempenho do atleta. “Além de a pessoa melhorar a condição cardiovascular por meio do cárdio, conseguimos melhorar também a condição muscular por meio da musculação”, afirma Pedro. Nesses casos, o descanso entra como aliado na parte fundamental para recuperação dos desgastes.

Segundo o educador físico Pedro Guimarães, o ponto de partida para correr é cuidar das musculaturas: 'No início, os trabalhos de correção são muito mais interessantes do que de fortalecimento propriamente dito' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press )
Segundo o educador físico Pedro Guimarães, o ponto de partida para correr é cuidar das musculaturas: "No início, os trabalhos de correção são muito mais interessantes do que de fortalecimento propriamente dito"
 

E mesmo aqueles já acostumados ao ambiente de academia, para quem pretende enveredar pela corrida frequente, o ideal mesmo é evitar a esteira. “Quando se trata de corrida de rua, nada mais interessante do que a pessoa treinar na rua”, diz Pedro, lembrando que as muitas tecnologias dos aparelhos, hoje, acabam alterando o amortecimento real quando o pé toca o chão. É esse tipo de esclarecimento que ele dá nas consultorias da clínica Metafísicos, onde exerce uma assessoria demonstrativa, via e-mail e WhatsApp.

 

No mundo das corridas desde 1995, Rogério Aviani transformou em profissão o esporte que adotou ainda jovem. Especializado em triatlo e corrida, ele montou há 10 anos a assessoria Go Run, que com uma estrutura física com direito a carro de apoio, banquinhos e até itens para hidratação, auxilia corredores em treinos no Parque da Cidade e em alguns trechos do Lago Sul. A partir de uma entrevista prévia, onde são analisados exames e o atual condicionamento físico dos interessados, o técnico passa treinos conforme a meta do corredor, seja ele principiante seja avançado. “Tem iniciante que o treinamento é só caminhar”, exemplifica uma das atividades que entra nas planilhas com frequência de três a seis vezes por semana, em planos a partir de 165 reais.

Especializado em triatlo e corrida, Rogério Aviani prepara iniciantes e atletas para a prática do esporte: 'Como técnico, não tenho interesse que o atleta ganhe uma medalha se for sacrificar a saúde' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Especializado em triatlo e corrida, Rogério Aviani prepara iniciantes e atletas para a prática do esporte: "Como técnico, não tenho interesse que o atleta ganhe uma medalha se for sacrificar a saúde"
 

A variação de volume e intervalo, a partir da individualidade biológica de cada pessoa, é o que determinará a segurança do esporte, segundo Aviani. “Como técnico, não tenho interesse que o atleta ganhe uma medalha se for sacrificar a saúde. Por isso a parte psicológica é muito importante”, destaca. “Executar a tarefa não quer dizer que você está apto para fazê-la. Não dá só olhar para o fôlego”, diz ele, com experiência de mais de duas décadas.

 

O ortopedista Bruno Rezende aproveita para destacar um fator cultural, comum a maioria das pessoas: “Tradicionalmente, procuramos ajuda médica depois da lesão instalada, após um período sentindo dor. Mas o ideal é realizar um trabalho de prevenção das lesões”, afirma. Em especial na corrida, algumas contusões tendem a ser bastante frequentes, em particular nas regiões de quadril, joelho, coluna lombar e tornozelo. “Isso porque a cada salto seguido de aterrisagem, nossas articulações de membros inferiores recebem de quatro a seis vezes o peso do corpo”, explica o médico da Arthros Ortopedia. Ainda assim o especialista afirma que, quanto mais cedo os erros cometidos forem corrigidos, e a atividade passe a ser bem orientada, a prática tende a ser cada vez mais duradoura e segura. “Prevenir é melhor que remediar sempre”, diz.

Para o ortopedista Bruno Rezende é preciso ter muito cuidado para evitar as lesões e não esperar que elas aconteçam para procurar ajuda profissional: 'Prevenir é melhor que remediar sempre' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Para o ortopedista Bruno Rezende é preciso ter muito cuidado para evitar as lesões e não esperar que elas aconteçam para procurar ajuda profissional: "Prevenir é melhor que remediar sempre"
 

Foi percebendo a adesão cada vez maior de brasilienses à modalidade que o Instituto Cure inaugurou há quatro meses o Biometric Lab. No centro de avaliação, treinamento e performance, localizado no Lago Sul, é possível fazer uma análise biomecânica computadorizada completa da corrida e identificar possíveis fatores de riscos relacionados à lesão. “Pelos estudos, nós sabemos que mais de 50% dos corredores já tiveram ou vão ter lesões e que, de mais ou menos seis em seis meses, eles irão se lesionar. É uma taxa de reincidência muito alta”, comenta Arthur Lepesqueur, educador físico e especialista em biomecânica da corrida e pilates.

 

É com o foco de preparar atletas para que otimizem seus resultados e previnam machucados que a clínica oferece exames como o Runner Test, que estuda desde a descarga de peso que o indivíduo dissipa até o tipo de pisada que tem, passando pelo desempenho de cada músculo utilizado ao correr. “Quanto mais intenso for o exercício, mais suscetível a lesões o atleta está. Saber a zona cardíaca de trabalho dele, por exemplo, não só vai prevenir lesões, como irá otimizar o emagrecimento e aumento do condicionamento físico”, diz o profissional, citando outra análise presente na avaliação de cerca de duas horas que fazem.  

 

PELO MUNDO 

 

Não seria exagero dizer que a vontade inicial de Valentine Carvalho correr nasceu atrelada ao lado lúdico. Quando decidiu que correria seus primeiros 10 km, o destino da prova já estava definido: a Disney. Com diferentes provas e tamanhos de percurso, o parque temático serviu de largada para a rotina que já soma quatro anos, acumulando recordes pessoais e diferentes carimbos no passaporte. “Desde que comecei, eu me viciei”, declara, relatando uma das sensações mais comuns entre os adeptos passionais do esporte. “Hoje, grande parte das minhas viagens gira em torno de corrida”, conta ela, que se prepara para correr sua sexta maratona, na Patagônia (Argentina). Depois dessa, e com já 13 meias maratonas realizadas, ela quer alcançar a meta conhecida por Six Majors. O título reúne as principais seis competições de 42 km do mundo. Três ela já fez: Nova York, Chicago e Boston. Estão na lista para serem completadas Londres, Tóquio e Berlim, e não devem demorar. “Na hora que eu falei que queria, fui atrás”, diz a estudante de nutrição, deixando aparente a relação de dedicação que mantém e inclui planilha de treinos, dieta e descanso. “Minhas sextas-feiras são resumidas em comer um bom prato de massa, dormir cedo e acordar no sábado às seis da manhã e correr. Já virou um estilo de vida para mim.”

 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
 

CABEÇA FRIA 

 

Nem por saúde, nem por estética. Quando optou pela corrida como atividade física, há 10 anos, o intuito de Bernardo Antunes sempre foi o bem-estar que sentia durante as execuções. “Para mim, a grande diferença da corrida é a saúde mental, o que ela faz com nossa cabeça. Chego, aqui, com 500 milhões de problemas que a vida traz naturalmente e quando eu termino estou zerado, com a cabeça limpa e começando o dia bem.” Foi só quando decidiu fazer a maratona de Buenos Aires, em 2016, que o publicitário entendeu como os outros fatores andam alinhados. “Eu estava zero preocupado com qualquer questão de rotina de alimentação e obviamente não me saí como o esperado”, lembra. Empenhado em correr em Chicago este ano, ele começou no ano passado a se preparar com respaldo nutricional. Em pouco mais de três meses eliminou 18 quilos e ganhou performance. “A estética veio na sequência”, observa ele, que recomenda a qualquer corredor um suporte de assessoria, como o que adotou há três anos. “A questão da variação de treino é de extrema importância para a evolução e também para evitar lesão. Ninguém corre para se machucar”, diz. As facilidades de espaço que Brasília oferece também entram como bônus nesse cenário. Bernardo lembra, por exemplo, das muitas trilhas próximas a Sobradinho: “Não se resume ao Plano”.

 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
 

SUPERAÇÃO PESSOAL 

 

Para Daniela Magalhães, a atividade física esteve sempre na prateleira da obrigação, nunca do prazer. Foi depois de ter o seu segundo filho e sofrer preconceito pelo sobrepeso de 22 quilos que se interessou pela corrida, paralelamente à rotina penosa de academia. Depois de completar sua primeira prova de 6 km, ela adotou o esporte de forma mambembe. “Eu fiz o que a maioria dos corredores faz: coloquei o tênis e fui para rua. Mas eu comecei a me machucar porque ainda tinha excesso de peso”, conta sobre o período que começou com um diagnóstico de canelite e seguiu com lesões no joelho e na panturrilha. Foi só após buscar ajuda de uma assessoria esportiva e alinhar alimentação, corrida e pilates com treino educativo que ela ganhou performance e começou a ver os resultados mais a longo prazo. “Começamos meio que na brincadeira, mas depois passamos a entender que o corpo responde bem ao estímulo. E isso é viciante”, diz Daniela, que conseguiu eliminar todo o peso ganho na gestação e baixar ainda mais o número na balança. “A sensação que a corrida proporciona é algo libertador. É uma superação pessoal”, define a servidora pública de 36 anos, que hoje leva a corrida na mala para aonde quer que viaje. “É uma atividade que você leva para onde for.” 

 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
 

ESCOLHA DE VIDA 

 

 

Ao todo são 24 anos de competições de triatlo, uma classificação para o principal Ironman do mundo e muitas lesões. Ainda assim Vicente (Viça) Saraiva (treinando na esteira, com o educador físico Arthur Lepesqueur), de 39 anos, nunca cogitou parar as corridas aliadas a natação e bicicleta em definitivo. “Lido com uma lesão no quadril há quatro anos que é irreversível”, conta, sobre o estado que o levou a procurar tratamentos paralelos, como pilates, musculação terapêutica e treinamento funcional, para não ser operado e continuar se exercitando. “Está funcionando”, garante, deixando clara a intenção de não parar tão cedo. “Gosto de correr. Mas só gosto de correr depois que pedalo, e só pedalo depois que nado. É o conjunto dos três”, explica a filosofia pessoal. “Acho que só vou conseguir parar quando não der mais”, declara. Mas ele garante que, se teve algo que aprendeu nesses mais de 20 anos, foi a respeitar o próprio corpo. “Ele dá sinais de que alguma coisa não está legal”, diz, após ter completado, pela primeira vez sem contusões, o ciclo de treinos para fazer 3,8 km nadando, 180 km pedalando e 42 km correndo na seletiva latino-americana de Florianópolis. Prova essa que lhe garantiu a ida para o Ironman no Havaí, em 2018, referência-mor para atletas de ponta. “Temos um perfil de muita superação”, diz. 

 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
 

ANOTE AÍ!

25 corridas previstas para acontecer em Brasília ainda neste ano

03/09: Progressive Race 3ª etapa

03/09: 3ª Corrida do Profissional de Educação Física

09/09: Cross Parques – Etapa Verde Claro | II Desafio Cross UnB

17/09: Corrida Oba Brasília 2017

23/09: Night Run 2017 – Etapa Blue

24/09: The Color Run Dreams

01/10: 21k | Etapa Pirenópolis

08/10: Corrida e Caminhada Feminina McDonald’s 5k 2017

15/10: Magic Colors Run Series

21/10: Circuito Águas Abertas | Etapa 2

21/10: Cross Parques | Etapa Laço Rosa

22/10: Aliança pela Vida | Corrida contra o câncer

22/10: Bravus Race 2017 | Speed Brasília 2ª etapa

29/10: Asics Golden Runs 2017

05/11: Copa Brasília de Triathlon| Etapa 4

05/11: Caixa Wine Run

05/11: Corrida Pão Dourado

11/11: Cross Parques | Etapa Laço Rosa | III Desafio

12/11: BSB City Half Marathon

19/11: Corrida Mulher Maravilha

26/11: 21k | Etapa Taboquinha

26/11: CBCR | Etapa República

26/11: Maratona Ecocross

03/12: Circuito de Corridas Caixa

10/12: Circuito das Estações | Etapa Verão 

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EDIÇÃO 59 | novembro de 2017