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Mercado quente: empresários da cidade apostam em novos negócios

Mesmo com a economia ainda patinando, empresários do setor arriscam e abrem novos negócios na capital

Jéssica Germano - Redação Publicação:26/09/2017 16:41Atualização:26/09/2017 17:32

Não há números oficiais, mas, independentemente de levantamentos das associações do setor, a movimentação no ramo alimentício ao longo dos eixos do avião e regiões administrativas do entorno de Brasília é nítida. Contrabalanceando os altos índices de fechamento de casas nos últimos anos, a cidade toma fôlego e responde à altura a avidez do público por boas-novas na gastronomia. De padaria com técnicas firmadas na tradição francesa ao queridinho hambúrguer do momento, não faltam opções para novas experiências. “Muitas casas abriram e continuam abrindo”, observa Jael Santana, presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes do Distrito Federal (Sindhobar). “É sinal de que o mercado já está em recuperação”, diz. Seis desses novos negócios que ousaram abrir as portas nos últimos três meses têm em comum o fato de serem muito  procurados pela clientela brasiliense e causarem burburinho nas redes sociais.

 

Um deles é o TAJ. Foram quatro anos de concepção até a abertura de portas do grandioso projeto à beira do lago, por exemplo. Com capacidade para até 530 pessoas em pé, distribuídas em 1.500 m², a mistura de restaurante e bar é resultado de uma empreitada bem pensada do casal Débora e Rossano Araújo. Depois de atuar 20 anos na área de tecnologia da informação, Débora estava decidida a enveredar pelo caminho do entretenimento. Foi quando, durante uma viagem a Curitiba, conheceu a estrutura do lounge bar com influência asiática. Após anos de negociação com os donos da marca e a locação no Clube de Engenharia, a novidade chegou a Brasília já com fila de espera. “Foi uma estratégia que deu certo”, conta a empresária, levando em consideração algumas adaptações ao perfil brasiliense.

 

Na comercial da 403 Norte também há safra de aberturas. Pela vitrine quadrada, sem muitos adornos, é possível entender um pouco o conceito que o francês Benôit Rataboul tentou explorar na Cardabelle Padaria. Após uma década trabalhando com panificação e com diploma recém-adquirido em gastronomia, o mestre boulanger quis explorar técnicas francesas e ingredientes brasileiros para apresentar resultados que são verdadeiras joias comestíveis, bem ao estilo Pierre Hermé, da França. Para isso lançou mão do cuidado na apresentação e na inovação. Ao todo são 12 tipos de pães, que se somam a um menu com cerca de 40 produtos, passeando por sanduíches, quiches e saladas.

 

A ideia nunca pairou por receitas mirabolantes. Quando abriu as portas do Café e um Chêro no fim de julho, o intuito de João Gabriel Amaral era razoavelmente simples: “Eu queria fazer comida da minha casa”, lembra o brasiliense criado em uma pequena cidade do Maranhão. Do coração do Nordeste, onde passou a maioria das férias, o jovem trouxe as referências que o embalam até hoje em memórias gustativas à mesa. Ao lado da mãe, Alba, eles abriram o café na 109 Norte, que funciona tanto para um desjejum com gosto de fazenda quanto para um lanche da tarde com quitutes frescos. Nessa última seção, aliás, estão alguns dos sucessos do endereço, que combinam preparos da matriarca da família com um detalhe final.

 

Na 404 Sul, o gastropub Cão Véio, idealizado pelo masterchef Henrique Fogaça, iniciou sua operação brasiliense sob o mesmo conceito da pioneira unidade paulista: petiscos e hambúrgueres assinados pelo chef, decoração canina e rock de trilha sonora. Os indicados ao posto de carro-chefe também não variam muito. Bem aceito por aqui, o Bruto traz combinação de blend bovino, queijo gruyère, bacon e pepino doce com mostarda dijon no pão brioche. Fixada na produção artesanal dos ingredientes, a parte de comidinhas já teve reforço e recentemente ganhou a companhia do menu executivo de almoço, pelo qual é possível experimentar pratos como o risoto de carne seca e queijo coalho com gengibre, a R$ 49, com entrada e sobremesa do dia.

 

Já a decoração despojada com toques retrôs, é o cenário da nova operação da 403 Sul, que recentemente ganhou uma filial da hamburgueria The Black Beef. Capitaneado pelos jovens Guilherme Silva, Cassio Aguiar, Frederico e Gustavo Leal, o Contê chegou com a proposta de mesclar cardápio variado – com opções para dividir – e carta de drinques, que vão de autorais a clássicos. Para completar a ambientação, de quinta a sábado, as noites ficam mais descontraídas com DJs convidados. “Sem perder a pegada que nós somos um restaurante”, lembra Gustavo.

 

E a partir de outubro outra quadra da Asa Sul ganha reforço. Da parceria bem firmada entre o antigo Ancho – Bistrô de Fogo e a grife de carnes Beef Passion nascerá a nova hamburgueria da cidade: Ricco Burger. Antes comandada pela chef Renata Carvalho (também Loca como tu Madre), o endereço da 306 agora terá as parcerias do produtor de festas Rick Emediato e do empresário de carnes Ricardo Sechis para se tornar um burger bar. A proposta fica completa com o cardápio de bebidas, incluindo um refrigerante orgânico feito por Renata, e espaço para eventos, à la hamburgada. “Será para um público que não vai sentar apenas para comer um hambúrguer”, promete a chef.

 

COM AFETO

Das cerca de 100 pessoas que passam pelo Café e um Chêro diariamente, boa parte chega para experimentar o bolo de banana integral com calda de doce caseiro de fruta (R$ 7). “A base da comparação aqui é a memória”, afirma o proprietário, João Gabriel Amaral, ao lado da mãe, Alba Amaral, deixando clara a intenção por trás do menu, que chega até cuscuz e pão com carne de panela, e terá em breve pão de queijo com queijo coalho e rabanada.

 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
 

IMPONENTE E DESCOLADO

Com DJ todos os dias, o TAJ tem seus destaques na cozinha, ora com sotaque oriental, ora com pegada tailandesa-indiana, além de um bar exclusivo, que tem demanda três vezes maior do que da capital onde nasceu. Batizado de Pharmacy, a área de coquetéis é inspirada nas antigas farmácias da década de 1940, com direito a tubos de ensaio e provetas, e lança drinques como o Prozac, com vodca defumada, abacaxi, cordial de mel e tabasco (R$ 21,90). A estratégia deu certo, como afirma a empresária Débora Araújo.

 (Vinícius Santa Rosa/Esp. Encontro/DA Press)
 

INFLUÊNCIA BRASILEIRA

Entre os lançamentos que chamam a atenção na Cardabelle estão o pão da Bahia (R$ 12,80), com dendê e pasta de coentro na composição, o croissant brasileiro, recheado de paçoca doce (R$ 6,50), e o pão folheado com ricota (R$ 17,20). “Com a técnica tradicional de séculos, nós trabalhamos de forma inovadora”, comenta o padeiro Benôit Rataboul, que ficou dois anos afastado do mercado até investir no negócio próprio.

 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
 

MODELO DE IMPORTAÇÃO

As novidades não param no Cão Véio da capital federal. “Temos dois novos sanduíches em período de testes em São Paulo, que em breve estaremos servindo em Brasília também”, adianta Henrique Fogaça, que acompanha de perto o funcionamento via sistema de câmeras e por meio de visitas surpresas. “As pessoas, indiferentemente do estado ou região, gostam de sair para se divertir, comer bem e receber bom atendimento”, diz o chef, que tem Guilherme Lavoratti ,Pedro Freire e Leonardo Marinho como sócios em Brasília.

 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
 

SAINDO DO FORNO

Sob os mesmos preceitos de carnes vindas da chapa, o cardápio do Ricco Burger, parceria de Ricardo Emediato, Renata Carvalho e Ricardo Sechis, será enxuto, com cinco versões de sanduíche, sendo uma vegetariana, com cogumelos Portobello, e uma sugestão do mês, atualizada a cada 30 dias (todos na faixa de R$ 30).

 

A variedade, entretanto, se multiplica com os acompanhamentos, que podem servir ainda de petiscos, caso do nuggets de rabada, do steak tartar e das batatas rústicas com ervas e bacon.

 (Vinícius Santa Rosa/Esp. Encontro/DA Press)
 

BADALADO NA MEDIDA

Da cozinha do Contê, chefiada por William Oliveira (ex-Dudu Bar), chega o atum selado em crosta de gergelim com cuscuz marroquino (R$ 82 inteiro, ou R$ 56 na versão batizada de “minimalista”, para compartilhar). Já do bar, localizado na entrada da casa e comandado pelo mixologista Gustavo Guedes, o público pode provar criações como o Superb: gim, cointreau, chá preto de frutas vermelhas, hortelã, limão-siciliano, morango e amora combinados com gim tônica (R$ 27). A casa é uma empreitada dos sócios Guilherme Silva, Cassio Aguiar, Frederico e Gustavo Leal.

 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
  

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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017