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ESPECIAL VINHOS | INDICAÇÕES »

Cinco sommeliers indicam vinhos de até dois dígitos

Especialistas recomendaram, cada um, um branco, um tinto e um de livre escolha de até R$ 99*

Rebeca Oliveira - Publicação:24/10/2017 13:06Atualização:24/10/2017 14:18
* Preços praticados nas lojas
 

Há quem divida os consumidores de vinho em dois grandes grupos: os que o veem apenas como uma bebida e os que o defendem como um estilo de vida. Mesmo os que estão no segundo grupo sabem que os tempos estão bicudos na economia. Por isso mesmo, consultamos cinco especialistas da cidade e pedimos a cada um que recomendasse três rótulos de até dois dígitos – um tinto, um branco e um de livre escolha.

 

Difícil ficar indiferente diante deles. Àqueles que podem torcer o nariz para um tempranillo de 29,90 reais, Aldrick Muggler, da Adega Brasília, tem uma resposta pronta. Vinhos de menor custo devem ser tomados pelo que são: benfeitos, descomprometidos e incomparáveis. “É perfeitamente possível encontrar excelentes rótulos nessa faixa de preço. E um dos quesitos é o lugar onde se compra. Eu tinha uma loja enorme na Asa Sul. Encontrei um ponto menor, com menos custos operacionais e fixos. Assim, barateei o produto”, explica Muggler. A estratégia deu certo. Hoje, cerca de 75% do catálogo de quase 600 rótulos que a loja ostenta sai abaixo de 99 reais.

 (Pixabay )
 

Na World Wine BsB, os preços passeiam entre 1 mil e 29 reais. Marcos Rachelle, consultor da importadora, afirma que os vinhos que estão na última faixa de preço não têm qualidade inferior. Professor da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS) por oito anos, Rachelle diz que os mais procurados no estabelecimento custam entre 40 reais e 80 reais. A maioria vem da América do Sul. “Acordos de livre comércio fazem com que vinhos do Chile e da Argentina, por exemplo, sejam comercializados mais baratos em solo brasileiro”, assegura o profissional. Mas isso não impede que aqueles com Denominação de Origem Controlado (DOC), como italianos e espanhóis, apareçam entre as sugestões.

 

AS ESCOLHAS DE CYRO TORRES JÚNIOR

PROPRIETÁRIO DA BRILHO WINE & BISTRÔ

 

À frente da loja desde 1997, quando a casa hoje situada no Gilberto Salomão ainda funcionava na Feira dos Importados, Cyro Torres Júnior é sommelier formado pela ABS nacional e passou por instituições fora do país, como na Espanha. “Tenho mais de 150 feiras do segmento no currículo e já fui às maiores do mundo: Alemanha, Itália, Portugal, Argentina e França, por exemplo”, diz. “Hoje, o aumento na concorrência impulsiona mais pessoas vendendo e empreendendo em torno da bebida”, afirma. Na lista de eleitos, dois são oriundos do Novo Mundo. “Escolhi vinhos da Europa para quebrar o paradigma de que apenas os vinhos da América do Sul têm preço mais em conta”, diz o também sócio da importadora Del Maipo, que atende somente atacadistas (lojistas, supermercadistas, restaurantes e outras empresas do ramo) na Cidade do Automóvel.

 (Vinícius Santa Rosa/Esp. Encontro/DA Press)
 (Vinícius Santa Rosa/Esp. Encontro/DA Press)
 

AS ESCOLHAS DE JOSÉ FILHO ANJOS

CONSULTOR DE VINHOS E GERENTE COMERCIAL NA ENOTECA DECANTER

 

Quando o assunto é realização profissional, existem pessoas que acreditam no destino e as que preferem “arregaçar as mangas”. José Filho Anjos carrega um misto dos dois perfis. “Estava passando em frente à loja em 2009 e vi que eles estavam contratando. Entreguei meu currículo e me chamaram para ser entregador. Com um mês já estava fazendo vendas na loja. Passei a estudar e me especializar”, relembra. Hoje, é certificado pela escola americana Internacional Sommelier Guild (ISG). Também cursou três categorias na Wine & Spirit Education Trust.

 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
 

AS ESCOLHAS DE ALDRICK MUGGLER

PROPRIETÁRIO DA ADEGA BRASÍLIA 

 

Formado em administração, em Zurique, Aldrick Muggler mudou-se para Brasília em 2004. De lá para cá, dominou o português e decidiu dedicar-se ao vinho. Não são apenas os vários cursos que gabaritam o suíço como um exímio conhecedor da bebida de Baco. As memórias afetivas contam muitos pontos a favor do especialista. Ele aprecia o item desde pequeno. “Desde muito novo via meu pai abrir um grande vinho por dia, daqueles de guarda, com 30 anos de história. Ele colocava um pouquinho para experimentarmos. Cresci aprendendo a degustar”, comenta.

 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
 

AS ESCOLHAS DE MARCOS RACHELLE

SOMMELIER, PROFESSOR E CONSULTOR DE VINHOS DA WORLD WINE BSB

 

Não se engane pelo jeito sereno com que ele conduz uma conversa. Enófilo e degustador de vinhos há mais de 20 anos, o especialista é um verdadeiro workaholic. Formado pela Associação Brasileira de Sommeliers (ABS) e pela Wine and Spirits Education Trust (Wset), trabalha com mais de 300 restaurantes. “O olhar e curadoria do profissional é que fazem a diferença na hora de garimpar um vinho com valor mais em conta”, diz. Recentemente, Rachelle ganhou como sócia a empresária Giuliana Ansiliero, filha de Francisco Ansiliero – conhecido por manter, no Dom Francisco, uma das maiores adegas do Brasil.

 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press )
 

AS ESCOLHAS DE MARCELO COIMBRA

PROPRIETÁRIO DA DOC FOOD & WINE

 

A relação de Marcello Coimbra com a enocultura começa em 2011. Foi quando ele adquiriu a Maison des Caves, representante da Art des Caves em Brasília. Sommelier, Júlio César sempre foi – e ainda é – o braço-direito na escolha dos rótulos que compõem a adega do DOC, em funcionamento desde 2013. Tal como os outros especialistas consultados, Marcello não julga o vinho pelo preço. Prefere ser justo nas exigências. “Abaixo de R$ 99, é preciso saber o que esperar no vinho. Nesse valor, geralmente aparecem rótulos mais frutados – e igualmente excelentes. Não adianta querer uma bebida que tenha passado por 32 meses em barricas de carvalho”, diz. 
 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press )
 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
 
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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017