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CIDADE | SUSTENTABILIDADE »

Brasília ganhou uma estação de metrô com captação de energia solar para operação dos trens

A cidade é a primeira da América Latina e a quarta do mundo a utilizar a tecnologia nesse tipo de transporte

Julyerme Darverson - Publicação:11/12/2017 13:15

Colocar boas práticas em ação é um dos requisitos mais importantes nos dias de hoje e preservar o nosso planeta está entre eles. Este, aliás, será um dos grandes desafios para as próximas décadas. Seja em casa ou em espaços que frequentamos, todo cuidado com o meio ambiente é válido e ajuda a preservar a natureza, além de garantir uma qualidade de vida para as próximas gerações. Brasília acaba de dar mais um passo rumo à sustentabilidade. A capital federal tornou-se a primeira cidade da América Latina e a quarta do mundo – atrás apenas de Milão (Itália), Nova Déli (Índia) e Nova York (EUA) – a ter uma estação de metrô abastecida com uma energia mais sustentável, que emite menos poluentes para o ambiente.

O metrô de Brasília transporta 170 mil pessoas por dia e atende apenas seis regiões (André Borges/Agência Brasília )
O metrô de Brasília transporta 170 mil pessoas por dia e atende apenas seis regiões
 

Foram instaladas, no fim de outubro, na Estação Guariroba, em Ceilândia, as primeiras placas fotovoltaicas para capitação de luz solar, que é transformada em fonte de energia para os trens da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF). “Temos de plantar sementes sem nos preocupar em colher os frutos logo. O sol é uma fonte inesgotável e ultralimpa de energia. Esse projeto-piloto desenvolvido pelos engenheiros do Metrô-DF está dando muito certo”, afirma Marcelo Dourado, diretor-presidente da empresa.

 

Para Rafael Amaral Shayani, professor do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília (UnB), devido aos problemas ambientais em todos os continentes a ação é muito importante para fomentar e conscientizar sobre a necessidade de usar energias sustentáveis. “O mundo passa por uma crise energética. O Brasil também, por causa da falta de chuva e escassez da água, uma das principais fontes para gerar energia elétrica. O preço da energia está aumentando muito e tudo isso tende a piorar. A ideia é utilizar novas tecnologias para poder solucionar problemas como esse. Essa é a tecnologia do futuro”, destaca. O professor vê com bons olhos o projeto, que serve como um incentivo a mais na luta a favor da preservação do meio ambiente. “A iniciativa do Metrô é muito boa, porque ajuda a popularizar a tecnologia. Investir nessa prática é investir em um planeta mais saudável”, diz Shayani.

 

Segundo Marcelo Dourado, foram instalados 576 painéis fotovoltaicos, que já estão gerando energia para os trens. “Hoje, o principal gasto do Metrô-DF é com a conta de luz. Vamos economizar em torno de 60 mil reais por mês”, explica. O projeto inclui, ainda, a expansão para outras estações e a criação de uma usina para abastecer a rede. “Até 2019, nosso objetivo é expandir o projeto para mais três estações do DF e criar a usina. Já temos recursos para instalar placas na Estação Samambaia Sul. Com o projeto concluído, esperamos economizar um terço do valor que gastamos com energia elétrica hoje”, antecipa o diretor-presidente do Metrô-DF.

Diretor-presidente do Metrô-DF, Marcelo Dourado diz que foram instalados 576 painéis fotovoltaicos na estação: 'Hoje, o principal gasto do metrô é com a conta de luz. Vamos economizar em torno de 60 mil reais por mês' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Diretor-presidente do Metrô-DF, Marcelo Dourado diz que foram instalados 576 painéis fotovoltaicos na estação: "Hoje, o principal gasto do metrô é com a conta de luz. Vamos economizar em torno de 60 mil reais por mês"
 

A iniciativa fez tanto sucesso que recebeu o prêmio Golden Chariot International Transport Award na categoria Companhia Nacional de Transporte do Ano, pelas Organizações das Nações Unidas (ONU). “Já recebemos ligações e convites de outros estados e países para realizar palestras e participar de eventos para falar sobre o projeto. A repercussão está sendo muito boa”, diz Dourado.

 

O professor Rafael Amaral Shayani explica que a energia fotovoltaica, popularmente conhecida como energia solar, é um processo eletrônico diferente de todas as outras formas de energia: “Quando a luz do sol vem, bate na pedra feita de silício, que solta um elétron que gera eletricidade. Ou seja, ela não solta fumaça e nem tem partes motoras que giram. É por isso que é chamada de energia limpa”, diz. 

O engenheiro Rafael Shayani, professor da UnB, considera a iniciativa do Metrô muito boa: 'Ela ajuda a popularizar a tecnologia. Investir nessa prática é investir em um planeta mais saudável' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press )
O engenheiro Rafael Shayani, professor da UnB, considera a iniciativa do Metrô muito boa: "Ela ajuda a popularizar a tecnologia. Investir nessa prática é investir em um planeta mais saudável"
 

Sobre os valores das placas fotovoltaicas, responsáveis por captar a luz solar e transformar em energia, o engenheiro afirma que não é algo que deva ser considerado como um custo elevado, já que a tecnologia traz a possibilidade de deixar de extrair matéria prima da natureza e polui menos o meio ambiente. “A energia solar é energia boa. Se olharmos financeiramente, recuperamos o investimento em oito anos e podemos utilizar o painel fotovoltaico por 25 anos”, afirma.

 

 

Além do metrô, no Distrito Federal já são 264 pontos de usinas solar, entre residências, empresas e órgãos governamentais, que geram mais de 2,6 milhões de quilowatts.

Com as placas instaladas, a luz do sol bate na pedra de silício e solta um elétron que gera energia: fonte limpa e sem fumaça (Divulgação )
Com as placas instaladas, a luz do sol bate na pedra de silício e solta um elétron que gera energia: fonte limpa e sem fumaça
 

NÚMEROS DO METRÔ

Alguns dados sobre o transporte público no Distrito Federal

 

15 MW de energia elétrica convencional são gastos

 

5 MW de energia solar serão %u2028gerados com o projeto

 

R$ 3 milhões são gastos com conta de luz

 

Estima-se que serão economizados R$ 1 milhão 

 

Média de 170 mil pessoas que são transportadas por dia

 

Atende 6 regiões administrativas: Asa Sul, Águas Claras, Guará, Taguatinga, Samambaia e Ceilândia

 

Extensão: 42,38 km

 

Estações em operação: 24

 

Estações em obras: 5

 

Fonte: Metrô-DF 

Projeto prevê expansão para outras estações: a de Samambaia Sul deve ser a primeira delas (Pedro Ventura/Agência Brasília)
Projeto prevê expansão para outras estações: a de Samambaia Sul deve ser a primeira delas
 

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EDIÇÃO 60 | dezembro de 2017