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SAÚDE | CRIANÇAS »

Tempo de sol: verão pede atenção constante com a pele das crianças

Com temperaturas mais altas, é necessário tomar alguns cuidados para que as crianças aproveitem o melhor das férias, com muitas atividades ao ar livre

Isabella de Andrade - Publicação:22/01/2018 14:51Atualização:22/01/2018 15:31

Importante aliado na metabolização da vitamina D no organismo humano, na fixação do cálcio nos ossos e no fortalecimento do sistema imunológico, o sol não é um vilão. Contudo, para aproveitar o melhor dos benefícios da luz solar e evitar problemas na pele, é preciso tomar alguns cuidados. É preciso ter  olhar atento na hora de escolher os horários da exposição à luz solar e manter o corpo protegido e hidratado. Refeições leves, com alimentos frescos, ganham destaque no cardápio. A pele da criança não é igual à do adulto, sendo preciso dar atenção redobrada aos cuidados com os pequenos.

 

A pediatra Carla Carvalho de Almeida, que trabalha no Hospital Regional da Ceilândia, destaca um dos pontos mais importantes na rotina:  evitar exposição ao sol entre 11h e 15h, período em que os raios ultravioleta são mais nocivos e todas as cores de pele devem ter as mesmas precauções. A partir dos 6 meses de idade também é preciso usar protetor solar infantil: “Recomendo exposição ao sol média de 15 minutos por dia nos períodos de 7h às 10h ou após as 16h”, diz a pediatra. Além dos cuidados com a pele no verão, quando o calor aumenta, é preciso equilibrar a alimentação, proporcionando os melhores nutrientes para manter a energia constante dos pequenos. Carla destaca que o cardápio deve ser rico, principalmente, em vitaminas e minerais, como frutas, legumes e verduras, sem se esquecer do aporte hídrico adequado.

A pediatra Carla Almeida lembra que a luz solar no horário adequado é saudável: tomar sol faz bem  (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
A pediatra Carla Almeida lembra que a luz solar no horário adequado é saudável: tomar sol faz bem
 

A professora universitária Janaína Soares Alves está sempre atenta a esses hábitos na rotina dos filhos, Henrique, de 8 anos, e Victor, de 5. Durante o verão e os meses que acompanham o período da seca em Brasília, os meninos bebem mais água e evitam sair ao sol nos horários críticos, utilizando sempre o protetor solar específico para a idade deles. Para complementar, água com frequência e sucos naturais. “Eles nunca tiveram queimadura de sol e com esses cuidados básicos não correm riscos”, afirma a professora. A família é adepta das atividades no campo e passeios ao ar livre: “Sempre encontramos uma boa desculpa para estar fora do apartamento e é uma alegria para os meninos. Às vezes gostamos de ir para a escola a pé, para ter sempre a oportunidade de deixar a vitamina D agir”, lembra a professora. Para aproveitar a diversão ao ar livre sem aborrecimentos, o protetor solar é constante e os pais mantêm sempre o olhar atento às temperaturas mais altas: “Mesmo eu, que tenho pele negra, não posso me descuidar, porque também nos queimamos”, afirma Janaína.

Janaína Alves e o marido, Alencar Henrique, com os filhos, Henrique, de 8 anos, e Victor, de 5: no verão, a família bebe mais água, evita sair ao sol nos horários críticos e não esquece o protetor solar. 'Eles nunca tiveram queimadura de sol e com esses cuidados básicos não correm riscos', diz a professora universitária  (Bruno Peres/Esp. Encontro/DA Press)
Janaína Alves e o marido, Alencar Henrique, com os filhos, Henrique, de 8 anos, e Victor, de 5: no verão, a família bebe mais água, evita sair ao sol nos horários críticos e não esquece o protetor solar. "Eles nunca tiveram queimadura de sol e com esses cuidados básicos não correm riscos", diz a professora universitária
 

Para aumentar ainda mais a atenção, a pediatra Lyana Oliveira de Almeida lembra que a incidência de câncer de pele aumenta a cada ano. O efeito da radiação é cumulativo e o sol que recebemos desde a infância até a idade adulta só mostrará seus efeitos em longo prazo, com o envelhecimento precoce e o potencial surgimento do câncer de pele. Lyana destaca que um dos fatores de risco para o desenvolvimento da doença é a exposição intensa durante a infância, por isso, a proteção solar é obrigatória nessa fase da vida. Vale lembrar que a água e a areia refletem os raios solares e podem contribuir para a ocorrência de queimaduras. “Bebês de até os 6 meses não devem ser expostos diretamente ao sol. Devem ser protegidos com roupas, chapéus ou bonés, sombra, guarda-sol e óculos, pois são barreiras protetoras para os raios solares e devem ser usados sem economia e em todas as idades”, destaca a pediatra.

A pediatra Lyana Almeida lembra que a incidência de câncer de pele aumenta a cada ano: efeito da radiação é cumulativo e o sol na infância até a idade adulta só mostrará seus efeitos a longo prazo  (Arquivo Pessoal)
A pediatra Lyana Almeida lembra que a incidência de câncer de pele aumenta a cada ano: efeito da radiação é cumulativo e o sol na infância até a idade adulta só mostrará seus efeitos a longo prazo
 

Dos 6 meses aos 2 anos é recomendado o uso de filtros solares (filtros baby) todas as vezes que a criança estiver exposta à luz do sol. Esses filtros são físicos, por isso mais espessos, mas menos sujeitos a causar alergias. Eles fazem uma barreira aos raios solares, que prejudicam a pele sensível dos bebês.  A partir dos 2 anos de idade, devem ser usados os filtros infantis, com fator de proteção 30 ou mais nas áreas expostas.

 

Como as crianças possuem a pele mais fina, além de grande atividade metabólica, devido ao crescimento, , são mais sensíveis às perdas de água e sais minerais, o que pode culminar em desidratação. Água de coco e sucos naturais também são bons para hidratar com doses naturais de minerais e vitaminas necessários para a proteção do organismo. “Além disso, verduras e legumes devem compor boa parte da nossa alimentação, pois são alimentos cheios de vitaminas e minerais. Alimentos verdes, como folhas, são fontes de luteína e zeaxantina, que atuam como filtro para os raios ultravioleta”, afirma Lyana.

 

Atento a esses cuidados, o músico Tama Olveira faz questão de que seu filho Yuri, de 7 anos, tenha sua própria garrafinha de água para levar durante o dia, além do protetor solar, que tem espaço garantido na mochila. Ele conta que o garoto nunca teve queimadura solar em Brasília, mas a pele sofreu um pouco com a alta incidência do sol nas praias do Nordeste. Desde então boné e, em alguns casos, guarda-sol, são levados para acompanhar os passeios e aumentar a proteção. “A família toda tem uma alimentação saudável e tentamos ter sempre frutas e verduras nas refeições. Acredito que isso ajuda a criar bons hábitos de alimentação”, diz.

Tama Oliveira com o filho Yudi, de 7 anos: na mochila do menino não faltam uma garrafinha de água para levar durante o dia e protetor solar para os momentos ao ar livre nos parques da cidade  (Arquivo Pessoal)
Tama Oliveira com o filho Yudi, de 7 anos: na mochila do menino não faltam uma garrafinha de água para levar durante o dia e protetor solar para os momentos ao ar livre nos parques da cidade
 

A arte-educadora e mediadora de literatura infantil Adriana Bertolucci se mantém sempre atenta à rotina saudável da filha Amora, de 2 anos. A pequena acompanha a mãe em diversas atividades ao ar livre no trabalho com o projeto Marandubinha, que promove o contato literário desde a infância. Adriana conta  que os cuidados em Brasília são ainda maiores no período da seca. Durante as viagens e trilhas ao ar livre nas cachoeiras do cerrado, o chapéu é um acessório indispensável na família. “A Amora já teve alergia com alguns protetores solares e manchas no rosto com o sol muito forte. Então, o chapéu está sempre presente para protegâ-la”, conta. E, como a família mora em uma chácara, as brincadeiras ao ar livre são uma rotina na vida da criança. “Estou sempre oferecendo muita água a ela também.” 

A arte-educadora Adriana Bertolucci com a filha amora, de 2 anos, que adora brincar ao ar livre: cuidados com o sol extremo e hidratação constante para proteger a menina dos efeitos do sol  (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
A arte-educadora Adriana Bertolucci com a filha amora, de 2 anos, que adora brincar ao ar livre: cuidados com o sol extremo e hidratação constante para proteger a menina dos efeitos do sol
 

A dermatologista Luanna Portela enfatiza a importância de crianças e adultos usarem protetor solar diariamente,  para evitar problemas como manchas e envelhecimento precoce. É preciso aplicá-lo 30 minutos antes de sair de casa e reaplicá-lo a cada duas horas ou após atividades na água. “Existem também as lesões, envelhecimento cutâneo, câncer de pele, flacidez, envelhecimento, rugas, isso tudo é consequência da falta de protetor solar”, destaca. O ideal é ter uma consulta com o dermatologista, para que indique o protetor ideal para a pele, e aumentar a ingestão de água no verão, já que nessa época o corpo perde ainda mais líquido através da pele. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) promove todo ano a campanha Dezembro Laranja, que desde 2014 alerta para os cuidados para prevenir o câncer de pele. Luanna indica, também, privilegiar alimentos com alto teor de água e fibras e evitar banhos com água muito quente, porque resseca ainda mais a pele.

Luanna Portela alerta para os perigos do câncer de pele: protetor solar é fundamental, diz a dermatologista  (Bruno Peres/Esp. Encontro/DA Press)
Luanna Portela alerta para os perigos do câncer de pele: protetor solar é fundamental, diz a dermatologista

A FORÇA DA ÁGUA

Dicas de como fazer a hidratação adequada das crianças durante todo o ano

 

èAté os 6 meses: os lactentes não precisam de nada além do leite materno, que é suficiente para manter a criança hidratada. Para se certificar que o bebê está hidratado, apenas verifique se mantém o mesmo volume de xixi, observando quantas vezes tem trocado a fralda, devendo se manter em aproximadamente seis trocas ao dia.

 

èDe 7 meses a 1 ano: após os 6 meses, a água deve ser introduzida na dieta da criança. A média de consumo ideal é de cerca de 55 ml de água a cada quilo de peso, por dia.

 

èDe 1 a 3 anos: média de 1.300 ml de água por dia. Esse valor inclui os sucos naturais.

 

èDe 4 a 8 anos: 1.700 ml em média, de água e sucos.

 

èAcima de 8 anos: em média 55 ml de água por quilo de peso, por dia. Oferecer de seis a oito vezes ao dia, aproximadamente, com consumo médio de cerca de 250ml a cada vez.

 

Fonte: pediatra Lyana Oliveira de Almeida 

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EDIÇÃO 64 | ESPECIAL