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BRASILIENSES DE 2017 | RAQUEL DODGEALEXANDRE INNECCO »

A música é seu ofício

Depois de criar em 2011 um espaço cultural voltado para cursos de canto, o maestro ousou ao fundar a W3 Filarmônica, orquestra formada por 40 músicos, inclusive amadores

Paloma Oliveto - Publicação:24/01/2018 15:09

 PERFIL  
 ALEXANDRE INNECCO 
50 anos 
Nasceu e mora em brasília
Solteiro


Graduado em canto pela universidade de Indiana em Bloomington e mestre em regência na Universidade de Minnesota
Regente da W3 Filarmônica  e diretor do Espaço Cultural Alexandre Innecco (ecai) (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
PERFIL
ALEXANDRE INNECCO
50 anos
Nasceu e mora em brasília
Solteiro

Graduado em canto pela universidade de Indiana em Bloomington e mestre em regência na Universidade de Minnesota

Regente da W3 Filarmônica e diretor do Espaço Cultural Alexandre Innecco (ecai)

 

Foi nas poltronas de veludo verde do Teatro Nacional que o maestro Alexandre Innecco se formou artista. Boa parte da adolescência ele passou ali, em companhia da avó materna, assistindo a concertos e óperas. Na hora de escolher a profissão, pensou em ser jornalista. Mas, aos 23 anos, o amor à música “cantou” mais alto. Eram os anos 1990, época de supervalorização do real frente ao dólar. O jovem aspirante a tenor não titubeou: arrumou as malas e partiu para os Estados Unidos, de onde voltaria de vez em 2011. Retornou à cidade natal com graduação e mestrado na área e a missão de provocar o cenário cultural da cidade.

 

Sonhar alto nunca foi um problema para o maestro Innecco. Primeiro, ao desembarcar em Brasília, lançou uma iniciativa inédita por aqui, o Espaço Cultural Alexandre Inneco (Ecai), nos moldes do Carpe Diem, que manteve por uma década na cidadezinha de Columbia, no Missouri (EUA). Sem ter ideia se daria certo, alugou duas salas na comercial da 116 Norte e começou a dar cursos de canto e a ministrar palestras sobre música. O Ecai começou modesto. Aberto em 2011, passou a funcionar dois anos depois nos moldes de um clube autossustentável: em vez de pagar por evento, os interessados se associam, pagando mensalidades. No íncio, eram 12 sócios. Hoje, o número de associados é 100.

 

Mas não bastava organizar cursos. Innecco sempre apostou nos músicos de Brasília que, muitas vezes, ficavam sem um espaço apropriado para se apresentar. Assim, a programação se completa com quartetos, duos, quintetos... E foi em uma dessas que, acidentalmente, surgiu a mais nova empreitada do agitador cultural: a W3 Filarmônica, orquestra formada por 40 músicos, incluindo profissionais, estudantes e amadores. Entre a idealização do grupo e o primeiro concerto, passaram-se apenas dois meses. “Eu vi que não estava louco quando aconteceram as audições e mais de 100 músicos compareceram”, diz.

O maestro Alexandre Innecco criou em Brasília uma orquestra diferente: 'Temos donas de casa, médicos, músicos aposentados e muitos estudantes' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
O maestro Alexandre Innecco criou em Brasília uma orquestra diferente: "Temos donas de casa, médicos, músicos aposentados e muitos estudantes"
 

O modelo da orquestra foi importado dos Estados Unidos, onde é comum esse tipo de grupo comunitário. A ideia, explica Innecco, não é montar uma filarmônica profissional, mas um conjunto em que pessoas da cidade que gostam de música possam se expressar. “Temos donas de casa, médicos, músicos aposentados e muitos estudantes”, diz. A W3 Filarmônica não estava nos planos do maestro. Mas, em abril, o Quarteto Capital, que se apresentaria no Ecai, precisou cancelar o recital que faria para sócios do clube. “Pensei como seria se isso acontecesse nos eventos pagos”, diz. Na agenda do Ecai, também há concertos e óperas apresentados em teatros de Brasília, e Innecco não queria ficar na mão em situações como essa.

 

Em junho, a W3 fazia a primeira apresentação – já foram três neste ano, com quatro previstas para 2018. Além da orquestra, o maestro rege dois corais do Ecai: o feminino, com 80 vozes, e o misto, com 60. Sem patrocínio governamental – algo, inclusive, que dispensa, por acreditar que a música pode ser uma atividade econômica como qualquer outra –, Innecco cobra ingresso das apresentações na cidade. “Nós, brasileiros, pensamos que concerto tem de ser de graça. Pois nesse sentido não tenho dó nem piedade. Alguém procura médico por causa do preço? Já me perguntaram se quero comparar música com cirurgia. Quero sim. Afinal, a música é meu ofício”, decreta.

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EDIÇÃO 62 | março 2018