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BRASILIENSES DE 2017 | LÚCIA BRAGA »

Exemplo de administração

Há 10 anos na presidência da Rede Sarah, psicóloga gaúcha comanda instituição que tem índices comparados aos melhores hospitais do mundo e planeja novas conquistas para 2018

Teresa Mello - Publicação:25/01/2018 12:53Atualização:25/01/2018 13:06

 PERFIL  
LÚCIA WILLADINO BRAGA 
59 anos

Nasceu em Porto Alegre (RS), mora em Brasília desde criança 

Casada, 3 filhos e 1 neta 

 Doutora em psicologia pela UnB e pós-doutora em neurociências pelo Hôpital Pitié Salpétrière, em Paris; doutor honoris causa pela Universidade de Reims, na França  

Desde 1979 no primeiro hospital Sarah, em Brasília. Diretora da Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, em 1994. Presidente da rede desde 2007 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
PERFIL
LÚCIA WILLADINO BRAGA
59 anos
Nasceu em Porto Alegre (RS), mora em Brasília desde criança
Casada, 3 filhos e 1 neta

Doutora em psicologia pela UnB e pós-doutora em neurociências pelo Hôpital Pitié Salpétrière, em Paris; doutor honoris causa pela Universidade de Reims, na França

Desde 1979 no primeiro hospital Sarah, em Brasília. Diretora da Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, em 1994. Presidente da rede desde 2007
 

Existe uma filosofia a orientar o funcionamento de excelência nas nove unidades da Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação. Com 100% de recursos da União, 5 mil profissionais atendem gratuitamente 1,5 milhão de pacientes por ano no Brasil, e o índice de satisfação de quem cruza o tapete branco atoalhado dos estabelecimentos chega a 98,8%. Traçados pelo médico-fundador Aloysio Campos da Paz Júnior e pela neurocientista gaúcha Lúcia Willadino Braga, alguns dos princípios de conduta ensinam que é preciso transformar cada pessoa em agente de sua própria saúde e que é necessário viver para a saúde, e não sobreviver da doença.

 

Mas como um hospital público de grande porte consegue sucesso no Brasil? A receita de gestão da presidente da Rede Sarah não tem ingredientes secretos. De pensamento ágil e com brilho nos olhos, Lúcia Braga vai listando os itens com empolgação: “Todos os nossos funcionários são concursados, trabalham em tempo integral e com dedicação exclusiva”, destaca a gestora de 59 anos, nascida em Porto Alegre. “Nosso pessoal da higiene, da cozinha, da lavanderia, aprende sobre bactérias e é tratado como agente de saúde, e a taxa de infecção hospitalar é de 0,2%, enquanto a dos Estados Unidos é de 5%”, afirma. Acrescente-se a isso um sistema rígido de compras e de controle de estoques e transparência nas licitações. “Nossas contas são aprovadas sem ressalvas pelo Tribunal de Contas da União e pela Controladoria-Geral da União”, completa.

 

A informatização é outro ingrediente fundamental. Desde 1996, o Sarah adota o prontuário eletrônico, e a inscrição para atendimento é feita pelo site (www.sarah.br), sem burocracia ou apadrinhamento. “A resposta é breve”, afirma Lúcia. “Mães de bebês de até 18 meses, por exemplo, já saem com data marcada.” Na consulta, a humanização aproxima médico e paciente. No crachá dos profissionais, não há Doutor. Apenas o primeiro nome.

Em 2017, a presidente conta que as principais ações foram a ampliação das consultas de admissão em 25% e das cirurgias em 20%; a informatização da área administrativa e nove acordos de cooperação internacional com a França, a Alemanha, os Estados Unidos e a Holanda (Universidade de Haia), entre outros. “Antes, a ponte aérea era o contrário. Agora, são eles que vêm estudar aqui”, comenta Lúcia,  que chegou à capital na inauguração da cidade, em abril de 1960, com apenas 1 ano.

Lúcia Braga 
no jardim interno do prédio do Sarah, 
na W3, que tem painéis de Athos Bulcão: ampliação das 
consultas de admissão em 25% e das cirurgias 
em 20% em 2017 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Lúcia Braga no jardim interno do prédio do Sarah, na W3, que tem painéis de Athos Bulcão: ampliação das consultas de admissão em 25% e das cirurgias em 20% em 2017
 

Para 2018, os projetos envolvem a neurotecnologia, com criação do smart lab, onde o planejamento mental e a atenção são estimulados por meio de jogos interativos. Outro setor é o da reabilitação ecológica, em que o paciente vai continuar o tratamento em casa: “Ele pode fazer um treino de fala em um aplicativo de celular”, explica a pesquisadora. “Tudo com comprovação científica.” Não à toa, na agenda dela estão marcadas seis palestras no exterior.

 

Para ter energia, Lúcia corre: “Corro todo dia, ao ar livre”. O lazer é junto à família, aos três filhos e à neta, além de eventos culturais: “Gosto muito de arte, não perco um bom teatro, um bom concerto, uma boa exposição”. O prédio onde está a presidência, na W3 Sul, já é uma obra de arte por si. Projetado pelo arquiteto João da Gama Filgueiras Lima, o Lelé, tem painéis de Athos Bulcão e belíssimos jardins internos. No fim do ano, a exposição da fotógrafa Rosa Berardo, Xingu – Tradição e Modernidade, enfeitava o corredor do térreo.

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EDIÇÃO 62 | março 2018