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BRASILIENSES DE 2017 | MIRIAM DOS SANTOS »

Referência Nacional

Ela escolheu a pediatria ainda criança e fez dela verdadeira vocação de vida. Seu trabalho pelo aleitamento materno e bancos de leite humano lhe rendeu até um prêmio nacional

Teresa Mello - Publicação:25/01/2018 13:10Atualização:25/01/2018 13:17

PERFIL  
MIRIAM OLIVEIRA DOS SANTOS  
51 anos 
Natural de Brasília (DF) 

Solteira
 
Formada em medicina, com especialização em pediatria na Universidade Severino Sombra (RJ)  

Neonatologista no Hospital Regional de Taguatinga, coordenadora de Aleitamento Materno e Bancos de Leite Humano da SES/DF. Vice-presidente da Comissão Nacional de Bancos de Leite Humano Fiocruz-Ministério da Saúde (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
PERFIL
MIRIAM OLIVEIRA DOS SANTOS
51 anos
Natural de Brasília (DF)
Solteira

Formada em medicina, com especialização em pediatria na Universidade Severino Sombra (RJ)

Neonatologista no Hospital Regional de Taguatinga, coordenadora de Aleitamento Materno e Bancos de Leite Humano da SES/DF. Vice-presidente da Comissão Nacional de Bancos de Leite Humano Fiocruz-Ministério da Saúde
 

Quando fala sobre a profissão que escolheu aos 4 anos de idade, os olhos de Miriam dos Santos ficam marejados. De devoção. Pediatra da Secretaria de Saúde do Distrito Federal desde 1994, a brasiliense de 51 anos está no comando do Aleitamento Materno e Banco de Leite Humano (BLH) da SES desde 2008 e é consultora técnica e participa de missões internacionais como vice-presidente da Comissão Nacional de Banco de Leite Humano da Fiocruz/Ministério da Saúde. Esteve no Uruguai, Panamá, Moçambique, Angola e Cabo Verde. Por onde vai, prega a importância do aleitamento materno, promove capacitações, luta contra o preconceito. Ensina que é natural amamentar em público, assim como dar o peito a crianças de 2 anos. “Precisamos combater a cultura da chupeta e da mamadeira”, afirma. “Se cada um fizer o seu papel, podemos mudar o mundo.”

 

Miriam receita o aleitamento como a melhor forma de conseguir a saúde da criança e reduzir a mortalidade infantil. Deve ser exclusivo até os 6 meses e pode se estender até os 2 anos. “O bebê se torna um adulto com menos chances de ter hipertensão, diabetes, obesidade”, informa. “E melhora o intelecto”, completa. Ela conta que o primeiro BLH no DF foi o do Hospital Regional de Taguatinga (HRT), inaugurado em 19 de setembro de 1978. Dezesseis anos depois, tornava-se residente no hospital, na unidade de neonatologia, ao lado de Wilson Marra, pediatra tradicional de Taguatinga e de Brasília: “Quando eu tinha uns 4 anos, falei para ele que queria ser médica igual a ele”. Os pais, sócios antigos do Lions Clube, contribuíram para que a medicina fosse adotada pela jovem como uma missão: “Aprendi a enxergar o outro, a ajudar”.

Miriam dos Santos coordena setor de aleitamento materno e BLH da Secretaria de Saúde: 'No DF, 65% das crianças menores de 6 meses são amamentadas no peito, enquanto a meta da OMS é chegar aos 50% em 2030' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Miriam dos Santos coordena setor de aleitamento materno e BLH da Secretaria de Saúde: "No DF, 65% das crianças menores de 6 meses são amamentadas no peito, enquanto a meta da OMS é chegar aos 50% em 2030"
 

Moradora de Taguatinga, ela se orgulha de ter contribuído para o DF ser referência em BLH no país: “Brasília é uma cidade que amamenta. O primeiro Disque Amamentação foi em 1985, na época do orelhão”, comenta. “No DF, 65% das crianças menores de seis meses são amamentadas no peito, enquanto a meta da Organização Mundial de Saúde (OMS) é chegar aos 50% em 2030.” Hoje, existe uma rede de 4,8 mil mulheres doadoras de leite, em um total de 14 mil litros em benefício de 8 mil crianças. Não satisfeita, Miriam acelera o projeto de criar mais bancos de leite, por enquanto disponíveis em 15 das 31 regiões administrativas e em outros três postos de coleta: “A secretaria está implantando bancos em nove unidades de saúde do DF e em 2018 precisamos avançar no Itapoã, na unidade rural de Brazlândia e no Sol Nascente”.

 

A gestora e pediatra – que nos momentos de lazer gosta de ler e viajar – aponta os destaques da sua atuação em 2017:  o lançamento, em maio, do site e aplicativo Amamenta Brasília, para doação de leite materno; a consolidação da parceria com o Corpo de Bombeiros Militar, que ajuda na coleta desde 1989; e o atendimento a uma equipe de Trinidad e Tobago, que esteve em Brasília em novembro. “Temos uma política de saúde, não de governo. E, como gestora da SES, tenho muito a agradecer pelo reconhecimento do trabalho, mas nada mais sou do que regente de uma grande orquestra”, compara ela, premiada, em maio, com o Troféu Walter Schmidt, destinado ao setor de saúde no Brasil. “Meu sonho é de que todas as crianças do DF sejam amamentadas e a rede de BLH possa apoiar as mães e oferecer leite humano a quem precisa”, diz.

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EDIÇÃO 64 | ESPECIAL