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Inteligência artificial e outras tecnologias prometem mudar o mercado de trabalho

Novos tempos, novos cursos. Veja o que instituições de ensino da cidade estão oferecendo para ajudar a formar os profissionais do futuro

Mariana Froes - Publicação:21/03/2018 16:48Atualização:21/03/2018 17:34

É fato: a lógica da formação acadêmica já não é mais a mesma nas universidades. Já se foi o tempo em que a medicina, a advocacia e a administração de empresa eram as únicas opções de profissões rentáveis e com garantia de sucesso. O avanço das novas tecnológicas, das formas de comunicação e até as mudanças nas relações interpessoais pressionaram as graduações e pós-graduações para que se reinventassem e se diversificassem. E isso também deu-se em função das novas necessidades do mercado. No Distrito Federal, não poderia ser diferente. Essa nova conjuntura fez crescer uma grande oferta de novos cursos superiores e especializações – a maioria deles na área da tecnologia.

 

Nesse novo panorama, destacam-se graduações como as de ciências de dados e inteligência artificial e programação em jogos digitais, entre outros. E se o assunto, então, é pós-graduação, o hall de possibilidades é ainda maior. Outras opções são as especializações em comunicação e marketing em mídias digitais; big data e analytics; defesa cibernética; inteligência de negócios e muito mais. E não há somente cursos de curta duração, isto é, de cerca de dois anos de extensão. Há também graduações, mais extensas, que alcançam os quatro anos de estudo.

 

Uma das mais recentes apostas do Centro Universitário do Instituto de Educação Superior de Brasília (Centro Universitário Iesb) é o curso de ciências de dados e inteligência artificial. Ele promete formar profissionais que possam desenvolver e compreender sistemas computacionais sofisticados. O professor Sérgio Costa Cortes, coordenador do curso e doutor em informática, exemplifica o uso de assistentes pessoais nos celulares – como é o caso da Siri do Iphone – para detalhar o alcance da graduação: “Você constrói programas de algoritmos e cria processos inteligentes de interpretação. E a Siri é um tipo de mecanismo desses. Ela é programada, por exemplo, para ler o seu catálogo no celular e executar as funções solicitadas. Esse é um exemplo claro de inteligência artificial”, diz Cortes.

O professor Sérgio Cortes é coordenador do curso de ciência de dados e inteligência artificial do Iesb, o primeiro no Brasil voltado ao tema: quatro anos de formação, disciplinas nas áreas de matemática, estatística e computação e aulas em inglês (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
O professor Sérgio Cortes é coordenador do curso de ciência de dados e inteligência artificial do Iesb, o primeiro no Brasil voltado ao tema: quatro anos de formação, disciplinas nas áreas de matemática, estatística e computação e aulas em inglês
 

Segundo ele, há uma demanda crescente no mercado do Distrito Federal por profissionais da área. Situação essa que influiu na abertura do curso. “Existem muitos órgãos de governo que trabalham com fraudes, por exemplo, em programas sociais, em licitações. Com isso, começa-se a necessitar de profissionais da área de inteligência”, sugere. Esse é o primeiro curso de graduação no Brasil voltado ao tema. São quatro anos de formação – tempo em que o estudante terá contato com disciplinas nas áreas de matemática, estatística e computação. Para formar profissionais ainda mais capacitados, algumas aulas serão lecionadas em inglês.

 

Outra tendência, alavancada por uma crescente exigência do mercado, é o curso de tecnólogo na área de programação em jogos digitais. Entre as instituições que oferecem essa opção no Distrito Federal, estão o Iesb e o Instituto Federal de Brasília (IFB). No quinto semestre do curso, o estudante Arthur Corrêa, de 20 anos, afirma estar se preparando para atuar no Canadá. Ele planeja trabalhar em Montreal, onde há um grande polo na área de games. “A minha ideia é ganhar experiência fora do país, para poder voltar para o Brasil e aplicar os meus conhecimentos aqui. Acredito que em poucos anos passaremos de país maciçamente consumidor para um dos cinco maiores produtores de jogos”, afirma. Para ele, o mercado de Brasília está em franca expansão e tem muito potencial: “Embora não tenha grandes empresas, estamos vendo surgir muitas organizações independentes que estão se tornando conhecidas nacionalmente”.

Artur Correa cursa programação em jogos digitais do IFB: 'Acredito que em poucos anos passaremos de país maciçamente consumidor para um dos cinco maiores produtores de jogos', diz (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Artur Correa cursa programação em jogos digitais do IFB: "Acredito que em poucos anos passaremos de país maciçamente consumidor para um dos cinco maiores produtores de jogos", diz
 

O coordenador do curso no Iesb, Felipe Ferreira Costa, revela que os alunos de jogos digitais são desafiados a desenvolver um game a cada semestre. “Eles trabalham tanto na área de programação quanto na de arte. E, normalmente, para estimular mais ainda o aluno, chamamos uma banca de empresas do segmento para analisar o que foi apresentado. Assim, em várias ocasiões, os alunos são premiados”, explica. Para ele, o surgimento da internet ajudou a estimular novas profissões, como é o caso do game designer. “É uma área que não demanda tantos recursos por parte do aluno e que tem um bom retorno financeiro. Além disso, tudo o que você precisa é de um computador com acesso à internet. Para se ter uma ideia, pode-se desenvolver um aplicativo de casa”, diz.

 

Aberto no fim do ano passado, o curso de jogos digitais do IFB teve grande procura em todos os seis campi da instituição, como conta o coordenador do curso e professor da área Leôncio Regal Dutra. Ao todo, foram formadas oito turmas, com número máximo de alunos. “São mais ou menos 300 estudantes, atualmente. As primeiras trocas com os alunos foram a distância. Agora, em março, começam os encontros presenciais”, conta. “A procura na área de tecnologia vem sendo enorme e Brasília já mostrou que chegou ao patamar de grandes metrópoles no que tange ao desenvolvimento”, opina. Para justificar sua ideia, o professor menciona a absorção dessa mão de obra por parte de grandes empresas, como Banco do Brasil e Caixa Econômica.

 

Seguindo a mesma corrente dos cursos na área de tecnologia, as graduações e pós-graduações em comunicação já não podem seguir certos formatos como os de antigamente. É impossível ignorar a presença da internet e as mudanças provocadas por ela na transmissão e absorção de informações. Além disso, os veículos tradicionais passaram a dividir espaço com outros canais, como é o caso das mídias digitais, onde também surgiu a função do social media.

 

Foi pensando nisso que a Universidade Estácio de Sá, em Brasília, lançou uma MBA em marketing e mídias digitais, disponível nos campi do Plano Piloto e de Taguatinga. De acordo com Thiago Maroca, coordenador do curso, a instituição reconhece Brasília como um local com grande potencial para o mercado de negócios, por isso tem investido em formações direcionadas principalmente a executivos: “Entendemos que a região é logisticamente muito bem localizada para negócios de transporte de cargas, de mercadoria, de grãos, de safra, entre outros. Todo o Brasil passa pelo Centro-Oeste. Brasília é uma capital muito bem equipada para poder propor soluções e todo tipo de recursos para que as empresas se instalem aqui. Por isso, os cursos mais inovadores que oferecemos são os de gestão e tecnologia”, justifica.

Thiago Maroca coordena o curso de marketing e mídias digitais da Estácio de Sá, que vem investindo em gestão e tecnologia: 'Brasília é uma capital muito bem equipada para propor soluções e todo tipo de recursos para que as empresas se instalem aqui' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Thiago Maroca coordena o curso de marketing e mídias digitais da Estácio de Sá, que vem investindo em gestão e tecnologia: "Brasília é uma capital muito bem equipada para propor soluções e todo tipo de recursos para que as empresas se instalem aqui"
 

A fim de se atualizar, a publicitária Amanda Mendonça, de 37 anos, apostou no curso de mídias digitais. Ela se sentia defasada profissionalmente, dadas as transformações na área de comunicação e tecnologia. “Eu estava na área acadêmica e sentia falta de incorporar conhecimentos em áreas inovadoras. Foi quando decidi fazer a pós-graduação na Estácio”, diz. “Sempre fiz atendimento publicitário, mas quando comecei a me especializar decidi me aventurar e participar de um processo seletivo para gestão de projetos em uma empresa. Para minha surpresa, eu era a única que tinha especialização. Acabei conseguindo a vaga.” Amanda, que hoje é gestora de projetos de marketing da Agência Gruv, constata que o que mais mudou na forma de trabalho dela foi o modo de planejar campanhas de marketing digital.

Amanda Mendonça fez curso de mídias digitais e hoje é gestora de projetos de marketing de uma agência: 'Eu estava na área acadêmica e sentia falta de incorporar conhecimentos em áreas inovadoras' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Amanda Mendonça fez curso de mídias digitais e hoje é gestora de projetos de marketing de uma agência: "Eu estava na área acadêmica e sentia falta de incorporar conhecimentos em áreas inovadoras"
 

E as inovações não se limitam aos tipos de curso ofertados no mercado do DF. Com as mudanças tecnológicas, naturalmente, o perfil dos estudantes e a forma com que eles absorvem conhecimento também mudaram. Com isso, algumas instituições têm investido em novas metodologias de ensino. O Centro de Ensino Unificado de Brasília (UniCEUB) é um dos locais que inovou. Com foco no aprendizado baseado em problemas (Problem-Based Learning – PBL), a instituição abriu um campus dedicado aos cursos superiores tecnológicos, que utilizam tais processos e adotam a tecnologia. Entre eles, estão os de gestão de serviços notariais e gestão de serviços jurídicos. O coordenador dos cursos, Marcelo Gagliard, explica que agora as aulas são expositivas e interativas, com metodologia ativa, laboratórios e outros recursos. “A perspectiva, agora, é outra. Com isso, também deixamos de aplicar provas em papel, não usamos copiadoras e outros equipamentos estáticos. Em vez disso, usamos celular como ferramenta de trabalho.”

 

PARA ACOMPANHAR AS MUDANÇAS

Veja alguns cursos oferecidos por instituições de ensino do DF com foco nas transformações e demandas mais recentes do mercado de trabalho

 

èCiência de Dados e Inteligência Artificial (graduação)

O bacharelado em ciência de dados e inteligência artificial é um curso totalmente novo no mundo acadêmico no Brasil, mas já é uma área muito demandada pelo mercado de trabalho. O objetivo é formar profissionais com sólida formação nas áreas de matemática, estatística, tecnologia da informação e comunicação e inteligência artificial. Os egressos do curso serão profissionais capazes de explorar e analisar dados visando à extração de conhecimento e à aplicação da inteligência artificial na solução de problemas.

Onde: IESB

Duração: 3.180 horas

Quanto custa: R$ 69.120

 

èTecnologia em Gestão Ambiental (graduação, modalidade EAD, tecnólogo)

As mudanças climáticas e a pressão do mercado externo por produtos de empresas com selo NBR ISO 14000 vêm exigindo que as organizações busquem profissionais especializados para desenvolver, projetar, controlar e auditar os processos ambientais. Nesse contexto, a temática ambiental ocupa um papel de destaque, demandando das organizações públicas, privadas e não governamentais ações concretas na efetivação do uso sustentável de recursos naturais e na busca de soluções para os problemas do esgotamento de recursos hídricos, poluição do ar, contaminação do solo e perda da biodiversidade.

Onde: Senac%u2028

Duração: 1.620 horas

Quanto custa: R$ 9.060

 

èProgramação de Jogos Digitais (graduação, modalidade EAD, tecnólogo)

O técnico em programação de jogos digitais, na classificação brasileira de ocupações, é correspondente ao programador de multimídia. Entre as possibilidades de atuação no mercado estão: empresas de desenvolvimento de jogos, instituições de educação, agências de publicidade e propaganda e estúdios de animação. O curso oferece ao profissional a capacidade de analisar, projetar, documentar, testar, implantar e manter em funcionamentos jogos para web e mobile.

Onde: Instituto Federal de Brasília (IFB), campus Brasília

Duração: 1.050 horas

Quanto custa: gratuito*

(*) O IFB é uma instituição pública vinculada ao Ministério da Educação (MEC)

 

èComunicação e Marketing em Mídias Digitais (pós-graduação MBA)

Curso de especialização voltado a profissionais com formação superior em busca de aperfeiçoamento do conhecimento com relação ao desenvolvimento, implementação, análise, mensuração e acompanhamento de resultados de projetos e produtos para a comunicação e marketing em mídias digitais nas organizações, agências de comunicação e marketing, agências digitais e veículos on-line

Onde: Estácio de Sá

Duração: 380 horas

Quanto custa: R$ 8.600

 

èGestão de Serviços Jurídicos (graduação, tecnólogo)

O curso de gestão de serviços jurídicos atende a uma crescente demanda de profissionalização da gestão de escritórios de advocacia, departamentos jurídicos de empresas e de órgãos públicos, com ênfase nas ferramentas tecnológicas disponíveis no mercado atualmente

Onde: UniCEUB

Duração: 2.010 horas

Quanto custa: R$ 1.315,81

 

èGestão de Serviços Notariais (graduação, tecnólogo)

Por meio de metodologias e ferramentas de gestão modernas, o curso de gestão de serviços notariais tem por objetivo qualificar o profissional que pretende se envolver na carreira de gestão e execução de todas as atividades notariais no país, tais como tabelionatos, cartórios de registro, de notas e de protesto

Onde: UniCEUB

Duração: 2.010 horas

Quanto custa: R$ 1.315,81

 

èBig Data e Analytics (pós-graduação)

As tecnologias de big data têm impactado o relacionamento das empresas com os seus clientes. Por meio de modelos preditivos, as empresas têm oferecido um atendimento personalizado a cada um de seus clientes, indo ao encontro das suas reais necessidades. Essas tecnologias também são utilizadas para monitar a produção das empresas, monitorando e prevendo potencias falhas em seus produtos. Enfim, o big data está revolucionando toda a indústria

Onde: Senac

Duração: 430 horas

Quanto custa: matrícula de R$ 8.771,10

 

èDefesa Cibernética (pós-graduação)

Devido ao número assustador de ameaças que rondam o ambiente cibernético, existe uma crescente demanda do mercado por profissionais especializados na área de defesa cibernética. Profissionais seja da área de software, seja banco de dados, seja infraestrutura de redes, todos devem ter essa preocupação desde a concepção das soluções até a sua manutenção. O curso de pós-graduação em defesa cibernética possui uma abordagem teórica e prática

Onde: Senac

Duração: 430 horas

Quanto custa: R$ 6.608,60

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EDIÇÃO 62 | março 2018