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Biotic: Brasília ganha Parque Tecnológico em abril

Local abrigará mais de 1.200 empresas dos ramos da biotecnologia e tecnologia, além de gerar de 12 mil a 25 mil empregos diretos

Julyerme Darverson - Publicação:27/03/2018 12:07

Um dos projetos que mais gerou expectativa nos últimos anos em Brasília acaba de sair do papel. O tão esperado Parque Tecnológico do Distrito Federal, que começou a ter suas primeiras ideias traçadas em 1991 – mas foi a partir dos anos 2000 que entrou de vez na agenda pública da capital federal –, já tem data para ser inaugurado: 2 de abril de 2018. “Já estávamos cansados de falar do Parque Tecnológico e ele ficar só no papel. Isso gerou um descrédito em relação às pessoas e empresas que poderiam se instalar aqui e ficaram incrédulas em razão dos adiamentos do projeto”, lembra Thiago Jarjour, secretário-adjunto de Ciência, Tecnologia e Inovação do Distrito Federal.

 

Batizado anteriormente de Capital Digital, o Biotic, como é chamado a partir de agora, é um espaço criado para reunir empresas dos ramos da biotecnologia e tecnologia da informação e da comunicação, ajudando a fomentar a cidade como polo de referência nacional e internacional na área. “Esse é um grande legado para consolidar Brasília como cidade de inovação. Ela já nasceu inovadora, através do espírito empreendedor de Juscelino Kubitschek e de todo o projeto arquitetônico que é a capital federal. Então, por que não ser referência e vanguarda na área de inovação e tecnologia para o resto do mundo?”, questiona Jarjour.

Fachada do edifício de governança do Biotic, com 9,66 mil m2 divididos em dois blocos: ele custou 32 milhões de reais e já nasce com boas práticas e ideias inovadoras e sustentáveis (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Fachada do edifício de governança do Biotic, com 9,66 mil m2 divididos em dois blocos: ele custou 32 milhões de reais e já nasce com boas práticas e ideias inovadoras e sustentáveis
 

Foram investidos cerca de 32 milhões de reais na construção do edifício de governança, que abrigará as empresas. O prédio, com 9,66 mil m² divididos em dois blocos, está localizado em uma área de 1,2 milhão m² entre a Granja do Torto e o Parque Nacional de Brasília. A estimativa é de que mais de 1.200 companhias, entre startups e multinacionais, ocupem o lugar. A escolha está sendo feita por meio de editais. “A ocupação total do prédio deverá acontecer entre 60 e 90 dias após o lançamento, que já começa com a instalação da sede da Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP) e do Sebrae Lab. No dia 27 de abril, a Embrapa, empresa âncora desse sistema, inaugura seu Núcleo de Inovação e Tecnologia”, afirma o secretário.

 

A chegada do Parque Tecnológico deve movimentar a economia local. A intenção é reduzir alguns impostos, a fim de tornar o cenário mais competitivo e ser uma forma para atrair entidades para a cidade. “Já estamos conversando com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Antônio Valdir, sobre uma política de incentivos fiscais que torne o ambiente melhor e dê mais competitividade às empresas daqui, além de servir de mecanismo para atrair empresas de fora da cidade para o Parque Tecnológico”, destaca Jarjour.

 

Segundo o secretário, a ideia é igualar o ISS (Imposto sobre Serviços), que hoje é praticado de 2% a 5%, a 2% no DF. “Além disso, a FAP lança todos os anos os editais de fomento às startups. Já foram mais de 100 projetos contemplados, recebendo de 50 mil a 200 mil reais cada um”, completa. O espaço conta, ainda, com uma área de coworking, que estará disponível para o público, no térreo do bloco B do edifício. “O agente de inovação, que será contratado para administrar o Parque Tecnológico, tem por obrigatoriedade promover quatro eventos de fomento à inovação e empreendedorismo por mês. Esses eventos, que deverão ser gratuitos, serão abertos para toda a comunidade”, ressalta Jarjour.

Pensando no futuro, o Parque Tecnológico já nasce com boas práticas e ideias inovadoras e sustentáveis: “O prédio já foi construído de acordo com todas as normas atuais e vigentes sobre sustentabilidade, mas estamos querendo inovar ainda mais. Estamos em contato com uma empresa que oferece a instalação de placas fotovoltaicas, que faz a captação de luz solar, para abastecer todo o edifício”, diz Jarjour.  

Para Thiago Jarjour, secretário-adjunto de Ciência, Tecnologia e Inovação do DF, passava da hora de o projeto tornar-se realidade: 'Esse é um grande legado para consolidar Brasília como cidade de inovação' (André Borges/Agência Brasília)
Para Thiago Jarjour, secretário-adjunto de Ciência, Tecnologia e Inovação do DF, passava da hora de o projeto tornar-se realidade: "Esse é um grande legado para consolidar Brasília como cidade de inovação"
 

Outra novidade mais sustentável no Biotic é o ar-condicionado. Os equipamentos, com tecnologia de irradiação ultravioleta germicida, além de garantir saúde e bem-estar aos ocupantes do edifício, reduzem a necessidade de manutenção e o consumo de energia. “Esse sistema vem para agregar com a nova proposta do prédio do Parque Tecnológico. O Biotic foi construído para abrigar empresas ligadas à inovação. Então, é mais coerente fomentar novas tecnologias com o uso de tecnologias sustentáveis de sistemas mais limpos”, destaca Frederico Paranhos, diretor da EcoQuest, responsável pelo sistema de ar-condicionado. Segundo Paranhos, os produtos que estão disponíveis no mercado, que precisam de manutenção trimestral e/ou semestral, têm o desempenho prejudicado pela sujeira acumulada. O sistema acaba se tornando menos eficiente com o uso, o que acarreta o aumento do consumo de energia com o tempo. “Utilizando esse sistema, as serpentinas ficam sempre limpas. O sistema tem uma performance ampliada, pois a sujeira não o sobrecarrega, apresentando um desempenho melhor e gastando menos energia.”

 

Além disso, Thiago Jarjour diz que serão instaladas as chamadas árvores digitais, que será o novo modelo de wi-fi público do governo, com custo zero para os cofres públicos: “O modelo que herdamos tem um impacto financeiro alto de manutenção. Através dos nossos estudos e pesquisa sobre o que há de mais moderno no mundo, achamos as árvores digitais, que são equipamento que emitem sinal de internet num raio de 300 a 500 metros, podendo conectar até 500 pessoas, simultaneamente, com qualidade”, explica.

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EDIÇÃO 62 | março 2018