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Aplicativos estão facilitando a vida de quem tem pets na cidade

Apps ajudam a encontrar serviços e passeios para o bichos

Paloma Oliveto - Publicação:08/05/2018 15:26Atualização:08/05/2018 15:48

Eles estão presentes em 42% dos lares de Brasília, o que faz do DF o terceiro maior mercado pet do Brasil, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal. Nada mais justo, portanto, que surjam cada vez mais serviços voltados para facilitar a vida dos tutores dos 325 mil cães e gatos da capital. Recentemente, duas moradoras da cidade apostaram na paixão do brasiliense pelos animais de estimação para lançar aplicativos inéditos e que, apesar do pouco tempo de vida, já fazem o maior sucesso. O MapaDog, plataforma que mapeia locais pet friendly, e o Vets’Go!, aplicativo que oferece veterinários em domicílio 24 horas, começaram há pouco tempo, mas já conquistaram os brasilienses.

 

A ideia de listar estabelecimentos onde os animais são bem-vindos surgiu da experiência pessoal do casal de empresários Júlia Hueb e Igor Vendas, ambos 30 anos, tutores da pug Mafalda e da vira-lata Magali. Com dificuldades para encontrar informação sobre esses lugares todas as vezes que queriam levar as cachorrinhas aos passeios, eles decidiram criar um site colaborativo, com espaço para todos os moradores da cidade compartilharem dicas sobre lojas, restaurantes, shoppings, hotéis e parques que aceitam animais de estimação.

A empresária Júlia Hueb, tutora da pug Mafalda e da vira-lata Magali, é uma das idealizadoras do app MapaDog, plataforma que mapeia locais pet friendly: iniciativa está ajudando a tornar a capital mais amiga dos animais (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
A empresária Júlia Hueb, tutora da pug Mafalda e da vira-lata Magali, é uma das idealizadoras do app MapaDog, plataforma que mapeia locais pet friendly: iniciativa está ajudando a tornar a capital mais amiga dos animais
 

O sucesso foi tanto que já há dicas de outras cidades no www.mapadog.com, que, em breve, também terá aplicativo para iOS e Android. Há seis categorias de estabelecimentos: hotéis, onde comer, compras, lazer, eventos e serviços, e os tutores podem filtrar a busca por porte do animal, avaliação do público e proximidade de casa. A lista de locais pet friendly mapeados inclui cervejarias, restaurantes, lanchonetes, shoppings, sapatarias, butiques, loja de disco, sorveterias, padarias, hotéis, barbearia e outlet, entre outros. O site também traz informações úteis, como presença de potinho de água para os animais no lugar.

 

“As pessoas estão sempre nos mandando sugestões de locais e pedindo para incluir novas cidades”, comemora Júlia Hueb. Ela diz que os usuários já estão ansiosos pelo aplicativo, previsto para ficar pronto neste mês de fevereiro. No Instagram, o MapaDog é seguido por 17,3 mil pessoas, que também podem acompanhar as novidades pet friendly no blog da marca. Júlia acredita que a iniciativa está ajudando a tornar a capital mais amiga dos animais. “Nós, por exemplo, fomos chamados para dar um treinamento no CasaPark, quando o shopping se tornou pet friendly. Acredito que estamos colaborando com essa cultura”, diz.

 

Para Domitila Gomes Barroso, de 33 anos, moradora do Colorado, Brasília está cada vez mais aberta à presença dos pets nos espaços públicos e comerciais. Ela sempre teve cachorros e, há três anos, é tutora do dachshund Fubá, que costuma passear por muitos locais da cidade. “Antigamente, as pessoas olhavam muito torto. Hoje, a aceitação é bem maior”, conta. Ela já levou o cachorrinho até um supermercado – onde, aliás, ele foi muito bem tratado. Como Fubá é comportadíssimo, Domitila o leva a shoppings, restaurantes e lojas, além dos espaços próprios para ele correr, como o Parcão do Lago Norte e o Parcão do Parque da Cidade. Na maior parte das vezes, o cachorrinho desperta a simpatia de quem passa perto. Porém, a tutora reclama de algumas pessoas que ainda fazem cara feia para Fubá. “Fui a uma loja e vi o segurança apontando para o gerente. O Fubá estava supercomportado. Fiquei constrangida, é claro”, lembra.

Domitila Barroso costuma ir a muitos locais da cidade com seu dachshund Fubá: segundo ela, Brasília está cada vez mais aberta à presença dos pets nos espaços públicos e comerciais (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Domitila Barroso costuma ir a muitos locais da cidade com seu dachshund Fubá: segundo ela, Brasília está cada vez mais aberta à presença dos pets nos espaços públicos e comerciais
 

Situação pela qual a empresária Jéssica Mattos Capeletti, de 29 anos, também já passou. Ela estava com a golden Maguaryni em um restaurante – na área externa, que, por sinal, é pública – quando foi abordada pelo gerente, que lhe pediu que amarrasse a cachorra. Jéssica retrucou e ameaçou ir embora. Então, o funcionário mudou o tom e se desculpou. “A Maguaryni estava quietinha, deitada”, conta. Desde que veio do Espírito Santo para Brasília, há um ano e meio, ela é fã do MapaDog, consultado para evitar situações como a que passou no restaurante: “Se vou a algum lugar que não está listado no site e vejo que aceitam cachorros, já falo para entrarem em contato com o MapaDog. Brinco que sou a promoter do site.”

 

Mas, recentemente, Jéssica deixou de ser apenas usuária. Agora, também é empresária cadastrada. Ela saiu de um posto comissionado no Ministério do Trabalho e decidiu abrir uma pet shop no Sudoeste, que também conta com um café, onde os tutores podem ficar enquanto aguardam seus amigões tomarem banho e serem tosados. “É muito ruim esperar o cachorro tomar banho, porque geralmente não há onde ficar. Então, abri o café, que funciona no mesmo horário da loja”, diz. O dia de maior movimento do Pet Café é sábado pela manhã. Quando vão levar o pet para tomar banho, algumas pessoas costumam ficar no local para comer alguma coisa, tomar uma cervejinha e bater papo com outros tutores.

A empresária Jéssica Capeletti, fã do app de lugares pet friendly, para consultar onde pode levar sua golden Maguaryni: ela abriu uma pet shop e um café no mesmo local (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
A empresária Jéssica Capeletti, fã do app de lugares pet friendly, para consultar onde pode levar sua golden Maguaryni: ela abriu uma pet shop e um café no mesmo local
 

Também foi pensando em trazer mais comodidade aos tutores que a veterinária Raquel Prater idealizou o Vets’Go!. O aplicativo, disponível para os sistemas operacionais iOS e Android, oferece serviços médico-veterinários em casa, a qualquer hora do dia. Assim, pessoas que não dirigem ou não querem levar o animal a uma clínica podem visualizar os profissionais que estão mais próximos de casa, ter informação sobre o preço e o currículo do veterinário e, então, solicitar a assistência. Também é possível agendar consultas e vacinas, em casos não emergenciais. Se for necessário levar o pet ao hospital, o próprio médico que faz o atendimento na casa do cliente faz esse serviço na hora.

 

Ao escolher o veterinário pelo aplicativo, o tutor consegue trocar mensagens com o especialista (inclusive por áudio) para explicar a situação do animal sem perder tempo no atendimento. Todo o prontuário do pet, incluindo cartão de vacina, medicamentos usados e resultados de exames, fica armazenado na conta do cachorro/gato e pode ser visualizado tanto pelo usuário quanto pelo veterinário escolhido para acompanhá-lo.

A veterinária Raquel Prater, criadora do Vets'Go!, que oferece consultas e exames 
em casa: 'Com a procura pelos veterinários, conseguimos baixar 
o preço mínimo 
das consultas' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
A veterinária Raquel Prater, criadora do Vets'Go!, que oferece consultas e exames em casa: "Com a procura pelos veterinários, conseguimos baixar o preço mínimo das consultas"
 

O aplicativo ainda é bem recente, foi lançado em outubro de 2017. Mas já tem mais de 100 profissionais cadastrados e 600 downloads feitos. “Com a procura pelos veterinários, conseguimos baixar o preço mínimo das consultas, que começam em  100 reais”, afirma Raquel. “Também temos uma preocupação social: vamos disponibilizar um veterinário para atender um sábado por mês aos animais de organizações não governamentais (ONGs) e abrigos idôneos. Basta entrarem em contato conosco”, conta.

 

Foi graças ao app que Pedro Henrique Souza da Silva, de 22 anos, morador da Vila Planalto, conseguiu um atendimento rápido para a pitbull Kyara. “Eu não tinha carro, tentei chamar um Uber, mas ele não aceitou por causa do tamanho dela”, conta. Três dias antes, por coincidência, Pedro Henrique tinha recebido o link de uma reportagem sobre o Vet’s Go!. “Eu me lembrei, aí cadastrei a Kyara e em 20 minutos a veterinária chegou. Foi muito fácil e rápido. Ela fez um exame de sangue e a medicou. Quando saiu o resultado do exame, a médica me mandou pelo WhatsApp. Com certeza, se eu precisar de novo, vou usar”, diz.

Dono da pitbull Kyara, Pedro Henrique consegiu atendimento 
rápido para ela usando o app e gostou do resultado: 
'Com certeza, se eu precisar de novo, vou usar', diz   (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Dono da pitbull Kyara, Pedro Henrique consegiu atendimento rápido para ela usando o app e gostou do resultado: "Com certeza, se eu precisar de novo, vou usar", diz
 

A veterinária Julia Santoucy Barros foi convidada por Raquel Prater a se cadastrar como profissional no aplicativo e aprovou. Atualmente, faz, em média, dois atendimentos por semana pelo Vet’s Go!, mas acredita que o número vai aumentar, já que o serviço é muito novo. “Facilita muito a vida do proprietário do animal, pela comodidade. Além disso, para o animal, é muito mais cômodo ser atendido em casa. Estou achando fantástico”, empolga-se.

A veterinária Júlia Barros, com  
a chihuahua Mel e a galgo Maggie, acredita que o serviço de atendimento domiliciar ainda vai crescer muito: 'Facilita muito a vida do proprietário 
do animal, pela comodidade' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
A veterinária Júlia Barros, com a chihuahua Mel e a galgo Maggie, acredita que o serviço de atendimento domiliciar ainda vai crescer muito: "Facilita muito a vida do proprietário do animal, pela comodidade"
 

O Vets’Go! também tem um site que, em breve, listará locais pet friendly da cidade. Outras facilidades do aplicativo é oferecer o Diagnomóvel, um serviço de raios X e ultrassom que vai até a casa do animal. “Essa é uma ferramenta muito útil. Os animais costumam ficar muito nervosos para fazer esses exames. Poder realizá-los em domicílio os deixa muito mais tranquilos”, afirma Raquel.

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EDIÇÃO 64 | ESPECIAL