..
  • (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

VEÍCULOS | COMPORTAMENTO »

Apaixonados por motos criam clube no DF para consertar e customizar veículos

Espaço reúne amantes dos veículos de duas rodas em um só lugar, onde é possível, mais do que fazer consertos e customizar, também se divertir

Mariana Froes - Publicação:11/05/2018 16:56

Capacetes a postos! Quem gosta de velocidade sobre duas rodas ganhou uma espécie de parque de diversões na capital do país. Trata-se da Kluster Moto Hub & Community, uma mistura de espaço de convivência e oficina colaborativa direcionada aos amantes e apreciadores de motocicletas – frota que supera os 180 mil veículos no Distrito Federal, segundo dados recentes do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). No espaço de 540 m² localizado no SOF Norte, a menos de 4 km do coração da cidade, o Plano Piloto, é possível muito mais do que consertar e customizar esses veículos com as próprias mãos. Clientes e associados podem, ainda, aprender sobre mecânica, por meio de workshops semanais; apreciar uma boa comida, ouvir música e ainda se divertir. “Qualquer pessoa, independentemente da marca, cilindrada e até quem não tem moto, é mais do que bem-vinda”, dizem os sócios André Gusmão Araújo, de 32 anos, e José Eduardo Lima e Silva, de 35, idealizadores do espaço. Segundo eles, o ambiente vai além da oficina convencional e tem como objetivo a troca de experiências entre pessoas. “Não se trata de usar ferramentas e voltar para casa. A Kluster é a casa das pessoas que acreditam no fazer, um espaço de compartilhamento, cocriação e aprendizagem”, explicam.

A ideia da comunidade vai além de oferecer consertos e customização de motos novas ou antigas: o clube é um ponto de encontro de quem é apaixonado por elas (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
A ideia da comunidade vai além de oferecer consertos e customização de motos novas ou antigas: o clube é um ponto de encontro de quem é apaixonado por elas
 

Dividido entre térreo, subsolo e sobreloja, o prédio mais parece uma galeria. A decoração mistura elementos retrôs a uma arquitetura contemporânea. Além disso, chama a atenção de quem passa pelo local – até então dominado por oficinas antigas e um tanto convencionais. Nas acomodações do galpão há área de criação, de lavagem de motos, estacionamento interno, três lounges, bar, cozinha, chuveiros e muito mais. Da cozinha do bar saem sanduíches de costela desfiada e os choripans, feitos normalmente com pão francês, chouriço, temperado chimichurri ou salsa criolla. O espaço também oferece cervejas especiais e tradicionais, vinhos, cachaças, entre outras comidas e bebidas. Os donos do espaço sinalizam a instalação de uma barbearia e de um estúdio de tatuagem nos próximos meses. Eventos privados e apresentações de bandas também estão nos planos da dupla, fã de nomes como o do cantor norte-americano Johnny Cash.

 

A ideia de criação da estrutura surgiu, em um primeiro momento, para atender aos anseios e necessidades dos dois amigos, até então donos de motocicletas. Foram necessários três anos para que a dupla amadurecesse a ideia de transformar o hobby e o estilo de vida em um modelo de negócio. Atualmente, o geólogo José Eduardo tem uma Suzuki, modelo GS500 de 1999, enquanto o publicitário André possui uma Harley-Davidson modelo 883 de 2009. Embora as possantes sigam linhas e estilos bem diferentes, foi o gosto por elas que uniu os dois em um mesmo propósito: o de viver a paixão como profissão.

 

Foi na troca de um Fusca que José Eduardo adquiriu a primeira moto. O veículo era de um amigo, mas não estava em boas condições. Ele, então, procurou um mecânico para consertá-la, sem sucesso. “Foram idas e vindas até que parti para o ‘faça você mesmo’ e continuo nessa até hoje”, conta. Já André comprou o primeiro veículo em 2010, depois de anos de economia. Logo, começou a trilhar o caminho da customização: “Na época, a (motocicleta) 833 me atraía muito, não só pela simplicidade do design como pelo valor. Depois de muita pesquisa, finalmente achei uma, em Goiânia, com 1.200 km rodados. Desde então, não parei de personalizá-la”, diz o publicitário.

 

Inspirados pela experiência de uma oficina australiana chamada Kustom Kommune, os sócios, então, deram os primeiros passos para o lançamento do espaço do DF. “No meu prédio, por exemplo, eu não tinha onde mexer na minha moto e isso sempre me trazia alguma dor de cabeça. Assim, surgiu a questão de procurar um local para fazer isso”, comenta André. “Um dia, estávamos pesquisando sobre garagens compartilhadas e aí encontramos este lugar, com um conceito e ideias bem próximas ao que gostaríamos de fazer aqui”, completa Eduardo.

Os sócios José Eduardo Lima 
e Silva e André Gusmão Araújo: eles criaram um clube depois 
de muito procurar em Brasília 
por serviços especializados (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Os sócios José Eduardo Lima e Silva e André Gusmão Araújo: eles criaram um clube depois de muito procurar em Brasília por serviços especializados
 

Seja para apertar um parafuso seja para criar uma tinta personalizada, as ferramentas da Kluster estão à disposição de qualquer cliente, para executar os mais diversos trabalhos. Entre os objetos e equipamentos estão: alicates, torquímetros, catracas, chaves combinadas, esmeril, máquina de solda, roda inglesa, furadeira de bancada, disco de corte, guilhotina para chapas, estufa para pintura com painel de secagem rápida, equipamentos pneumáticos, entre outros.

 

Ao todo, o espaço conta com cinco baias, cada uma com capacidade para três pessoas mexerem ao mesmo tempo na moto. Todas elas são equipadas com elevadores pneumáticos. Cada um deles aguenta motos com até 450 kg. Quatro das baias são exclusivas para associados. Assim, esses não precisam agendar horário nem pagar por hora.

 

Outro detalhe do estabelecimento é a monitoria. A empresa dispõe de profissional capacitado para auxiliar gratuitamente qualquer cliente na parte mecânica dos veículos. Há também a possibilidade de o frequentador do espaço contar com um mecânico particular, que cobrará por hora de trabalho e mediante agendamento. Semanalmente, a Kluster oferecerá cursos para pessoas interessadas em trabalhar o visual e as engrenagens das máquinas. “A oficina é do associado. É só chegar e pôr a mão na graxa. Além do acesso a todas as ferramentas e equipamentos da Kluster, o sócio tem 10% de desconto em todos os produtos, incluindo a cerveja, roupas e capacetes”, explicam os donos.

 

Motociclista desde 1985, o cineasta, pedagogo e artista plástico Emanuel Costa Militão, de 52 anos, tem o título de associado número 1 da Kluster. Dono de uma imponente Harley-Davidson preta modelo Dyna Street Bob, ano 2015, Militão revela ser apaixonado pela estética e pela customização desses veículos de duas rodas. “A possibilidade de tornar a máquina única sempre me fascinou, desde a primeira moto que comprei, uma Honda, modelo CB 400”, conta o cineasta. “O interessante é que a Kluster trabalha justamente essa ideia, proporcionando uma ‘coexperiência’. Ou seja, a possibilidade de produzir num espaço comum, de interesses comuns, algo que você gosta. E, assim, o trabalho passa a ser lazer”, diz. Entre os veículos que teve, Militão destaca uma Yamaha modelo 80cc Cross; uma Suzuki modelo Intruder 125, e uma Harley-Davidson modelo Sportster Iron 883.

O cineasta Emanuel Costa Militão tem uma Harley-Davidson Dyna Street Bob 2015: associado número 1, ele é apaixonado pela estética e pela customização desses veículos de duas rodas (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
O cineasta Emanuel Costa Militão tem uma Harley-Davidson Dyna Street Bob 2015: associado número 1, ele é apaixonado pela estética e pela customização desses veículos de duas rodas
 

Assim como Militão, o engenheiro Flávio Bressan, de 48 anos, foi influenciado desde cedo pelo ícone da moto, como uma espécie de herança familiar. Os pais dele são motociclistas e estão na ativa até hoje. Além disso, sempre viajaram bastante de moto com o filho, desde a infância, o que de certo modo fez com que ele seguisse o mesmo caminho. “Em 2004, eu me tornei oficialmente motociclista e de lá para cá tive vários tipos de motos”, lembra Bressan ao citar, pelo menos, nove modelos. O engenheiro perdeu a conta de quantos quilômetros percorreu com elas, mas cita as viagens mais marcantes, como uma em que atravessou a Amazônia. “Nesse trajeto, foram 7,2 mil km sozinho pelo Norte do Brasil. Isso aconteceu em 2012, quando comprei uma Royal Enfield Classic 500, importada da Índia. E ela me permitiu realizar um sonho antigo.” No guidão da moto, ele também passou por Roraima, pelo Oiapoque e pelas Guianas.

 

Com três veículos na garagem de casa, Bressan menciona a necessidade de espaços como o da Kluster em Brasília: “É fantástico, completo. Estive lá há pouco para lavar a moto da minha mulher e acabei levando o meu motogrupo para conhecer. A galera ficou muito satisfeita. A proposta é muito boa, pois a maioria não tem espaço em apartamento para mexer nas motos. Então, lugares assim são bem viáveis para o nosso perfil”, diz.

Para o engenheiro Flávio Bressan, a vida sobre duas rodas começou cedo, já que seus pais 
são motoclistas também: herança familiar (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Para o engenheiro Flávio Bressan, a vida sobre duas rodas começou cedo, já que seus pais são motoclistas também: herança familiar
 

COMO UM CLUBE

Algumas atividades que podem ser realizadas na Kluster

 

 

èFazer manutenção das motos.

èParticipar dos workshops (mecânica básica e avançada, elétrica, solda, corte, modelagem de metal, customização, pintura, lettering, pinstripe).

èCustomizar a moto.

èRealizar eventos fechados.

èLavar a moto com material biodegradável e ecologicamente correto.

èUsar o bar, lounges, fazer churrasco.

èUtilizar os equipamentos e ferramentas disponíveis de acordo com o nível de experiência e realização dos workshops.

èTer acesso a descontos para os associados.

 

SAIBA MAIS

Como se associar?

O custo mensal da cota é de R$ 150. No pacote anual: R$ 120. No caso de não sócios, há duas possibilidades de cobrança: por diária ou por hora. A diária sai a R$ 100 e a hora, a R$ 50

Contato:

contato@klustermoto.com

 

DECORAÇÃO RETRÔ

Inaugurada oficialmente no dia 10 de março, a Kluster chama a atenção pelas cores do visual logo na fachada. O prédio, pintado de preto, exibe um letreiro luminoso em amarelo com o nome do estabelecimento. Na parte de dentro (foto), saltam aos olhos elementos decorativos retrôs, como uma geladeira e uma máquina registradora, além de capacetes, quadros, camisetas e peças. Esses acessórios se incorporam à arquitetura contemporânea, presente, por exemplo, no uso do concreto armado das paredes. Entre os itens expostos, alguns fazem referência a ídolos da dupla, como é o caso dos americanos Evel Knievel (dublê de motocicilismo) e Steve McQueen, ator, ambos envolvidos com o universo das motos.

 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
 

COMENTÁRIOS
Os comentários estão sob a responsabilidade do autor.

EDIÇÃO 62 | março 2018