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Ações ambientais têm ajudado a manter o lago Paranoá mais limpo

Especialistas dão dicas para incentivar a população a cuidar dele também e contam o que tem feito para retirar o lixo do lago

Julyerme Darverson - Publicação:14/09/2018 17:32Atualização:14/09/2018 18:00

O lixo é um dos principais agentes de contaminação ambiental do mundo e, além de representar uma ameaça à saúde das pessoas e dos animais, traz sérios problemas para o planeta. Segundo o Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU), cerca de 840 toneladas de lixo foram recolhidos pelo órgão no ano passado em todo o DF. Parte dos resíduos sólidos gerados pela população ainda é descartada de forma irregular, causando poluição florestal, fluvial e também do solo, o que traz grandes impactos para a natureza.

 

Em Brasília, uma das maiores preocupações quando se fala em lixo é o lago Paranoá, um dos principais cartões postais da capital federal. O professor Gustavo Souto Maior Salgado, do Núcleo de Estudos Ambientais da Universidade de Brasília (UnB), diz que é necessário ter uma preocupação com o descarte desses materiais e ressalta o papel do lago para a cidade. “Ele não é só importante pelo paisagismo, mas também nos oferece outros benefícios, pois é um ambiente para lazer, prática de esportes e pesca, por exemplo, e ajuda a controlar a umidade em tempos de seca”, explica. Salgado afirma ainda que o cuidado deve aumentar cada vez mais, já que o lugar passou a ser utilizado também para o abastecimento de água do DF. “O Paranoá tem uma importância para todos nós, principalmente agora com a crise hídrica. Foi criada uma estação de captação d’água, que veio para somar com as barragens que abastecem o DF”, diz.

Para Gustavo Salgado, professor do Núcleo de Estudos Ambientais da UnB, é preciso ressaltar o papel do lago para a cidade. 'Ele não é só importante pelo paisagismo, mas também nos oferece outros benefícios e ajuda a controlar a umidade em tempos de seca'
 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Para Gustavo Salgado, professor do Núcleo de Estudos Ambientais da UnB, é preciso ressaltar o papel do lago para a cidade. "Ele não é só importante pelo paisagismo, mas também nos oferece outros benefícios e ajuda a controlar a umidade em tempos de seca"
 

O SLU é um dos órgãos que auxiliam para evitar que o lixo vá parar no Paranoá. A entidade conta com equipes que fazem limpeza diariamente – nas margens e nas proximidades, como parques, Deck Sul, Deck Norte, em áreas de muita movimentação de pessoas e em pontos estratégicos –, mas não é responsável por fazer a limpeza dentro dele. A empresa também atua sempre que solicitada através da ouvidoria (pelo telefone 162). Em áreas de concessão pública e/ou privadas, como o Pontão do Lago Sul e os clubes, a responsabilidade fica com os administradores dos locais. “Geralmente, recolhemos resíduos comuns, como restos de alimentos e embalagens, igual ao lixo domiciliar. Quando solicitado, nossa equipe também recolhe entulho. Depois disso os resíduos são encaminhados para o Aterro Sanitário”, afirma Paulo Celso dos Reis Gomes, diretor-adjunto do SLU. Segundo Gomes, o órgão atua em conjunto com a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do DF (Adasa), Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) e Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) para conter os resíduos e evitar que cheguem ao lago.

Paulo Celso Gomes, diretor-adjunto do SLU, explica que a instituição não faz a limpeza do lago, mas de seu entorno: 'Geralmente, recolhemos resíduos comuns, como restos de alimentos e embalagens, igual ao lixo domiciliar' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Paulo Celso Gomes, diretor-adjunto do SLU, explica que a instituição não faz a limpeza do lago, mas de seu entorno: "Geralmente, recolhemos resíduos comuns, como restos de alimentos e embalagens, igual ao lixo domiciliar"
 

O Movimento Ocupe o Lago é uma das associações que contribuem para manter o Paranoá mais limpo. Desde 2014, o grupo já recolheu mais de 60 toneladas de lá. A instituição conta com uma base de voluntários fixos de 180 pessoas, formada geralmente por pessoas que já têm alguma relação com o lago, como gestores ambientais ou atletas. No geral, 3 mil voluntários estão no cadastro da associação. “A maior riqueza do movimento são os seus voluntários, pois são pessoas que tiram dois ou três dias durante o ano e se entregam à função de fazer algo legal para o bem do coletivo. É muito bom ver que o voluntário não se sente esgotado pela prática do trabalho, pois ele faz isso com muito afeto”, destaca Tony Lopes, presidente e coidealizador do Ocupe o Lago.

Presidente do Ocupe o Lago, Tony Lopes afirma que são os voluntários que fazem a diferença na hora de cuidar do Paranoá: 3 mil pessoas fazem parte do cadastro do movimento, criado em 2014 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Presidente do Ocupe o Lago, Tony Lopes afirma que são os voluntários que fazem a diferença na hora de cuidar do Paranoá: 3 mil pessoas fazem parte do cadastro do movimento, criado em 2014
 

A associação promove, há cinco anos, um evento em celebração ao Dia Mundial da Água, comemorado no dia 22 de março. “Todos os anos promovemos essa ação, além de estarmos presentes nos eventos esportivos que acontecem no Paranoá, que são em torno de cinco a oito por ano”, conta Lopes. Em 2016, o Ocupe o Lago contou com o apoio de 278 mergulhadores que fizeram a coleta subaquática. “Atuamos com foco em três pilares: na área ambiental, através da coleta desses resíduos; na esportiva e na cultural, explicando a história do lago e trabalhando com a ideia de ter a conservação e importância dos recursos hídricos”, enfatiza. 

 

O Complexo Na Praia organizou, em junho, a terceira edição do Clean Up Day, iniciativa com o intuito de conscientizar o público para cuidar melhor do lago. Para se ter uma ideia, neste ano foi retirada mais de 1 tonelada de resíduos. “Em dois anos já tiramos mais de 2 toneladas de lixo do lago. Sempre fazemos essa ação uma semana antes de começar o evento. Contratamos mergulhadores profissionais para fazer o trabalho”, diz Eduardo Azambuja, diretor de sustentabilidade do Na Praia e sócio da R2 Produções, responsável pelo evento.

Eduardo Azambuja, diretor de sustentabilidade do Na Praia, que em junho organizou a terceira edição do Clean Up Day: 'Em dois anos já tiramos mais de 2 toneladas de lixo do lago. Sempre fazemos essa ação uma semana antes de começar o evento' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Eduardo Azambuja, diretor de sustentabilidade do Na Praia, que em junho organizou a terceira edição do Clean Up Day: "Em dois anos já tiramos mais de 2 toneladas de lixo do lago. Sempre fazemos essa ação uma semana antes de começar o evento"
 

Segundo ele, este ano foi um número recorde de lixo. “Isso aconteceu porque trabalhamos com uma equipe maior de mergulhadores do que nas edições anteriores e expandimos a área de atuação também”, completa. O Na Praia também é parceiro da Associação dos Catadores Recicladores de Resíduos Sólidos de Brazlândia (Acobraz). Azambuja destaca a importância de ter o apoio da instituição e realizar práticas ambientais desse tipo: “A Acobraz é a grande parceira na triagem. O lixo é sempre tratado como um problema nos eventos, mas aqui é uma solução, pois gera renda para a associação. O lixo no nosso evento tem valor”, explica Azambuja. 

 

Para Gustavo Souto e Tony Lopes, é importante que a área em volta do lago tenha uma estrutura melhor, como a instalação de mais lixeiras e banheiros públicos, por exemplo. “Falta ter mais fiscalização, uma estrutura melhor e mais educação. Não faltam mecanismos para manter o lago limpo. Precisamos apenas que o poder público e a sociedade ajam de forma consciente”, declara Souto. “O Paranoá é o nosso mar. É importante também frisar que, além de fazer a limpeza, temos de passar um recado para a população não jogar lixo no lago, e que todo esse lixo é provocado pela ação humana”, diz Azambuja. “A comunidade fica muito acomodada esperando que apenas o governo faça alguma coisa. Esperar que a iniciativa pública faça algo, sem que nos movimentemos, pode ser um erro da nossa parte como cidadãos”, diz Lopes.

Triagem dos resíduos recolhidos do lago pelos mergulhadores do Na Praia: parceria com a Associação dos Catadores Recicladores de Resíduos Sólidos de Brazlândia (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Triagem dos resíduos recolhidos do lago pelos mergulhadores do Na Praia: parceria com a Associação dos Catadores Recicladores de Resíduos Sólidos de Brazlândia
 

OS NÚMEROS DO PARANOÁ

Área superficial 37,5 km²

Volume total 498 milhões de m²

Profundidade média 12,4m

Perímetro 11,8 km

Comprimento 40km

 

MUITO LIXO

Saiba as quantidades de resíduos recolhidas no lago

 

PELA SLU

No Deck Sul:

75 kg por dia

32 toneladas no total (desde maio do ano passado)

 

No Deck Norte:

50 kg por dia

22 toneladas por ano

 

NO CLEAN UP DAY

1ª edição: 360 kg

2ª edição: mais de 600 kg

3ª edição: mais de 1 tonelada

 

GRUPO OCUPE O LAGO

Desde 2014, mais de 60 toneladas de lixo

 

Fonte: especialistas consultados

Um cartão-postal de Brasília, o lago Paranoá também ajuda no abastecimento de água do DF
 (Tony Winston/Agência Brasília  )
Um cartão-postal de Brasília, o lago Paranoá também ajuda no abastecimento de água do DF
 

PARA EVITAR A POLUIÇÃO

Dicas de atitudes e medidas para o Paranoá ficar limpo

èNão jogar lixo no chão em áreas próximas e até distantes do lago, pois a água da chuva leva os resíduos para o fundo do lago

èInstalação de mais lixeiras

èIncentivar a coleta seletiva

èConscientizar a população sobre a importância do lago para a cidade

èInstalação de banheiros públicos próximos às margens do lago

èMelhorar o saneamento básico e evitar vazamento de esgoto e poluentes para o lago

èAções coletivas de limpeza nas proximidades e interior do lago, com a participação do poder público e população

 

Fonte: especialistas consultados

 

 

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EDIÇÃO 67 | outubro