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GASTRÔ | BEBIDAS »

Chá cai no gosto do público e impulsiona a abertura de casas especializadas na bebida

Vilhena Soares - Publicação:17/09/2018 17:37

Reza a lenda que o chá surgiu há mais de cinco mil anos na China, fruto de um simples acaso. Os chineses contam que, durante uma viagem, o imperador Shen Nung descansava debaixo de uma árvore, quando algumas folhas caíram dentro de sua xícara de água quente. A mistura teria provocado um sabor refrescante, que conquistou o imperador. Hoje, o chá é a segunda bebida mais consumida do mundo, perdendo apenas para a água. Apesar de sua popularidade global, a bebida demorou a ser adotada pelos brasileiros, mas esse cenário mudou. É o que podemos ver nas ruas de Brasília, onde não é difícil encontrar um lugar para experimentar a infusão.

Casas em diversos endereços da cidade oferecem os mais diferentes tipos de chás, que também podem ser preparados em casa: dos mais comuns aos mais nobres
 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Casas em diversos endereços da cidade oferecem os mais diferentes tipos de chás, que também podem ser preparados em casa: dos mais comuns aos mais nobres
 

Casas especializadas da cidade têm proporcionado aos brasilienses inúmeras opções da bebida oriundas de todo o mundo, que rendem as mais diversas combinações e sabores. Uma delas lojas é a Tea Shop, trazida por Murilo Brito, um dos pioneiros a se arriscar na proposta: “Sou um dos sócios dessa franquia, que abrimos em dezembro de 2016. Quando contava para conhecidos sobre projeto, várias pessoas me chamaram de doido, porque o brasileiro não tem hábito de tomar chá. Mas, como eu tinha estudado sobre o tema, vi que isso estava mudando”, diz.

 

A aposta deu certo e a casa de chá recebe diversas pessoas interessadas em experimentar as variadas infusões oferecidas pela loja – uma franquia de uma rede espanhola, com mais de 50 endereços espalhados pela Europa. “Os clientes têm sido muito receptivos. Eles conhecem os produtos e muitos voltam frequentemente. Hoje, vemos até bartenders que usam as ervas em sua mixologia e têm incorporado o chá a muitos drinques”, afirma Murilo.

Murilo Brito foi um dos primeiros a criar uma casa especializada diante 
da nova tendência em Brasília: ele abriu o negócio em 2016 e não se arrepende (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press )
Murilo Brito foi um dos primeiros a criar uma casa especializada diante da nova tendência em Brasília: ele abriu o negócio em 2016 e não se arrepende
 

O leque de possibilidades oferecidas pelo chá também tem servido como inspiração para criações brasilienses repletas de personalidade. É o caso de Renata Diniz, proprietária de uma casa que leva seu nome. “Ultimamente, um dos chás mais pedidos do cardápio é uma criação minha, que é servida com algodão-doce dentro da xícara e que além do sabor também proporciona uma bela visão”, conta a empresária. Renata Diniz ressalta que oferece amplo número de opções após ter percebido o interesse dos clientes por novidades. “Atualmente a febre é o Chai, que é indiano e contém leite. As pessoas querem expandir o paladar, sair da mesmice”, diz.

 

Renata adianta que pretende usar em suas próximas criações elementos presentes no Centro-Oeste. “Queremos incluir frutas da região. Estamos fazendo pesquisas e pretendemos usar a baunilha do cerrado em uma receita”, revela. Ela acredita que o chá não é apenas moda, veio para ficar. “Acho que com o tempo isso se torna um costume. Faz parte de mudanças naturais, que já vemos atualmente. Hoje, por exemplo, muitas pessoas não jantam mais à noite, preferem fazer um lanche mais leve”, afirma.

Dona de uma confeitaria na cidade, Renata Diniz acredita que o interesse por novidades é grande e por isso tem criado receitas: 'Ultimamente, um dos chás mais pedidos do cardápio é uma criação minha, que é servida com algodão-doce dentro da xícara' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Dona de uma confeitaria na cidade, Renata Diniz acredita que o interesse por novidades é grande e por isso tem criado receitas: "Ultimamente, um dos chás mais pedidos do cardápio é uma criação minha, que é servida com algodão-doce dentro da xícara"
 

Saborear uma xícara de chá pode tornar-se algo ainda mais prazeroso com um lugar agradável como cenário, capaz de intensivar a sensação de bem-estar e calma proporcionada pela bebida. É o que pensa Kleber Sampaio, proprietário da Vincent Casas de Chá, na Asa Norte. “Criamos um ambiente que combina com a bebida, com árvores, que passa uma ideia de casa, um lugar tranquilo, em que a pessoa faz uma pausa para ter uma conversa, bem diferente de fast food”, diz.

 

Sampaio conta que, ao visitar a casa e comer os doces e salgados, que harmonizam com a bebida, os clientes também aproveitam para tirar dúvidas sobre as infusões adquiridas. “Apoiamos e orientamos como a pessoa pode fazer o preparo da bebida que ela leva para casa. Muita gente não conhece o chá e depois de experimentá-lo acaba querendo saber mais.” Sampaio defende que, além de saboroso, o chá também proporciona melhoras à saúde. Segundo ele, as infusões podem, por exemplo, ajudar como auxiliares diuréticos, como o chá de hibisco e de erva-doce, e até auxiliam na redução do colesterol, como o chá vermelho.

Kleber Sampaio criou um ambiente tranquilo para servir a bebida: 
além de saboroso, o chá  proporciona melhoras à saúde (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Kleber Sampaio criou um ambiente tranquilo para servir a bebida: além de saboroso, o chá proporciona melhoras à saúde
 

Beatriz Amaral Pioto, proprietária da franquia do Rei do Mate em Brasília, destaca que pessoas interessadas em uma dieta mais saudável são maioria em seu público: “É uma tendência que vemos por aqui também. É grande a procura por quem quer opções mais leves, que não engordam”, diz. Beatriz ressalta que o clima de Brasília contribui para a venda do mate, que geralmente é consumido gelado. “As pessoas buscam muito pela bebida na época da seca, que é severa na cidade, pois realmente ela ajuda a refrescar. O mate com limão é um dos que mais sai, acredito que ele seja um dos preferidos da cidade”, diz.

Investir em 
uma franquia 
foi a aposta 
de Beatriz Pioto: as pessoas 
estão mais interessadas em uma dieta mais saudável, segundo ela  (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press )
Investir em uma franquia foi a aposta de Beatriz Pioto: as pessoas estão mais interessadas em uma dieta mais saudável, segundo ela
 

Fábio Pedrosa é um dos amantes das infusões. Ele se apaixonou pela bebida quando viajou à Suécia para cursar especializações em música e deparou com diversas opções de chá. “Eu me encantei quando vi aquela quantidade de latas e caixas, e a magia envolta nelas”, conta o ex-membro da banda Moveis Coloniais de Acaju. Pedrosa foi para a Argentina, fez um curso de sommelier em Buenos Aires e também frequentou feiras de chá pelo Oriente durante um ano sabático. A paixão foi tanta que resolveu transformar seu amor pela bebida no projeto Vai Té Chá. Em 2015, por meio de parcerias com grupos culturais e gastronômicos da cidade, ele começou a participar de eventos na cidade para vender as suas infusões.

 

O ex-músico viu crescer a procura pelos produtos, seu projeto ampliou e atualmente ele se prepara para transformá-lo em loja física. “Acredito que, por ser uma cidade cosmopolita, com várias pessoas que vieram de fora, quem vive aqui se engaja mais facilmente em coisas novas e diferentes”, afirma. Pedrosa também revela que os amantes da bebida possuem um perfil diferente do que a maioria imagina: “É interessante ver que os jovens são grande parte do meu público, muitos acham que apenas pessoas mais velhas se interessam pela bebida, mas isso não é a verdade”.

 

O músico também desenvolveu o projeto BSB Chá Clube, evento que ocorre esporadicamente, no qual amantes da bebida se reúnem com artistas da cidade, que usam seu ofício para apresentar as infusões ao público. “A ideia é agregar quem gosta de gastronomia, arte, design, moda e assim divulgar o universo do chá. Chamamos, por exemplo, vários ilustradores que apresentam histórias para cada um dos chás. Funciona como um grande mostruário”. Pedrosa adianta que o próximo evento deverá acontecer em setembro. “Essa é uma maneira que encontramos de agregar pessoas e apresentar o chá para a cidade, uma cultura que tem um potencial enorme para ser explorado”, diz.

O músico Fábio Pedrosa se apaixonou pela bebida quando foi à Suécia. Tanto que resolveu abrir na capital o projeto Vai Té Chá: 'Eu me encantei quando vi aquela quantidade de latas e caixas, e a magia envolta nelas' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press )
O músico Fábio Pedrosa se apaixonou pela bebida quando foi à Suécia. Tanto que resolveu abrir na capital o projeto Vai Té Chá: "Eu me encantei quando vi aquela quantidade de latas e caixas, e a magia envolta nelas"
 

DICIONÁRIO DOS AROMAS

CHÁS - provenientes das folhas da planta Camellia sinensis, cultivada em larga escala em países como China, Sri Lanka, Japão, Índia e Vietnã.

BLENDS - geralmente misturam à bebida sabores e aromas dos mais diversos, de flores e frutas às especiarias.

INFUSÕES - levam ingredientes como o alecrim, a valeriana, ou hibisco e não são derivadas da Camellia sinensis

 

ALGUMAS DAS CORES DO CHÁ

VERDE – com efeito diurético, é um potente antioxidante

PRETO – para quem busca energia para as atividades do dia. É indicado no café da manhã e no meio da tarde

AZUL OU OOLONG – variedade digestiva e aromática

VERMELHO – tem sabor terroso e é famoso por suas propriedades detox e depurativas

BRANCO – conhecido como o chá da beleza, é a variedade mais delicada, aromática, e tem poder antioxidante

 (Divulgação  )
 

 

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EDIÇÃO 67 | outubro