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CULTURA | MÚSICA »

Para ouvir jazz de graça: a boa música tem lugar em Brasília e há opções de espetáculos gratuitos na cidade

Um deles é o Buraco do Jazz, evento que está atraindo muita gente pela qualidade das apresentações

Paloma Oliveto - Publicação:17/09/2018 18:52Atualização:18/09/2018 10:11

Nenhum outro gênero musical gerou tantos estilos quanto o jazz, cujas origens remontam ao tráfico de africanos levados para o Sul dos Estados Unidos em navios negreiros. Eclético, o som foi influenciando a produção de diversos países, inclusive o Brasil, que o abraçou em suas formas mais puras ou na fusão com elementos nacionais. Em Brasília, o caso de amor com esse tipo de música é tão antigo quanto a cidade, inaugurada ao som das big bands no baile de gala oferecido pelo Palácio do Planalto, em 21 de abril de 1960.

 

O jazz, porém, está longe de ser elitista. Os muitos eventos gratuitos ou a preços populares que celebram o gênero na capital que o digam. Além de agradar aos já apaixonados pelo estilo, shows ao vivo ou em espaços culturais consagrados acabam conquistando novos seguidores desse som caracterizado, principalmente, pelo improviso e o virtuosismo dos instrumentistas.

Aluno toca violino em aula na Escola de Música: eventos abertos atraem o público a diversos espaços da cidade (Ana Rayssa/Esp. CB/DA Press)
Aluno toca violino em aula na Escola de Música: eventos abertos atraem o público a diversos espaços da cidade
 

Com dois anos e meio de existência, o Buraco do Jazz já é parte do calendário dos brasilienses que, todas as quintas-feiras podem ouvir o que há de melhor na produção e execução de artistas locais dedicados ao gênero. O evento começou timidamente, em um posto de gasolina da Asa Sul. Mas, 55 edições depois, já não comportava o público cativo, acrescido dos curiosos que foram chegando. Depois de uma temporada na Funarte, as apresentações migraram para o Parque da Cidade.

 

Para quem ainda não conhece, o Buraco do Jazz não é um evento qualquer, mas uma grande celebração à boa música. Ao ar livre e sem cobrança de ingresso, ele acontece nos fins de tarde das quintas-feiras no estacionamento 5 do parque. Rodeado por pinheiros, o público estende as cangas no chão e tem à disposição food trucks que vendem comidas e bebidas. Nas mais de 100 edições realizadas até agora, passaram pelos palcos artistas independentes, como Conexão Chicago, Vintage Quartet Jazz, Gambirasio Jazz Trio e Capivara Brassband, entre outros.

Público se reúne no Parque da Cidade para ouvir jazz: toda quinta-feira tem apresentação (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Público se reúne no Parque da Cidade para ouvir jazz: toda quinta-feira tem apresentação
 

A ideia de oferecer boa música de graça em um ambiente amistoso partiu do produtor e agitador cultural Gustavo Frade, depois de uma temporada de três anos no exterior. Na Geórgia, nos Estados Unidos, um dos berços do jazz, ele observou o sucesso que um evento semelhante fazia e decidiu montar algo nesses moldes quando retornou a Brasília: “Na primeira edição do Buraco do Jazz, foram 20 pessoas. Pouco depois, já eram 300”, conta. “Mais de 90% dos músicos que tocam no evento são professores ou estudantes da Escola de Música de Brasília. A qualidade é excelente, e pagamos muito bem”, observa. A queixa de Frade, porém, é que, embora incentive a cultura da cidade, não recebe apoio do GDF, nem mesmo na redução da taxa de ocupação do parque.

Gustavo Frade inspirou-se em um festival na Geórgia (Estados Unidos) para oferecer boa música de graça em um ambiente amistoso: 'Na primeira edição, foram 20 pessoas. Poucos depois, já eram 300' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Gustavo Frade inspirou-se em um festival na Geórgia (Estados Unidos) para oferecer boa música de graça em um ambiente amistoso: "Na primeira edição, foram 20 pessoas. Poucos depois, já eram 300"
 

Frequentador assíduo do Buraco do Jazz desde o início, o empreendedor Adriano Vilela Rodrigues, de 44 anos, destaca o clima agradável e a qualidade da música como chamarizes do evento: “Aqui, nunca teve confusão, é um ambiente acolhedor, e cada edição traz uma banda diferente”, diz. Apaixonado por jazz, ele comemora o fato de Brasília oferecer o gênero em diversos eventos. “Além do Buraco do Jazz, temos festivais, inclusive internacionais, onde podemos ver a fina-flor do estilo. Havia uma época em que esses eventos eram mais escassos, mas agora a cena está forte”, conta Adriano, que produz e vende as camisetas oficiais do Buraco do Jazz.

Adriano Rodrigues vende camisetas durante os shows do Buraco do Jazz: 'Havia uma época em que esses eventos eram mais escassos, mas agora a cena está forte' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Adriano Rodrigues vende camisetas durante os shows do Buraco do Jazz: "Havia uma época em que esses eventos eram mais escassos, mas agora a cena está forte"
 

Celeiro dos músicos que popularizam o jazz na cidade, a Escola de Música de Brasília também produz eventos abertos ao público com o melhor do estilo. A diretora da EMB, Edilene Maria Muniz de Abreu, esclarece que, embora muitas pessoas ainda pensem que a instituição seja voltada exclusivamente à música erudita, na verdade nenhum gênero, incluindo os populares, ficam de fora da oferta de cursos e de apresentações. “Temos um teatro muito confortável, com excelente acústica, onde acontecem recitais, apresentações de orquestra, canto, coral e de jazz”, diz.

 

De acordo com Edilene, os eventos da EMB não são frequentados apenas por alunos e familiares dos estudantes. A diretora explica que muitas pessoas sem vínculo com a escola comparecem nos eventos, justamente por saberem que vão ouvir música de alta qualidade, executada tanto por professores quanto pelos aprendizes. A escola promove semanas temáticas, quando determinados instrumentos ou gêneros são contemplados em apresentações abertas ao público. Para acompanhar a programação, a diretora recomenda entrar na página da instituição, onde os eventos são divulgados.

 

Também para quem prefere acompanhar as apresentações no conforto de uma poltrona e com a certeza de que nenhum barulho vai atrapalhar a apreciação da música, a Casa Thomas Jefferson oferece há 31 anos, sem interrupções, o evento Sextas Musicais, onde vários estilos são contemplados, incluindo o jazz. O produtor cultural da Thomas, Luiz Carlos Costa, explica que o objetivo da tradicional escola de inglês da cidade é “promover a cultura e a educação por meio de diversas atividades”.

A Banda Bradixie se apresenta com frequência na escola Thomas Jefferson: projeto Sextas Musicais reúne artistas que se dedicam à música (Luís Carlos Costa/Divulgação)
A Banda Bradixie se apresenta com frequência na escola Thomas Jefferson: projeto Sextas Musicais reúne artistas que se dedicam à música
 

Totalmente gratuitas, as apresentações das sextas trazem a Brasília músicos reconhecidos em todo o mundo e, não raramente, premiadíssimos. “As Sextas Musicais não são entretenimento apenas, no sentido de um evento em que se vai para tomar cerveja. Estabelecemos parceria com artistas que se dedicam à música no estado da arte, e não ao negócio. São artistas que têm uma vida inteira dedicada à música”, afirma Costa, destacando que, cada vez mais, há apresentações de blues, jazz e MPB na programação. Ele esclarece que, independentemente do estilo, o que se faz nos palcos da Thomas é música de concerto, ou seja, aquela em que o virtuosismo do artista é o grande destaque.

 

De acordo com o produtor cultural, o jazz é o estilo musical mais tocado no planeta e, em Brasília, há artistas consagrados que se dedicam ao gênero, como o contrabaixista Osvaldo Amorim, o pianista Renato Vasconcellos, a cantora Patrícia Carpaneda, a Banda Bradixie e o clarinetista Manuel Carvalho, idealizador da Brapo, big bang pioneira do jazz na capital — todos frequentadores dos palcos da Thomas. Muitos dos instrumentistas e cantores nascidos ou criados na cidade, inclusive, fazem carreiras de sucesso no exterior e, quando retornam para temporadas no Brasil, marcam presença no Sextas Musicais.

Concerto da Brapo, big bang pioneira do jazz na capital: ela também marca presença em espetáculos gratuitos (Marcelo Dischinger/Divulgação)
Concerto da Brapo, big bang pioneira do jazz na capital: ela também marca presença em espetáculos gratuitos
 

Ainda em agosto, Brasília vai ganhar mais um espaço para os músicos de jazz da cidade. O ator, produtor e diretor teatral Alvaro Neto começa a oferecer, às quartas-feiras, shows do gênero no Instituto de Artes e Cultura Alvaro Neto, na Asa Norte. “Brasília é uma cidade bem receptiva ao jazz. A ideia das Quartas no N27 é trazer uma cultura diferenciada, não só com músicos da cidade, mas todos que estiverem disponíveis para participar do projeto”, conta. No primeiro mês de atividade, o público poderá assistir às apresentações de Leci Marinho e Banda, Black Velvet, Clara Telles e Bruno Yakalos.

O ator e diretor teatral Alvaro Neto vai produzir shows no instituto que leva seu nome, na Asa Norte: 'Brasília é uma cidade bem receptiva ao jazz', diz  (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
O ator e diretor teatral Alvaro Neto vai produzir shows no instituto que leva seu nome, na Asa Norte: "Brasília é uma cidade bem receptiva ao jazz", diz
 

ONDE OUVIR JAZZ EM BRASÍLIA

 

Confira algumas opções de shows do estilo mais tocado no mundo

 

èBuraco do jazz: todas as quintas-feiras no estacionamento 5 do Parque da Cidade. Gratuito. Informações:

www.facebook.com/buracodojazz

 

èEscola de Música de Brasília: alguns eventos são gratuitos e outros pagos. A programação pode ser conferida em: 

www.facebook.com/escolademusicadebrasilia2017

 

èSextas musicais da Casa Thomas Jefferson: todos os eventos são gratuitos. A programação pode ser conferida em:

http://thomas.org.br/eventos 

 

èQuartas no N27: show a R$ 20. Site do evento: www.ican.com.br

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EDIÇÃO 65 | agosto