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Intercâmbio nas férias: começo do segundo semestre é a hora ideal para programar as próximas viagens

Que tal aproveitar para fazer um curso no exterior? É possível treinar um idioma num período mais curto, sem deixar de se divertir

Maíra Nunes - Publicação:20/09/2018 17:39

A estudante Júlia Canuto, de 17 anos, partiu em uma aventura para praticar o inglês assim que concluiu o curso de seis anos na Cultura Inglesa. Meses antes de se formar, Júlia recebeu um panfleto e viu que os programas de intercâmbio coincidiriam com as férias dela. “Seria muito enriquecedor passar um mês praticando tudo o que aprendi, era a hora de eu colocar meu inglês à prova”, diz. Entre as várias opções de destinos e programas estudantis ela escolheu a que incluiu três semanas estudando em uma universidade de Londres, na Inglaterra, e um tour por Paris, na França.

 

A jovem de Brasília, que sempre desejou conhecer pessoas de outros países, acabou em uma turma com italianos, chineses, espanhóis, russos e cazaques. Júlia conta que estudava e passeava todos os dias: “Foi enriquecedor. Aprendi muito sobre como gerir meu dinheiro, já que era apenas eu e ele em outro país. Ainda aperfeiçoei minha conversação, adquiri maturidade, sem contar na troca cultural que recebi”, enumera.

A estudante Júlia Canuto, que acabou de voltar de um intercâmbio de um mês em Londres: 'Foi enriquecedor. Aperfeiçoei minha conversação, adquiri maturidade, sem contar na troca cultural que recebi' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
A estudante Júlia Canuto, que acabou de voltar de um intercâmbio de um mês em Londres: "Foi enriquecedor. Aperfeiçoei minha conversação, adquiri maturidade, sem contar na troca cultural que recebi"
 

Segundo o diretor de mercado e desenvolvimento da Cultura Inglesa, Rodrigo Fontes, os destinos mais visados para estudar inglês por meio da escola são Estados Unidos, Canadá e Inglaterra. E o curso de inglês geral é o mais procurado, mas ele ressalta que são muitas as opções existentes no mercado: “Temos cursos de liderança e business com aulas voltadas para a área de atuação, além de programas que incluem cursos de inglês e atividades extras, como surfe, dança, fotografia”, explica Fontes.

 

Júlia, que terminará o ensino médio no fim de 2018 e pretende cursar publicidade, aposta que tudo que foi adquirido nessas férias em Londres será útil futuramente e que a fará entrar no mercado de trabalho com outra mentalidade. De acordo com a idade, o objetivo ao fazer um intercâmbio muda. Estudantes de 14 a 17 anos, em geral, buscam desenvolver o idioma e conhecer novos lugares, enquanto os adultos visam a carreira profissional. As vivências, porém, vão além do peso no currículo: “Se eu recomendo algo assim?”, retruca Júlia, com a mesma pergunta feita para ela. “Claro! Se tiver a oportunidade de fazer um intercâmbio express, não deixe o medo, a insegurança, a saudade ou qualquer outro sentimento impedirem de viver algo único. As memórias ficarão para sempre!”, diz.

 

Fazer um intercâmbio no país falante do idioma que se está aprendendo é muito benéfico, pois o estudante consegue praticar em uma situação real. Muitas pessoas, no entanto, acreditam que o intercâmbio substitui as aulas por completo. Segundo a superintendente acadêmica da Casa Thomas Jefferson, Isabela Villas Boas, esse é um grande mito: “A aprendizagem de uma língua leva tempo, precisa de constância e determinação”, afirma. O intercâmbio é indicado a pessoas que tenham pelo menos um nível intermediário no idioma. “É preciso ter uma base da língua para conseguir estabelecer uma conversa. E, com apenas o básico, a pessoa tende a ficar com mais vergonha de falar”, explica a superintendente acadêmica. Por outro lado, segundo ela, há o mito de que um curto período em outro país fará o estudante saltar muitos níveis no curso regular após o intercâmbio. “Alguns até conseguem, porque são vários tipos de cursos e há pessoas que realmente têm mais facilidade do que outras, mas isso é muito relativo”, diz Isabela.


Isabela Vilas Boas, da Casa Thomas Jefferson, diz que é preciso ter uma base 
da língua para aproveitar essa experiência: 'Dessa forma, o estudante pratica 
o inglês e ainda tem contato com o vocabulário da área de conhecimento dele' (Vinícius Santa Rosa/Esp. Encontro/DA Press)
Isabela Vilas Boas, da Casa Thomas Jefferson, diz que é preciso ter uma base da língua para aproveitar essa experiência: "Dessa forma, o estudante pratica o inglês e ainda tem contato com o vocabulário da área de conhecimento dele"
 

O que não significa que o curso não seja válido. É uma boa experiência para colocar em prática o que se está aprendendo. A pessoa fica mais desinibida e desenvolve fluência e vocabulário por ter de aprender na prática. Já quando o estudante conta com um nível bem avançado do idioma, Isabela recomenda buscar um curso em inglês e não de inglês. A filha dela que estuda economia no Brasil, por exemplo, cursou duas disciplinas do curso em uma faculdade americana. “Dessa forma, o estudante pratica o inglês e ainda tem contato com o vocabulário da área de conhecimento dele, além de poder colocar isso no currículo”, diz.

 

São várias as universidades que abrem vaga para alunos internacionais durante as férias em disciplinas que duram de quatro a oito semanas. E é possível pesquisar essas oportunidades no site das instituições ou buscar por mais informações no portal da União Social de Assistência dos Estados Unidos (em português: www.usa.org.br). É comum que as instituições ofereçam, inclusive, alojamentos estudantis. Para os alunos do ensino médio que já têm um nível mais avançado do inglês também há programas de cursos como empreendedorismo ministrados em inglês.

 

Coordenador do Ensino Médio do Marista de Brasília, Matheus Kaiser aconselha os estudantes dos últimos anos do colégio a dar preferência a intercâmbios em universidades em vez de high school, o equivalente americano ao ensino médio. “O aprendizado com a língua é mais interessante e a experiência já destina um pouco para o que o estudante pretende cursar na faculdade”, explica. “Além de ficar muito mais fácil para o estudante voltar para a instituição em uma futura iniciativa acadêmica após ter tido uma experiência nela”, argumenta Kaiser.

Matheus Kaiser coordena o ensino médio do colégio Marista e sugere cursos 
em universidades: 'O aprendizado com a língua é mais interessante e a experiência 
já destina um pouco para o que o estudante pretende cursar na faculdade'
 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Matheus Kaiser coordena o ensino médio do colégio Marista e sugere cursos em universidades: "O aprendizado com a língua é mais interessante e a experiência já destina um pouco para o que o estudante pretende cursar na faculdade"
 

Com oito anos de atendimento a famílias para intercâmbios, ele também recomenda que estudantes do ensino médio deem preferência a cursos curtos, que possam ser feitos nas férias escolares. “Há um investimento emocional e financeiro alto, que exige muita maturidade do estudante ainda jovem”, afirma. Além disso, o coordenador explica que um período maior longe das aulas regulares no Brasil exige muita disciplina e foco dos estudantes antes, durante e depois de cursos que duram mais de três meses, para não ter perdas acadêmicas.

 

Se há mitos que envolvem o intercâmbio, há também muitos preconceitos sobre o tema. O principal deles é a hospedagem em casas de família. “Os brasileiros são acostumados com individualismo e buscam certa privacidade mesmo em experiências desse tipo, mas na Europa as casas de família são muito comuns”, diz Robson Adriano Paulo, mediatecário da Aliança Francesa de Brasília, com 16 anos de experiência com intercâmbios para a França. Robson explica que a casa de família é a opção que fica mais em conta financeiramente e que oferece uma imersão mais aprofundada, tanto no idioma quanto na cultura do lugar. “A convivência com a família proporciona uma comunicação muito frequente, em que se pega o vocabulário do dia a dia, de utensílios e de afazeres da casa”, diz. “Eu mesmo passei por isso, fiquei em casa de família quando fui a Lion”, completa.

Robson Paulo, da Aliança Francesa, tem 16 anos de experiência nessa área: 
'A convivência com a família proporciona uma comunicação muito frequente, 
em que se pega o vocabulário do dia a dia, de utensílios e de afazeres da casa' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press  )
Robson Paulo, da Aliança Francesa, tem 16 anos de experiência nessa área: "A convivência com a família proporciona uma comunicação muito frequente, em que se pega o vocabulário do dia a dia, de utensílios e de afazeres da casa"
 

Um dos preconceitos é que há uma idade para se hospedar em casas de família, mas não há, adverte Robson: “Uma senhora de 72 anos vai ficar em casa de família. Mandei uma outra em tratamento de câncer para casa de família e ela já voltou e adorou, mesmo diante das precauções por causa da doença”, conta. A experiência de um intercâmbio atrai público de todas as idades. Pessoas que visam aprender o idioma para um futuro mestrado, senhores que buscam realizar experiências pessoais que só conseguiram concretizar agora, adolescentes que os pais enviam por acreditarem ser importante que façam ainda jovens.

 

Para Robson, o maior diferencial de um intercâmbio está na vivência fora da sala de aula. Em uma viagem, é possível ver nas construções, nos palácio e na arquitetura das cidades o que se estudou nos livros. Vivenciar a cultura de outro país nas ruas, ouvir os músicos locais tocarem e conversar com as pessoas faz grande diferença. Tem muita gente que tem o nível avançado no idioma, mas não tem a fluência, “porque é difícil falar um idioma sem passar pela experiência da imersão”, explica. “Ter de se expressar em situações variadas em outro país é o teste final”, diz.

 

O servidor público Jorge Augusto Lima Valente, de 39 anos, tem três intercâmbios nas costas. Na última vez, ficou hospedado em casa de família no mês que passou em Bordeaux, França. “É uma aposta. Eu dei sorte, conversava com eles todos os dias e nos demos tão bem que eles me convidaram para ir à sua casa de campo após o período do meu curso”, conta. Além da imersão cultural, Jorge colheu resultados no idioma: “Parece que desatou um nó na minha cabeça. Eu fiquei confiante para falar francês”, conta.

O servidor público Jorge Augusto Valente já fez três intercâmbios e no último deles passou um mês em Bordeaux, França, em casa de uma família: 'Parece que desatou um nó na minha cabeça. Eu fiquei confiante para falar francês' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
O servidor público Jorge Augusto Valente já fez três intercâmbios e no último deles passou um mês em Bordeaux, França, em casa de uma família: "Parece que desatou um nó na minha cabeça. Eu fiquei confiante para falar francês"
 

Jorge Augusto, que havia estudado um ano e meio quando se aventurou em Bordeaux, em 2017, ressalta que existem muitos mitos culturais. “Eu perguntava para a família em que fiquei o que eu podia ou não fazer. Mas é preciso saber que existem diferenças de comida, de hábitos… A pessoa precisa ir com o coração aberto”, diz. O intercâmbio na França foi o terceiro dele. O primeiro foi em 2011, quando já tinha quatro anos que estudava alemão e passou um mês em Schwäbisch Hall, uma cidadezinha de 40 mil habitantes na Alemanha, próximo a Stuttgart. Em 2015, ele passou um mês em Göttingen e outro mês em Freiburg im Breisgau, outras duas cidades alemãs.

 

SETE PASSOS PARA O INTERCÂMBIO

Dicas de como se planejar para fazer um bom curso, aproveitando as férias

 

1 | Procurar uma escola de renome, que ofereça turmas com diversidade de nacionalidades entre os estudantes e conferir quais instituições reconhecem aquela escola, além de pedir referências de quem já fez um curso.

 

2 | Para quem já tem o nível avançado em inglês, fazer um curso em inglês e não de inglês, se possível em universidade. Há muitas delas que abrem vaga para alunos internacionais no período de férias.

 

3 | Pesquisar nos sites das próprias instituições, no portal da União Social de Assistência dos Estados Unidos (www.usa.org.br), que conta com informações em português, ou em agências de intercâmbio.

 

4 | Ir a pelo menos três agências de intercâmbio e pedir referências com quem já usou os serviços da agência ou já foi para o destino almejado.

 

5 | Começar a planejar o intercâmbio com pelo menos quatro meses de antecedência, pela necessidade de providenciar a documentação, como o passaporte e o visto, em determinados países, além de comprar passagens aéreas e se preparar financeiramente.

 

6 | Atentar para a estação do ano. Fora do Brasil, as mudanças climáticas são bem intensas e ir no verão ou no inverno faz toda a diferença.

 

7 | Principalmente aos estudantes mais jovens, é preciso que os pais deem uma boa orientação financeira aos filhos para lidarem com os gastos de uma viagem, principalmente em outra moeda. Muitos estudantes gastam a quantia prevista para o mês todo nos primeiros dias do intercâmbio.

Fonte: especialistas entrevistados

 

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EDIÇÃO 67 | outubro