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BRASILIENSES 2018 »

Professor com muito orgulho

Primeiro pesquisador sul-americano e um dos poucos fora dos EUA a receber prêmio de fisiologia e medicina, ele quer incutir nos alunos o espírito dedicado às pesquisas científicas

Paloma Oliveto - Publicação:19/12/2018 13:00

CIÊNCIA | LAURO VIANNA

PERFIL 
LAURO VIANNA
 
40 anos

Natural de Salvador (BA), vive em Brasília desde 2014

Casado, 2 filhas

Graduado, mestre e doutor em educação física, com pós-doutorado nas universidades Federal Fluminense e de Missouri-Columbia (EUA). Bolsista nos EUA na área de fisiologia

Professor-adjunto da Faculdade de Educação Física da UnB e professor permanente dos programas de mestrado e doutorado em educação física e ciências médicas da UnB (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
PERFIL
LAURO VIANNA
40 anos
Natural de Salvador (BA), vive em Brasília desde 2014
Casado, 2 filhas
Graduado, mestre e doutor em educação física, com pós-doutorado nas universidades Federal Fluminense e de Missouri-Columbia (EUA). Bolsista nos EUA na área de fisiologia
Professor-adjunto da Faculdade de Educação Física da UnB e professor permanente dos programas de mestrado e doutorado em educação física e ciências médicas da UnB
 

Era uma sexta-feira e Lauro Vianna saía para buscar a filha na escola quando recebeu a notícia: ele havia conquistado o Prêmio de Excelência em Fisiologia Integrativa e Medicina, um dos mais importantes do mundo, concedido pela Sociedade Americana de Fisiologia. “Já pedi umas três pizzas e fui tomar cerveja”, conta, rindo. Nascido em Salvador e brasiliense de coração, o pesquisador e professor é o primeiro sul-americano a receber a honraria que, em 20 anos, só havia agraciado duas vezes cientistas de instituições fora dos Estados Unidos.

 

Embora o mais importante, esse não é o único prêmio que reconhece a atuação de Vianna. Toda a carreira do pesquisador é pontuada por premiações. “Frutos de muito estudo, dedicação e seriedade”, diz. Sua linha de trabalho é sobre a fisiologia integrativa, de como a parte física e clínica de uma pessoa responde ao estresse físico ou mental. Em um país onde a ciência não recebe o investimento que merece, Vianna sempre correu atrás de oportunidades, e foi assim que conquistou para a UnB financiamento estrangeiro para a construção do Laboratório de Fisiologia Integrativa (NeuroVASQ). “O laboratório não deixa nada a desejar aos melhores do mundo”, orgulha-se. Nele, hoje trabalham quatro doutorandos, um professor visitante e dois mestrandos, além de alunos com bolsa de iniciação científica.

 

Quando cursou o doutorado sanduíche na Universidade de Birmingham, na Inglaterra, Vianna encontrou uma realidade de investimento e incentivo à ciência bem diferente do que conhecia no Brasil Depois, como pesquisador de pós-doutorado nos Estados Unidos, teve mais contato com uma cultura de valorização da produção científica que, por outro lado, exige dedicação do profissional. “Aprendi a gestão de projetos de pesquisa e criei uma estratégia de ficar atento aos editais”, diz. O cientista teria ficado nos Estados Unidos, mas a dificuldade de adaptação ao frio e a saudade da família fizeram com que retornasse ao Brasil. Para sorte dos alunos da UnB, ele prestou concurso para a instituição e assumiu a vaga de professor em março de 2014. “Ao mesmo tempo que dava aulas, eu escrevia meus artigos e me inscrevia em todas as oportunidades. Foi assim que consegui montar o laboratório”, revela.

 

Apaixonado por lecionar, Vianna se orgulha de incutir nos estudantes esse espírito de pesquisador dedicado e atento às oportunidades. Ele conta que todos os alunos que orienta no doutorado já receberam os mesmos prêmios internacionais que ele conquistou quando estava nessa fase da pós-graduação. O cientista manifesta o quanto ama Brasília. Costuma frequentar bares e restaurantes, além de parques, onde gosta de passear com a família. Torcedor autodeclarado fanático pelo Bahia, gosta de asssistir aos jogos do time, em estádios ou em casa com amigos, nos momentos de lazer. “Não é fácil ser casado com um pesquisador dedicado. Minha mulher, Tatiana, com quem namoro desde os 19 anos, sempre me apoiou, e ela sabe que meu prêmio também é dela”, declara. Vianna revela que a filha mais velha, Laura, de 7 anos, dá sinais de se interessar por ciência, mas afirma que sempre apoiará as escolhas dela e de Júlia, de 3. “Tatiana é economista, então é ela quem ganha dinheiro na casa. Por isso, diz que nenhuma das meninas vai fazer ciência”, brinca.

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