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BRASILIENSES 2018 »

Transformadora de vidas

Ela conheceu o abandono familiar de perto. Fez disso um motivo para ajudar milhares de crianças. Sua história virou livro e lhe rendeu, neste ano, um prêmio nacional

Paloma Oliveto - Publicação:19/12/2018 13:19

AÇÃO SOCIAL | MARIA DA GLÓRIA NASCIMENTO

PERFIL 
MARIA DA GLÓRIA NASCIMENTO DE LIMA 
 
73 anos
Natural de Buque (PE), vive em Brasília há 48 anos

Viúva, mãe de 3 filhas

Estudou até o ensino fundamental

Fundadora do Lar da Criança Padre Cícero, recebeu o prêmio Paul Donovan Kigar 2018 (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
PERFIL
MARIA DA GLÓRIA NASCIMENTO DE LIMA
73 anos
Natural de Buque (PE), vive em Brasília há 48 anos
Viúva, mãe de 3 filhas
Estudou até o ensino fundamental
Fundadora do Lar da Criança Padre Cícero, recebeu o prêmio Paul Donovan Kigar 2018
 

A vida de Maria da Glória Nascimento de Lima é daquelas que rende um livro. Tanto que ela, de fato, tornou-se a personagem principal de uma obra literária lançada no ano passado e reconhecida pelo International Latin Book Award como o melhor livro de não ficção em língua portuguesa. Agora, foi a vez de Glorinha, como é carinhosamente conhecida, ser laureada. Ela acaba de receber o prêmio Paulo Donovan Kigar 2018, em cerimônia realizada na Câmara Municipal de São Paulo. Trata-se de uma honraria concedida a pessoas e instituições que contribuíram para a construção de um mundo mais humano e mais justo, idealizada pelo produtor cultural e mestre de cerimônias Malcolm Forest. “Eu me senti uma princesa. Quem me entregou o prêmio foi o príncipe [dom João de Orleans e Bragança]”, conta, cheia de simpatia, essa mulher que, sem estudos, conseguiu transformar a vida de 2,5 mil crianças que passaram pelo Lar da Criança Padre Cícero, fundado por ela em 1984. A instituição de Taguatinga abriga hoje 20 bebês de até 2 anos de idade. Para evitar novos abandonos, Glorinha também construiu três creches. Assim, as mães podem trabalhar sabendo que seus filhos estão bem cuidados.

 

De abandono a pernambucana de Buque entende bem. Órfã de mãe, foi deixada pelo pai na porta de um mosteiro franciscano em Juazeiro do Norte (CE) quando tinha apenas 3 anos. Adotada por um vizinho da residência religiosa, Glorinha desde cedo mostrou vocação para acolher crianças. Aos 8 anos, deparou-se com um bebê abandonado debaixo de uma árvore e convenceu o pai a recebê-lo em casa até que a família biológica fosse encontrada.

 

Em 1970, já casada e mãe de três filhas, a família de Glorinha decidiu se mudar para Brasília, em busca de emprego. Na casa dela, em Taguatinga, começou a acolher crianças abandonadas pelos pais. Em 1984, fundou o Lar da Criança Padre Cícero, oficializando o trabalho que já fazia voluntariamente há tanto tempo. Desde então, perdeu as contas de quantos meninos e meninas chegaram doentes e com fome e, ao serem acolhidos por ela, receberam carinho e amor pela primeira vez.

 

A história de Glorinha impressionou a psicóloga Adriana Kortlandt, que a conheceu em 2001 e passou muitos anos tentando convencê-la a transformar sua vida em livro. Modesta, não achava que sua trajetória interessaria alguém. Mas, com persistência, Adriana conseguiu que em 2015 Glorinha concordasse com a biografia, chamada A Casa da Vida.

 

A fundadora do Lar da Criança Padre Cícero diz que o prêmio recebido na Câmara Municipal de São Paulo não é só dela: “Não fiz nada sozinha, muitas pessoas me ajudam”, diz, sendo modesta mais uma vez. Aos 73 anos, pretende continuar o trabalho social enquanto viver. “Eu vim para servir”, diz. “E para isso, estou sempre pronta.”

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EDIÇÃO ESPECIAL | BRASILIENSES DE 2018