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Projeto verão: especialistas dão dicas para deixar a autoestima em alta

Dicas de profissionais da saúde para não cair em receitas milagrosas e, sim, se preparar para chegar com a autoestima em alta à estação que mais movimenta praias e clubes do Brasil

Maíra Nunes - Publicação:20/12/2018 17:12Atualização:20/12/2018 18:22

A advogada Camila Marinho, de 26 anos, já equilibrava boa alimentação com atividade física regular. Com a chegada do verão, aproveitou para renovar a motivação. Planejou uma viagem com as amigas para passar o ano novo em Pipa, no Rio Grande do Norte. Mas o grupo não se juntou apenas para a viagem com destino à praia. Muito antes de entrar no avião, elas encararam, juntas, o desafio de 70 dias de academia para estarem bem e com a autoestima em dia para a chegada de 2019.

A advogada Camila Marinho também está no grupo do Projeto Pipa: 'O nosso objetivo não é alcançar um padrão de beleza de revista, mas simplesmente usar um biquíni nos sentindo bem' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
A advogada Camila Marinho também está no grupo do Projeto Pipa: "O nosso objetivo não é alcançar um padrão de beleza de revista, mas simplesmente usar um biquíni nos sentindo bem"
 

Para a brasiliense Camila, ter um objetivo fixado ajuda a motivá-la a intensificar um pouco mais os treinos e levar a dieta mais à risca. Isso porque ela já levava uma rotina saudável, com prática de exercícios físicos e cuidados com a alimentação. No grupo de WhatsApp das amigas há até mesmo quem aproveitou o projeto verão como estímulo para começar a frequentar a academia. “É muito importante, porém, que a mudança ocorra na cabeça primeiro”, diz Camila, que explica: “O nosso objetivo não é alcançar um padrão de beleza de revista, mas simplesmente usar um biquíni nos sentindo bem”.

 

Outra amiga a integrar o projeto, a engenheira de produção Juliana Padrão, também de 26 anos, ressalta a tentativa de fugir de estereótipos ligados às mulheres: “Nossa expectativa não é ficar supersaradas, e sim de nos sentirmos bem com nossos corpos e cabeças”, conta. Juliana diz que cada uma das participantes do desafio tem a própria percepção do que pretende englobar com o “Projeto Pipa”, como denominaram a proposta que inclui dedicação à prática de atividades físicas e uma alimentação saudável. O grupo no WhatsApp foi criado para que uma incentive a outra. As conquistas são pessoais e o compartilhamento delas tem como objetivo a motivação de cada uma. “Mandamos as novas medidas do corpo, fotos na academia... Mas nada para ser um comparativo entre nós”, ressalta.

A engenheira Juliana Padrão aderiu ao desafio criado pelas amigas: 70 dias de academia antes de uma viagem para uma praia (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
A engenheira Juliana Padrão aderiu ao desafio criado pelas amigas: 70 dias de academia antes de uma viagem para uma praia
 

As academias também aproveitam o fim de ano para inovar. A Bodytech implementou desafio parecido ao das amigas de Brasília que vão para Pipa. No caso da academia, são 30 dias em que os alunos que aderiram ao compromisso frequentam a academia todos os dias. “O objetivo é criar assiduidade aqui e com a própria atividade física. Criar um hábito para ser mantido até depois do desafio”, afirma a professora de musculação Paula Karoline Machado.

 

Para ela, a estação do ano favorece as pessoas a aderirem mais a projetos com propostas nessa linha. Não à toa, academias e parques ficam lotados. “É uma forma de recarregar as baterias para tentar começar o ano com novos hábitos, entrar em nova fase”, observa. Paula diz que, em outra experiência que teve com a mesma metodologia, as alunas que aderiram na época seguem ativas até hoje. A profissional de educação física, porém, alerta que em um prazo curto não há milagres, embora seja possível sentir diferença em disposição, humor, retenção hídrica: “Não dá para ter tanto resultado na balança, por exemplo, mas os praticantes já começam a sentir diferença nas roupas, porque ocorre o desinchaço e isso ajuda como fator motivacional para continuar”, diz. Além da malhação, o desafio inclui acompanhamento nutricional personalizado.

Paula Karoline, professora de musculação, lembra que nesta época do ano muita gente adere a programas para perder peso: em um prazo curto não há milagres, mas é possível ganhar mais disposição (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Paula Karoline, professora de musculação, lembra que nesta época do ano muita gente adere a programas para perder peso: em um prazo curto não há milagres, mas é possível ganhar mais disposição
 

Estipular metas individuais pode contribuir como fator motivador, mas a professora de musculação destaca a importância de inserir atividades que sejam agradáveis ao praticante e que as metas sejam atingíveis. Caso contrário, segundo Paula, o efeito pode ser oposto e o interessado se sentir desestimulado. “Cada indivíduo é único e tem uma forma de se desenvolver. Conseguir cumprir um desafio, desde fazer um movimento ou pular corda, pode ser muito mais gratificante do que perder peso em atitudes malucas”, diz Paula.

 

A falta de tempo é um dos fatores que as pessoas mais alegam para não levar uma vida ativa. Josiel Cabral, coordenador da Fit One, conta que uma das principais dificuldades é que os alunos renovem os planos. Aproveitando a época do ano que mais atrai adeptos às academias, a Fit One propôs uma modalidade que atende às pessoas que têm pouco tempo para malhar fora de casa. Abriu aulas de burn bootcamp, atividade com inspiração em treinamentos militares com alta intensidade, que tem duração menor que as outras, de 30 minutos. “Programas de maior intensidade, que necessitam menos tempo, têm ganhado adeptos”, observa Josiel. As aulas de burn bootcamp englobam tanto atividades aeróbicas quanto anaeróbicas, em uma sala criada especialmente para a modalidade. Nela, há esteiras, remos ergométricos e espaços para atividades como pular corda, saltos. O aluno faz circuitos em que se dedica de dois a três minutos em cada aparelho e a promessa é de perda rápida de peso.

O educador físico Josiel Cabral fala sobre atividades de maior impacto, como o burn bootcamp, inspirado em exercícios militares: 'Programas de maior intensidade e que necessitam de menos tempo de execução têm ganhado adeptos' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
O educador físico Josiel Cabral fala sobre atividades de maior impacto, como o burn bootcamp, inspirado em exercícios militares: "Programas de maior intensidade e que necessitam de menos tempo de execução têm ganhado adeptos"
 

No caso da servidora pública Jean Carla Rodrigues Carvalho, de 44 anos, a motivação para aderir ao burn bootcamp foi diversificar as atividades para sair da rotina da academia. Adepta à corrida de rua e ao treinamento funcional, ela de quebra desfrutará do bem emocional da dedicação à rotina fitness no fim do ano, quando terá um casamento na praia. “Tenho de estar bem no vestido de madrinha”, brinca, ao complementar que o exercício a ajuda tanto a ter uma melhor postura, quanto por elevar a autoestima.

Jean Carla Rodrigues, servidora pública, aderiu à modalidade de treinamento funcional em uma academia da cidade: o exercício a ajuda tanto a ter melhor postura quanto a elevar sua autoestima (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Jean Carla Rodrigues, servidora pública, aderiu à modalidade de treinamento funcional em uma academia da cidade: o exercício a ajuda tanto a ter melhor postura quanto a elevar sua autoestima
 

O militar Ricardo Carvalho, de 47 anos, também aderiu às aulas de burn bootcamp pela possibilidade de saber dosar sua energia para “sobreviver” à aula inteira, como conta. “Fim de ano, com as férias se aproximando, quero chegar mais enxuto à praia. Apesar de eu não ter a vaidade como carro-chefe, sempre tenho uma preocupação de cuidar mais de mim.” Foi um alerta por problemas de saúde que fez Ricardo sair do sedentarismo há quatro anos. “Hoje, a corrida e a academia são meus remédios, os calmantes que me fazem não estressar tanto no dia a dia”, diz.

Chegar à praia mais magro é a intenção do militar Ricardo Carvalho: 'Apesar de eu não ter a vaidade como carro-chefe, sempre tenho uma preocupação de cuidar mais de mim' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press )
Chegar à praia mais magro é a intenção do militar Ricardo Carvalho: "Apesar de eu não ter a vaidade como carro-chefe, sempre tenho uma preocupação de cuidar mais de mim"
 

Para quem busca intensificar ou mesmo começar a prática de atividade física, é fundamental alinhar os treinos a uma boa alimentação e descanso. Renato França, nutricionista esportivo e funcional, explica que a dieta tem de ser planejada de forma adequada com o treino. As pessoas que fazem atividade física não podem ter uma alimentação com tão pouca caloria, porque isso impedirá um bom rendimento no treino. “Treino muito intenso com dieta muito baixa pode afetar a imunidade, inclusive. O treino é a hora em que o corpo mais consome energia”, alerta. “Se a pessoa começou a fazer atividade física e notou que a imunidade caiu, com o aparecimento de gripes, resfriados e inflamações, por exemplo, já é um indicativo de que a alimentação não está adequada, provavelmente insuficiente em calorias e em nutrientes”, completa o nutricionista.

 

Por isso, França diz que não adianta fazer loucuras em um ou dois meses. Reduzir muito o consumo de carboidratos e o valor calórico da alimentação resulta em uma dieta que provavelmente vai durar apenas até o objetivo, como uma viagem. As consequências de aderir a dietas malucas ou da moda é que podem até dificultar a perda de peso após terminá-las. Uma alimentação muito restritiva acaba deixando o metabolismo lento para tentar evitar o gasto das reservas energéticas, por entender que há pouca disponibilidade de alimentos. “O problema é que, por uma autoproteção, o organismo se acostuma a isso e se mantém lento depois que a dieta acaba. Então, a pessoa fica mais suscetível a engordar após terminar uma dieta desse tipo”, afirma Renato França.

Renato França. nutricionista esportivo e funcional, afirma que cuidar bem da alimentação ajuda na prática esportiva: 'Treino muito intenso com dieta muito baixa pode afetar a imunidade, inclusive. O treino é a hora em que o corpo consome energia' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Renato França. nutricionista esportivo e funcional, afirma que cuidar bem da alimentação ajuda na prática esportiva: "Treino muito intenso com dieta muito baixa pode afetar a imunidade, inclusive. O treino é a hora em que o corpo consome energia"
 

BONS PARA O BRONZEADO

Alimentos que ajudam na proteção da pele e até na recuperação dela, em caso de excessos, mas não substituem o protetor solar. O consumo deve começar de 6 a 8 semanas antes da exposição ao sol

 

 

èCenoura, mamão, abóbora, pimentão amarelo e vermelho, manga

São ricos em betacaroteno, que é um potente antioxidante. Ajudam contra a açãode radicais livres e auxiliam na formação de melanina

 

èTomate, molho de tomate ou até tomate cozido e melancia

Contêm licopeno, um derivado da vitamina A, que dá a coloração vermelha do alimento e colabora com a proteção da pele sob exposição do sol. Quando cozidos,

intensificam a função

 

èChá verde e frutas cítricas ou ricas em vitamina C

A ação antioxidante desses alimentos contribuem para o controle dos processos inflamatórios no corpo. Servem tanto para ter maior resistência diante da exposição ao sol, quanto para ajudar na recuperação em caso de queimadura

 

èÔmega 3 (peixes, nozes, castanhas, couve)

Possuem ação anti-inflamatória sistêmica, então também aceleram o processo de recuperação da pele em casos de excessos. O avermelhamento e a descamação da pele são processos inflamatórios

Fonte: nutricionista Renato França

 

7 CUIDADOS COM O CORPO

Dicas de como proteger a pele para aproveitar a estação do ano mais ensolarada no Brasil

1 | Usar protetor solar com, no mínimo, 30 de fator de proteção

2 | Antes de comprar o protetor solar, conferir se o produto tem proteção UVB e UVA (deve ter os dois)

3 | Aplicar o protetor 30 minutos antes da exposição ao sol. De preferência, passar o produto antes de sair de casa, e reaplicá-lo a cada duas horas

4 | Além do protetor solar, lembrar de usar óculos de sol, chapéu e que há opções de roupas com superproteção

5 | Hidratar bem a pele: usar pouco sabonete (de preferência, um mais suave), sempre aplicar hidratantes e beber bastante água

6 | Crianças só podem usar protetor solar a partir de 6 meses de idade. Antes disso, não é indicado tomar sol. É importante procurar produtos específicos para crianças, que não irritem a pele e não saiam na água

7 | Fazer uma avaliação médica no dermatologista, pelo menos, uma vez ao ano e observar histórico familiar e sinais ou pintas na pele que crescem ou mudam de cor

Fonte: Lilian Mendes Ferreira Urbano, médica dermatologista

A dermatologista Lilian Ferreira Urbano recomenda proteção sempre: sol entre 10h e 16h é risco certo (Divulgação)
A dermatologista Lilian Ferreira Urbano recomenda proteção sempre: sol entre 10h e 16h é risco certo
 

NÃO SE ESQUEÇA DA PELE

No verão, a radiação solar incide com mais intensidade e quem aproveita a estação para ir à praia ou fazer atividades ao ar livre não pode deixar de usar protetor solar. Lilian Mendes Ferreira Urbano, médica dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia, esclarece que há muitas opções de produtos pouco oleosos para quem reclama da sensação que o protetor gera ao ser passado na pele.

 

Roupas com superproteção, óculos de sol e chapéus também são importantes para a proteção contra os danos do sol. “Eu não me bronzeio, porque sei dos riscos. Mas também sei que há pessoas que não abrem mão de se bronzear”, reconhece a dermatologista. Por isso, vale evitar pegar sol entre 10h e 16h, quando aumenta a incidência da radiação ultravioleta e, consequentemente, dos riscos de câncer de pele, queimaduras solares, insolação.

 

Lilian Mendes, porém, admite que esse é um tópico polêmico. É preciso tomar sol justamente no intervalo de maior incidência solar para ativar a vitamina D, que traz muitos benefícios à saúde. Nesse caso, a solução, segundo a dermatologista, é expor-se apenas cinco minutinhos sem protetor nas pernas e nos braços. E se proteger sempre, faça chuva ou faça sol.

 

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EDIÇÃO 71 - ESPECIAL SUSTENTABILIDADE