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SAÚDE | CUIDADOS »

Viva sob o sol: saiba por que a vitamina D é tão importante para todas as idades

O que dizem os especialistas sobre a falta do nutriente no organismo humano

Isabella de Andrade - Publicação:26/08/2019 15:18Atualização:27/08/2019 18:35

Enxaquecas, dores musculares, fadiga e até depressão. São estes alguns dos principais sintomas de quem sofre com a falta de vitamina D no organismo, sem nem ao menos imaginar a origem do problema. A deficiência pode ser causada pela falta de exposição solar e uso exagerado de protetor. Sua ausência ainda pode ocasionar gripes frequentes e queda de cabelo. Para prevenir, a principal dica é tomar sol diariamente, respeitando a quantidade ideal para cada tipo de pele e buscando os melhores horários. Vale lembrar que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), metade da população mundial – 3,6 bilhões de pessoas – tem quantidades insuficientes de vitamina D. Só na América Latina, cerca de 67% das pessoas têm níveis inadequados da substância no organismo.

 

 

A vitamina D é essencial para diferentes funções do organismo. Alguns pesquisadores a consideram um hormônio por ser produzida pelo próprio corpo humano (trata-se de um ativo derivado do colesterol). Com funções na saúde dos ossos, ela é reguladora do crescimento, além de atuar nos sistemas imunológico e cardiovascular, nos músculos, no metabolismo e na insulina. Ficou mais conhecida por evitar a osteoporose. É por meio dela que o corpo absorve corretamente o cálcio e por isso a vitamina é uma protetora do sistema ósseo.

 

Para Paola Santos, de 38 anos, clínica geral na Aliança Instituto de Oncologia, antes de recorrer a suplementos, a melhor solução é mesmo a luz do astro-rei: “Dez minutos diários antes do sol das 10h e sem protetor solar já são suficientes para estimular a produção da vitamina. Na suplementação, é preciso entender que o exagero pode também levar a efeitos contrários, pois o excesso dela aumenta os níveis de cálcio no sangue, favorecendo a formação de cálculos renais e depósitos em artérias (arteriosclerose)”, destaca Paola. Por isso, a suplementação deve ser sempre feita com prescrição médica.

Anne de Castro toma o suplemento,
depois que um exame de sangue detectou
a deficiência de vitamina D: 'Notei uma
melhora considerável na minha imunidade
e ficar doente passou a ser raro' (Wallace Martins/Esp. Encontro/DA Press)
Anne de Castro toma o suplemento, depois que um exame de sangue detectou a deficiência de vitamina D: "Notei uma melhora considerável na minha imunidade e ficar doente passou a ser raro"
 

No consultório, os primeiros sinais são queixas de dores ósseas e articulares e fraqueza muscular e desânimo. O endocrinologista Márcio Garrisson Dytz, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, lembra que o papel primordial da vitamina D é como regulador da fisiologia óssea, em especial do controle do cálcio no organismo. Ele destaca que, no ser humano saudável, apenas 10% a 20% da vitamina D provêm da dieta. Os 80% a 90% restantes são sintetizados no corpo após estímulo com exposição solar, especialmente a radiação ultravioleta (UVB), por um período entre 10 e 20 minutos por dia. Vale lembrar que a exposição solar deve ser direta, sem a presença de roupas ou vidros, por exemplo, que atrapalham a absorção dos raios ultravioletas, capazes de ativar a síntese da vitamina.

 

 

O endocrinologista afirma que grande parte dos pacientes não apresenta sintomas da falta da substância. No entanto, podem apresentar alterações metabólicas decorrentes da falta da vitamina D, como redução na absorção do cálcio, redução de densidade óssea e alterações imunes. Márcio Dytz destaca que existe um grupo de risco para a deficiência de substância e que os integrantes desse grupo devem realizar dosagens acompanhadas pelo médico. No grupo de risco estão os idosos, gestantes e lactantes; pacientes com osteomalacia (amolecimento dos ossos), osteoporose, doença inflamatória intestinal, doença renal crônica e síndromes de má absorção.

 

A médica Kariani Yamashita, de 35 anos, utiliza suplementação de vitamina D há mais de sete anos. Ela conta que nunca teve carência da vitamina anteriormente, mantendo uma rotina saudável, com exposição solar diária e alimentos nutritivos. “Há sete anos fui submetida a uma cirurgia tireoidectomial, com total retirada das paratireoides. Sem as glândulas, meu nível de cálcio sanguíneo é muito baixo e a vitamina D aumenta a absorção de cálcio pelo intestino. Por isso, preciso utilizar os suplementos”, conta.

 

A consultora de TI Anne de Castro, de 35 anos, conta que começou a tomar a vitamina há meses, por conta de uma deficiência apresentada em exames de sangue. Seu médico recomendou que ela utilizasse o suplemento de maneira contínua. “Notei uma melhora considerável na minha imunidade e ficar doente passou a ser raro. Antes de utilizar a vitamina D, eu apresentava crises crônicas de sinusite”, afirma Anne.

 

Além dos problemas já citados, a carência da vitamina pode estimular doenças autoimunes e queda da imunidade, com gripes e resfriados frequentes. Em mulheres grávidas, a deficiência está associada ao aumento do risco de hipertensão e diabetes gestacional. A quantidade ideal nesse grupo pode ajudar a prevenir o autismo, já que a vitamina D é muito importante no desenvolvimento do cérebro do bebê.

 

A dermatologista Fernanda
Seabra afirma que há
diferentes níveis de vitamina
D para cada caso, em
resposta à exposição ao sol:
'A quantidade da substância
produzida em uma pessoa
de 70 anos é, em média, um
quarto da que é sintetizada
por um jovem de 20 anos' (Fabricio Rodrigues/Divulgação)
A dermatologista Fernanda Seabra afirma que há diferentes níveis de vitamina D para cada caso, em resposta à exposição ao sol: "A quantidade da substância produzida em uma pessoa de 70 anos é, em média, um quarto da que é sintetizada por um jovem de 20 anos"

Além da exposição diária ao sol, alguns alimentos podem colaborar para manter os níveis ideais no organismo, entre eles peixes, ovos, fígado de boi, manteiga, iogurtes e cogumelos. A suplementação da vitamina pode ser necessária em diferentes casos. Como o da empresária Yulha Alves, de 33 anos, que queria atingir bons níveis da substância durante a gravidez. Depois da utilização, ela notou uma diferença em sua disposição cotidiana, que melhorou consideravelmente. “Além disso, várias pessoas ao meu redor ficaram doentes com a mudança de clima. Tiveram sinusite, rinite, resfriados e não tivemos nada em nossa casa”, conta a empresária, que usa a complementação com o marido, Fabio Silva Neiva, e o filho Yzaac, de 5 meses.

 

A suplementação da vitamina pode ser necessária em outros casos. Como o do publicitário Carlos Pinto, de 66 anos, que fez uma cirurgia bariátrica há 17 e toma o remédio há uma década. Ele conta que, depois da cirurgia, normalmente o corpo passa a absorver menos nutrientes, por isso o suplemento é indicado. “Também faço caminhadas sob o sol, uma hora por dia. Esses cuidados são importantes, pois tenho osteoporose no fêmur direito há três anos, e além da vitamina D tomo cálcio para completar”, diz.

 

Fernanda Seabra, dermatologista do Aliança Instituto de Oncologia, lembra que a carência do componente pode aumentar até mesmo o risco de aborto. Vale destacar que pessoas mais velhas produzem menos vitamina D em resposta à exposição ao sol, por questões metabólicas relacionadas à idade. “A quantidade da substância produzida em uma pessoa de 70 anos é, em média, um quarto da que é sintetizada por um jovem de 20 anos. Por isso, é interessante que os idosos conversem com seus médicos sobre a possibilidade de consumir suplementos de vitamina D”, recomenda a especialista.

 

Ela lembra ainda que indivíduos com fototipos altos, ou seja de pele mais morena, também sintetizam com mais dificuldade essa substância. Fernanda explica o funcionamento do nutriente no corpo humano: “Sob a ação da luz solar, uma molécula precursora existente na pele se transforma na forma inativa da vitamina D, que será convertida em ativa no fígado e nos rins”. Segundo ela, apesar de o nutriente estar presente em alimentos de origem animal, eles não possuem a quantidade que o organismo necessita.

Paola Santos recomenda 10
minutos diários de sol, antes
de recorrer a suplementos:
'É preciso entender que o
exagero pode também levar
a efeitos contrários, pois
o excesso da vitamina
D aumenta os níveis de cálcio
no sangue', diz a médica (Wallace Martins/Esp. Encontro/DA Press)
Paola Santos recomenda 10 minutos diários de sol, antes de recorrer a suplementos: "É preciso entender que o exagero pode também levar a efeitos contrários, pois o excesso da vitamina D aumenta os níveis de cálcio no sangue", diz a médica
 

CINCO DICAS PRECIOSAS

O que os especialistas recomendam para evitar a carência da vitamina D

 

èTomar de 15 a 20 minutos de sol ao dia antes das 10h

èBraços e pernas devem estar expostos, pois a quantidade de vitamina absorvida é proporcional à quantidade de pele que está exposta

èAo se expor ao sol é importante não passar o filtro solar

èComer alimentos que ajudam a sintetizar a luz do sol, como frutas, legumes, peixes e laticínios

èConsultar um especialista e tomar, caso seja recomendado, suplementos da vitamina

 

FONTES DE SAÚDE

Dez alimentos que ajudam na fixação da vitamina D

 

1 - Peixes (salmão, atum, sardinha)

2 - Óleo de fígado de bacalhau

3 - Fígado de boi

4 - Ovos

5 - Cogumelos

6 - Manteigas

7 - Queijos

8 - Iogurtes

9 - Laranja

10 - Ostras

 

 

 

 

 


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