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O futuro agradece: DF tem lei que proíbe uso de canudos de plástico em estabelecimentos comerciais

Lei prevê multas e até fechamento de estabelecimentos que usem canudos de plástico, no DF. Como bares e restaurantes estão ajudando o meio ambiente, ao usar produtos biodegradáveis, e o que diz a Abrasel sobre o tema

Vilhena Soares - Publicação:03/09/2019 16:42

Copos e canudos de plástico estão na mira da lei no Distrito Federal: hora de investir em produtos mais sustentáveis  (Wallace Martins/Esp. Encontro/DA Press)
Copos e canudos de plástico estão na mira da lei no Distrito Federal: hora de investir em produtos mais sustentáveis
 

A proibição do uso de canudos e copos plásticos tem exigido mudanças rápidas na rotina de restaurantes e bares da cidade. Para cumprir a nova lei e também preocupados com a preservação do meio ambiente, donos de estabelecimentos da capital têm recorrido ao uso de materiais biodegradáveis e mudanças de costumes para diminuir a quantidade de lixo descartado na natureza. As medidas têm resultado em ganhos, mas os comerciantes ainda sentem falta de ofertas de produtos adequados à nova realidade.

 

A lei aprovada em 30 de janeiro deste ano pelo governador Ibaneis Rocha proibiu o uso de canudos e copos de plástico em todos os comércios do Distrito Federal, sob pena de multa de até 5 mil reais para quem desrespeitá-la. A nova norma fez com que os comerciantes corressem contra o tempo para se enquadrar nos parâmetros pedidos. “Eu tinha mais ou menos de 3 mil a 4 mil canudos plásticos quando fi camos sabendo dessa mudança. Diante da nova lei tivemos que jogá-los fora para não violar a regra e nosso objetivo foi de nos adequar antes mesmo de chegar a data oficial da obrigatoriedade”, afi rma Marcello Lopes, chef de cozinha do restaurante Blend Boucherie.

 

Paulo Melo, do Dona Lenha, é presidente do Instituto Ecozinha, que reúne 76 empreendimentos na capital: 'Buscamos formas de transformar o lixo em alternativas rentáveis'  (Wallace Martins/Esp. Encontro/DA Press)
Paulo Melo, do Dona Lenha, é presidente do Instituto Ecozinha, que reúne 76 empreendimentos na capital: "Buscamos formas de transformar o lixo em alternativas rentáveis"
 

O empresário brasiliense ressalta que a melhor opção encontrada pelo estabelecimento para substituir o canudo de plástico foi trocá-lo por um produto à base de ingredientes biodegradáveis, além de reduzir o acesso aos canudos comuns. “Fizemos uma mudança importante de não oferecer mais o canudo e, se o cliente pedir, damos o biodegradável. Com isso, vimos que eles passaram a usar menos e que se sentiam confortáveis com o substituto também”, diz. Lopes acredita que a medida é extremamente positiva, pois gera ganhos que são extremamente importantes para o planeta: “É algo muito bacana, pois sabemos da necessidade de cuidar da natureza. No começo, tínhamos apenas o canudo biodegradável, mas agora contamos com mais opções. Para levar a refeição, já temos uma pequena marmita, o garfo, a faca, o copo, tudo em produtos biodegradáveis”, conta.

 

Gilberto Lima, gerente do Dom Francisco do Pátio Brasil, também destaca uma grande preocupação do estabelecimento com a nova lei do plástico. “Retiramos os antigos e colocamos o biodegradável no lugar, mas esperamos futuramente ter a opção do canudo de papel, que é uma opção ainda melhor”, diz. Lima conta que o restaurante tem repensado várias atitudes, preocupado com o acúmulo do lixo. “Aqui, não trabalhamos com delivery, mas para a pessoa levar para casa a comida que sobra precisamos usar sacolas plásticas. Em um mês gastamos cerca de 200 sacolas! Seria muito bom ter uma opção para esse problema também. Nós, da equipe de funcionários, já buscamos diminuir o uso delas, pensando justamente em ajudar a reduzir o acúmulo do plástico no lixo”, afirma.

 

O presidente da Abrasel - DF, Rodrigo Freire, concorda com a legislação, mas lembra que é preciso fazer mais: 'Além das leis, que são importantes, é necessário a conscientização da população' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
O presidente da Abrasel - DF, Rodrigo Freire, concorda com a legislação, mas lembra que é preciso fazer mais: "Além das leis, que são importantes, é necessário a conscientização da população"

Presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Distrito Federal (Abrasel-DF) e dono do restaurante Oliver, Rodrigo Freire explica a importância da lei que já foi posta em prática em várias cidades e que chegou recentemente à capital: “Essa mudança surgiu devido a uma série de casos graves de mortes de tartarugas por causa da presença de produtos plásticos em seus organismos. É uma tendência que vem pelo Brasil inteiro e que é muito importante. Sozinha, ela já contribui bastante para impedir danos ao meio ambiente”, diz. Freire também ressalta que o tema é mais complexo do que se imagina, pois muitas outras medidas para ajudar a reduzir o descarte no meio ambiente de produtos usados no comércio são necessárias. “A grande questão, na verdade, é a coleta seletiva, o reaproveitamento de todos os materiais. Em Brasília, já temos projetos com esse objetivo”, afirma o presidente da Abrasel-DF.

 

 

Paulo Melo, proprietário do Dona Lenha, é uma das pessoas que têm buscado alternativas para reduzir a quantidade de materiais descartados no meio ambiente. Presidente do Instituto Ecozinha, que reúne donos de participantes e queremos que esse número cresça mais, englobando todos comerciantes da cidade”, diz. Um dos maiores problemas enfrentados pelos comerciantes brasilienses para adaptarem-se à nova norma do uso de canudos é a falta de alternativas para substituir os produtos de plástico. “Fomos procurar em outras cidades, em Goiânia, em São Paulo, porque não temos, aqui, esse tipo de produto amigo da natureza. Temos um papel chamado de kraft, que é mais duro e pensamos em usá-lo no lugar do plástico, mas, ainda assim, ele não mostrou tantos pontos positivos no descarte”, diz Marcello Lopes.

O gerente Gilberto Lima, do Dom Francisco do Pátio Brasil, conta que o estabelecimento tem grande preocupação com a nova lei do plástico: restaurante tem repensado várias atitudes, como o fim do uso de sacolas plásticas, por exemplo  (Wallace Martins/Esp. Encontro/DA Press)
O gerente Gilberto Lima, do Dom Francisco do Pátio Brasil, conta que o estabelecimento tem grande preocupação com a nova lei do plástico: restaurante tem repensado várias atitudes, como o fim do uso de sacolas plásticas, por exemplo
 

Paulo Melo também considera que é necessário encontrar alternativas mais positivas para substituir o plástico: “É importante termos opções mais eficientes que o próprio material biodegradável, que já é usado hoje, com produtos que se degradem em um tempo ainda menor. Por exemplo, temos alguns projetos que usam materiais naturais, com canudos feitos de milho, mandioca e azeite de dendê, que podem ser um recurso mais interessante”.

 

 

Para o presidente da Abrasel-DF, o quanto antes surgirem novas opções será muito útil, principalmente devido ao tempo que os restaurantes e bares possuem para adaptar-se à lei distrital. “A indústria, hoje, possui apenas a opção biodegradável e precisamos de mais alternativas. A lei passa a valer no fim de 2020. É um tempo relativamente curto para que possamos transformar todo o setor, principalmente o de delivery”, diz Rodrigo Freire. Mas, mesmo com esses obstáculos, o empresário acredita que é possível mudar a forma como os estabelecimentos lidam com as embalagens e fazer com que o comércio em Brasília seja mais sustentável. “Temos exemplos de cidades em que essa mudança deu certo. Em Paris, por exemplo, não há mais o acúmulo de lixo nas ruas e não existem as caçambas em cada esquina. Acredito que, além das leis, que são importantes, é necessário a conscientização da população. Ela é algo essencial para cumprir esses objetivos”, afirma Rodrigo Freire. 

 

Marcello Lopes, chef de cozinha do Blend Boucherie, conta que teve de jogar fora milhares de canudos de plástico: 'A nova norma fez com que os comerciantes corressem contra o tempo para se enquadrar nos parâmetros pedidos'  (Wallace Martins/Esp. Encontro/DA Press)
Marcello Lopes, chef de cozinha do Blend Boucherie, conta que teve de jogar fora milhares de canudos de plástico: "A nova norma fez com que os comerciantes corressem contra o tempo para se enquadrar nos parâmetros pedidos"
 

LEI DO CANUDO PLÁSTICO

A lei que proíbe o uso de canudos e copos plásticos por restaurantes, bares e todos os estabelecimentos comerciais em todo o território do Distrito Federal entrou em vigor no dia 7 de fevereiro deste ano, logo após a sanção do governador Ibaneis Rocha. Caso não cumpram a lei, os comerciantes podem pagar uma multa que varia entre 1 mil e 5 mil reais, e se ocorrer reincidência, podem ser punidos com o pagamento em dobro da multa e até com a suspensão das atividades. De acordo com a legislação podem ser usados descartáveis feitos a partir de materiais biodegradáveis e também de origem vegetal como amido e fibras. O projeto de lei, que começou a tramitar em 2016 e é de autoria do ex-deputado Cristiano Araújo, prevê ainda que canudos de inox e de vidro sejam também alternativas ao plástico.

 


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EDIÇÃO 71 - ESPECIAL SUSTENTABILIDADE