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Quero ser youtuber: Brasil é o segundo país com mais canais influentes

Pesquisa foi divulgada pela consultoria Snack Intelligence. A profissão, que antes fazia os pais torcerem o nariz, hoje é estimulada e muitos sonham em ter filhos famosos na internet

Isabela de Oliveira - Redação Publicação:06/12/2019 15:30Atualização:06/12/2019 21:52

Com programação infantil cada vez mais escassa na TV aberta, mãozinhas com acesso a smartphones encontram, on-line, o ambiente perfeito para o entretenimento. Lançado em 2005 com o slogan broadcast yourself, ou transmita-se, o YouTube é um dos espaços mais acessados pelo pequenos: segundo a consultoria Let’s Play, 75% das crianças brasileiras nascidas após 2010 assistem a vídeos nessa rede social. No microcosmo da plataforma, canais de webcelebridades mirins oferecem conteúdos cujas audiências se comparam e até mesmo superam as de programas infantis populares nos anos 1980 e 1990, como o Xou da Xuxa e Casa da Angélica. Vale frisar uma diferença: ao contrário do que acontecia no passado, quando adultos conduziam os programas infantis, hoje, são as próprias crianças que comandam o show.

 

Sendo o segundo país com mais canais influentes no YouTube, conforme indica pesquisa de 2016 da consultoria Snack Intelligence, o Brasil é um celeiro de talentos. Nesse universo, Brasília tem sua própria constelação de webestrelas. Uma delas é Maria Luíza Rodrigues Coelho Netto, a Malu Blogueirinha, que praticamente cresceu diante dos seguidores. Com apenas 5 anos, a menina tem mais de 5 mil inscritos em seu canal no YouTube e 59,4 mil seguidores no Instagram. “Ela tinha 2 anos, quase 3, quando me pediu para gravar um vídeo dela e postar no YouTube”, conta a servidora pública Mariana Rodrigues Coelho Netto, mãe da Malu. Ela conta que é a blogueirinha quem escolhe o figurino e cenário dos vídeos filmados e editados pela mãe que, segundo a própria menina, é “da produção”.

Maria Luiza Rodrigues, a Malu Blogueirinha,
de 5 anos, e Valentina Caxito, de 6: elas já
têm milhares de inscritos em seus canais
no YouTube e querem muito mais (Wallace Martins/Esp. Encontro/DA Press)
Maria Luiza Rodrigues, a Malu Blogueirinha, de 5 anos, e Valentina Caxito, de 6: elas já têm milhares de inscritos em seus canais no YouTube e querem muito mais
 

A desenvoltura de Malu diante das lentes atraiu empresas que enxergam na diversão uma ótima oportunidade de negócio. Segundo estima pesquisa TIC Kids Online Brasil, o público dos conteúdos infantil e teen é volumoso: em 2018, 86% dos jovens de 9 e 17 anos eram usuários contumazes da internet. Desses, 83% assistiram a vídeos, programas, filmes ou séries on-line. Pela primeira vez na série histórica do estudo, o entretenimento foi mais frequente entre as crianças e os adolescentes do que pesquisas na Internet para trabalhos escolares (74%) e o envio de mensagens instantâneas (77%). As parcerias sugiram após Malu Blogueirinha ganhar uma conta no Instagram. “Hoje, a Malu se paga. Não tenho despesa com roupas nem diversão, só escola e plano de saúde. Para não ficar amarrada a contratos e deixá-la sobrecarregada, prefiro trabalhar com permuta em vez de dinheiro”, conta Mariana.

 

Detendo um canal no YouTube com 257 mil inscritos, Maria Victoria Lavorato, de 10 anos, é um exemplo de sucesso mirim estrondoso que atrai, também, muitas parcerias. Seguida por 728 mil pessoas no Instagram, a ruivinha se inspira na tia Mari Maria, youtuber de maquiagens que agrega mais de 8 milhões de inscritos em

 

seu canal. Segundo a ferramenta Social Blade, que avalia a influência de um blogueiro, o canal de Maria Victoria gera até 12,9 mil dólares por ano. O da tia, até 1,2 milhão de dólares. A administradora de empresas Paula Sanches de Mendonça, mãe de Maria Victoria, conta que a trajetória da filha como influenciadora começou quando a tia Mari Maria convidou a sobrinha para participar de um de seus vídeos no ano passado. “Os seguidores da Mari adoraram a Maria Victoria, que tomou gosto pela maquiagem infantil. No fim do ano passado, resolvemos criar um canal para ela”, conta Paula, dona do Instagram @derepente5, com 61,7 mil seguidores.

 

Paula considera que ainda é muito cedo para dizer se Maria Victoria vai querer fazer do passatempo uma profissão. “Tudo tem acontecido naturalmente e com a Mari Maria temos ao nosso alcance uma grande escola”, conta a mãe, que é quem edita os vídeos da menina.

Maria Victoria Lavorato, de 10 anos,
tem 257 mil inscritos em seu canal no
YouTube: ela segue o exemplo da tia,
Mari Maria, youtuber de maquiagens
com 8 milhões de inscritos (Arquivo Pessoal )
Maria Victoria Lavorato, de 10 anos, tem 257 mil inscritos em seu canal no YouTube: ela segue o exemplo da tia, Mari Maria, youtuber de maquiagens com 8 milhões de inscritos
 

Inicialmente, a frequência de postagens no YouTube era de um vídeo por semana. “Mas, não demos conta, porque a escola e as provas exigem muito. Além disso, Maria Victoria tem outras atividades importantes no dia. Pretendemos nos organizar melhor para o ano que vem, pois vídeos exigem roteiro e edição. Como o Instagram demanda menos, somos mais assíduas lá”, diz Paula.

 

Assim como para Malu Blogueirinha e Maria Victoria, os estudos são a prioridade de Valentina Caxito. Com 6 anos, ela agrega 4,15 mil inscritos no YouTube e 144 mil fãs no Instagram. Com 2 anos e meio, a menina foi convidada para participar do Miss DF e acabou levando a faixa. “Assim, começou a rotina de desfiles e eventos, e a Valentina curte muito. Mas, nós nos preocupamos em não marcar compromissos no horário de aula e nem durante as atividades extra, como inglês, natação e teatro”, conta a empresária Priscila Caxito, mãe de Valentina.

 

Apesar da presença on-line, a menina só tem autorização para passar uma hora por dia conectada. “Não quero que ela perca a infância por causa do trabalho de influenciadora. Por ela, não haveria limites, porque ela nunca fica cansada. Temos de policiar isso”, assegura Priscila.

 

Uma das preocupações das famílias de influenciadores mirins é o tipo de mensagem que chega via redes sociais. “Sou em quem administra tudo que chega por aí. Às vezes, aparece o perfil de uma criança querendo fazer chamada de vídeo. Não podemos confiar nisso. Permitimos que a Valentina interaja com as pessoas, mas de forma muito vigiada”, conta a mãe da menina, que começou a se interessar por gravar vídeos aos 3 anos.

Maria Luíza Rodrigues, a Malu
Blogueirinha, tem 5 anos e mais de
5 mil inscritos em seu canal no YouTube
e 59,4 mil seguidores no Instagram:
ela, que praticamente cresceu diante
dos seguidores, escolhe o figurino
e cenário dos vídeos filmados
e editados pela mãe (Wallace Martins/Esp. Encontro/DA Press)
Maria Luíza Rodrigues, a Malu Blogueirinha, tem 5 anos e mais de 5 mil inscritos em seu canal no YouTube e 59,4 mil seguidores no Instagram: ela, que praticamente cresceu diante dos seguidores, escolhe o figurino e cenário dos vídeos filmados e editados pela mãe

Como Maria Victoria, que encontrou na maquiagem uma paixão, ao 6 anos, Valentina pretende ser gamer – nome dado a quem ganha notoriedade online jogando videogame. “Estabelecer um nicho é essencial para quem deseja trabalhar como influenciador. É preciso saber monetizá-lo de alguma forma e também definir um posicionamento comercial”, aconselha Frederico Souza Fonseca, sócio-fundador da Studio Online, centro de treinamento de ferramentas de edição de vídeo e imagens, além de marketing digital. Segundo ele, visão empreendedora e preparo técnico são fundamentais. “O mercado seleciona e descarta quem não tem competência para explorar as ferramentas disponíveis e criar conteúdo relevante e original”, diz Fonseca.

 

Atento às demandas de crianças cada vez mais interessadas em se expressar na internet, o jornalista e músico Marcos Borges de Oliveira criou com a mulher, Marina Rocha de Oliveira, o Clipe Tube. A escola de artistas é voltada para crianças  que buscam melhorar a presença de palco, a oratória e entonação da voz, inclusive diante das câmeras. Lá, elas gravam vídeos e clipes profissionais para soltar na internet. É o caminho mais rápido para o sucesso on-line, aponta o estudo Social Media Video Content is About to Explode: a projeção é de que, em 2019, 85% do tráfego de buscas nos Estados Unidos tem sido para conteúdos em vídeo. “Hoje, não é preciso apresentar-se em uma grande emissora para ser famoso. É possível ganhar dinheiro na internet e isso só depende da pessoa, do quanto ela se prepara e se dedica”, diz Marcos. No entanto, apesar de reluzente, o universo de uma celebridade digital tem armadilhas: “Existe uma pressão psicológica muito grande, no sentido de a pessoa acreditar que precisa estar postando algo novo o tempo todo. Isso precisa ser avaliado com cautela pelos pais, que devem prestar atenção se a atividade afeta ou não a criança. O meu trabalho como educador é potencializar os talentos, mas também preparar para frustrações”.

O casal Marina e Marcos de Oliveira,
da escola de artistas Clipe Tube, ensinam
crianças a ter mais presença diante
das câmeras: 'É possível ganhar
dinheiro na internet e isso só depende
da pessoa, do quanto ela se prepara
e se dedica', diz Marcos (Wallace Martins/Esp. Encontro/DA Press)
O casal Marina e Marcos de Oliveira, da escola de artistas Clipe Tube, ensinam crianças a ter mais presença diante das câmeras: "É possível ganhar dinheiro na internet e isso só depende da pessoa, do quanto ela se prepara e se dedica", diz Marcos
 

DICAS PARA SE TORNAR UM YOUTUBER DE SUCESSO

 

1 - Escolha um nome que fará as pessoas o associarem a você e à imagem que quer criar imediatamente. Pode ser o seu próprio nome ou um apelido.

 

2 - Tenha confiança no que você está transmitindo: isso passará uma imagem de maior credibilidade.

 

3 - Seja criativo ao produzir o seu conteúdo. O Youtube é uma plataforma dinâmica e quem tem sucesso está sempre buscando levar assuntos novos e com recursos diferentes para o telespectador. Crie seus vídeos falando sobre coisas de que você gosta. E não precisa criar tudo sozinho, abuse da ajuda de seus pais, amigos e avós. A experiência deles pode te dar muitas ideias geniais.

 

4 - Fique de olho na concorrência. Uma ideia boa e que leva um bom fluxo ao canal de outro youtuber pode adaptar-se perfeitamente ao seu modelo de canal.

 

5 - Crie um planejamento do que pretende falar. Faça vídeos – ou mesmo em aparições ao vivo – com começo, meio e fim e que tenham contexto.

 

6 - Seja comprometido, a atualização do canal será seu compromisso diário.

 

7 - Aprenda a escutar as críticas. Isso é fundamental para melhorar seu conteúdo.

 

8 - Invista em um cenário atraente em seu local de gravação. Alguns youtubers  gravam em shoppings, ruas, restaurantes e afins; mas, caso você grave da sua casa – ou todo dia de um mesmo local – é importante adequá-lo e deixá-lo interessante aos olhos do público.

 

9 - Crie thumbnails (imagem em miniatura) de destaque e que chamem a atenção do público para os seus vídeos.

 

10 - Uma câmera com boa resolução é essencial. Além disso, a edição final é a alma de todo o trabalho.

 

Fonte: MoveEdu e Authentic Games

 

OS 10 MAIS

Canais infantojuvenis brasileiros com mais inscritos no YouTube

 

1 - Felipe Neto - 35 milhões

2 - Luccas Neto - 27,3 milhões

3 - RezendeEvil - 25,3 milhões

4 - Galinha Pintadinha - 19,4 milhões

5 - Authentic Games - 17,9 milhões

6 - Erlania e Valentina - 16,3 milhões

7 - Totoykids - 15,7 milhões

8 - Maria Clara & JP - 13,7 milhões

9 - Turma da Mônica - 13 milhões

10 - Enaldinho - 12,5 milhões

 

Fonte: Pesquisa da área de Inteligência e Tendências da Snack, maior rede multiplataforma independente de social vídeo da América Latina

Valentina Caxito, de 6 anos,
tem mais de 4 mil inscritos
no YouTube e 144 mil fãs no
Instagram: ela só tem autorização
dos pais para passar uma hora
conectada por dia (Wallace Martins/Esp. Encontro/DA Press)
Valentina Caxito, de 6 anos, tem mais de 4 mil inscritos no YouTube e 144 mil fãs no Instagram: ela só tem autorização dos pais para passar uma hora conectada por dia
 

COMO GANHAR DINHEIRO NO YOUTUBE

Depois da criação do canal, deve-se configurar o perfil para monetização. O pagamento é feito em dólares pelo YouTube. É o chamado Custo por Mil (CPM), cujo valor varia entre 0,60 e 5 dólares a cada 1 mil visualizações.

 

Mas o YouTube não repassa integralmente o valor do CPM ao dono do canal. Ele retira uma cota antes (o “revenue share”), que é parte de suas fontes de receita. A empresa não divulga o valor oficial de sua cota, mas é estimado que essa taxa seja de 45%.

 

Há ainda os ganhos com parcerias, que podem vir via anúncios (veiculados antes ou no meio de vídeos), clubes dos canais (em que membros fazem pagamentos mensais em troca de benefícios especiais), oferta de produtos e o chamado Super Chat (os fãs pagam para que as mensagens deles apareçam em destaque no feed de bate-papo). É possível receber também receitas do YouTube Premium, caso algum assinante desse serviço assista ao conteúdo do canal.

 

OBS: O dono do canal deve ter pelo menos 18 anos de idade ou relacionar um responsável legal acima dessa faixa etária que possa gerenciar seus pagamentos.

 

Fonte: Happy Code e YouTube


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