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BRASILIENSE DO ANO | AÇÃO SOCIAL »

Ana Carolina Steinkopf: com música, tudo vai bem

Musicoterapeuta criou projeto que ajuda crianças autistas a se socializarem, já levou seu instituto a cinco estados e foi premiada nacionalmente pela iniciativa

Vilhena Soares - Publicação:12/02/2020 15:23
Há quatro anos, Ana Carolina
Steinkopf criou o projeto Uma
Sintonia Diferente: ela ajuda
crianças com problemas cognitivos
a desenvolverem melhor a fala (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Há quatro anos, Ana Carolina Steinkopf criou o projeto Uma Sintonia Diferente: ela ajuda crianças com problemas cognitivos a desenvolverem melhor a fala

 

PERFIL

 

 

ANA CAROLINA STEINKOPF

29 anos

 

Nasceu em Curitiba (PR) e vive em Brasília desde 2001

 

Solteira

- Formada em musicoterapia pela Universidade Federal de Goiás (UFG), em 2013

 

- Musicoterapeuta e coordenadora do Instituto Steinkopf, que fundou em 2015

 

- Criou o projeto Uma Sintonia Diferente, que atende crianças com autismo

 

 

A música é a paixão de Ana Carolina desde a in­fância. Tanto que a jovem escolheu a musicoterapia como profissão. Hoje, ela utiliza sua formação para ajudar na socialização de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A criadora do projeto Uma Sintonia Diferente, que se iniciou em Brasília e já está presente em cinco estados, além do DF, prepara-se para levar seu trabalho ainda mais longe. Ela acredi­ta que a música pode ajudar a compreender melhor um distúrbio que ainda é estigmatizado por grande parte da sociedade. “Comecei a me interessar por música por causa da igreja e meus pais. Eles sempre incentivaram a mim e meus dois irmãos”, conta.

 

A curitibana veio para Brasília em 2001, ainda crian­ça, quando seus pais passaram no concurso do Sarah. Ela escolheu o violino para debutar na área, atraída pela elegância e postura características de quem toca esse instrumento. Na hora de escolher o curso de fa­culdade que cursaria, optou pela musicoterapia, mas precisou se mudar para Goiânia (GO). “Temos poucas universidades que oferecem esse curso, então tive de ir para Universidade Federal de Goiás (UFG). Lá, eu me apaixonei por tudo que aprendi”, diz. Após terminar o curso, Ana Carolina resolveu dar início a atendimen­tos, pois seu objetivo era ajudar pessoas que sofreram danos cognitivos, mas seus planos mudaram graças a um de seus pacientes: “Atendi um garoto de 12 anos com autismo e a mãe dele tinha dito o quanto ele amava a música. Achei que seria ótimo, mas deu tudo errado. Ele passou uma hora fugindo de mim”, lembra. Com o fracasso inicial, a musicóloga se sentiu motiva­da a desenvolver um método que ajudasse crianças com autismo a se tornar mais socializadas. “Existe pouca coisa sobre o tema, principalmente relacionado à musicoterapia. Vi que teria de criar um método.”

 

Com muito esforço e ajuda de psicólogos e outros especialistas, Ana Carolina obteve sucesso e seu traba­lho se transformou no projeto Uma Sintonia Diferen­te. “Temos parceiros no Ceará (Fortaleza), Minas Gerais (Timóteo e BH), Rio Grande do Sul (Novo Hamburgo), São Paulo e Maranhão (São Luís e Imperatriz). A partir do ano que vem teremos no Rio de Janeiro, no Pará (Be­lém) e Amazonas (Manaus)”. Segundo ela, “isso é resul­tado das melhoras que vimos acontecer, de como as crianças conseguiram obter melhoras consideráveis em relação à fala, principalmente. Também acredito que ajudamos as pessoas a conhecer melhor o autista, pois poucos sabem sobre esse distúrbio”, diz.

 

A criadora do Instituto Steinkopf também ressal­ta que parcerias recentes têm contribuído para essa expansão. “Ganhamos o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, na categoria Saúde e Bem-Estar, e isso foi um divisor de águas. Hoje, temos mais parceiros interessados. Também ganhamos um eletroencefalograma, para realizar nossas pesquisas.” Para ajudar a manter a instituição, os pais pagam uma mensalidade de 160 reais. Ana Carolina afirma que é difícil trabalhar na área social, ainda mais sendo jo­vem, mas acredita que outras pessoas com perfil se­melhante ao seu podem ter resultados positivos. “É di­fícil citar exemplos que sejam meu referencial na área, mulheres e negras, e também pessoas mais jovens. As pessoas não tinham confiança em mim, mas aos pou­cos fui conquistando meu espaço. Hoje, isso me moti­va. Assim como confiaram em mim, quero que acon­teça com mais gente, independentemente da idade.”


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