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Por que as dietas são tão irresistíveis?

Dieta do Jejum, da Sopa, dos Pontos, South Beach, Noz da Índia... A cada dia, um novo programa de alimentação faz sucesso mundo a fora com a promessa de emagrecimento rápido. Mas será que eles são eficientes? Para os especialistas, não. Os métodos teriam efeito apenas a curto prazo e somente uma reeducação alimentar seria capaz de trazer resultados duradouros e saudáveis.

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Alessandra Alves - Saúde Plena Publicação:23/10/2013 09:00Atualização:23/10/2013 13:47
As pessoas tendem a optar por um procedimento rápido, mas que nem sempre é eficiente (SXC.hu/Banco de Imagens)
As pessoas tendem a optar por um procedimento rápido, mas que nem sempre é eficiente

“Se prometer que emagrece, fico uma semana sem comer, mesmo sabendo das chances de engordar de novo”. A frase foi dita por uma estudante do último período de medicina. Uma pessoa que compreende todos os riscos envolvidos nas “dietas milagrosas” e reconhece os efeitos a curto prazo, mas admite achar o método “irresistível”. Afinal, se existe uma fórmula mágica para perder peso, por que não testa-la? A pergunta parece habitar a mente da maioria das pessoas do mundo inteiro, já que um estudo realizado pela Nielsen, em 2012, revelou que 74% da população faz ou já fez dieta. No entanto, apenas 61% admitiu a prática de exercícios físicos. No Brasil, as estatísticas revelaram-se ainda mais alarmantes, já que 12% das pessoas declararam fazer uso de medicamentos para perder peso. Para a nutricionista Jacqueline Lopes de Paula, as pessoas tendem a optar por um procedimento rápido, mas que nem sempre é eficiente.

Héllen Delmaschio França tem 25 anos e pelo menos 10 de experiência em dietas. Da South Beach à Dieta dos Pontos, da Dieta da Sopa ao uso de shakes, ela afirma ter perdido peso na maioria das vezes, mas também tempo e paciência. Tempo, porque voltou a engordar. Paciência, porque algumas possuem um método tão complicado, que o desgaste para montar o cardápio acaba sendo maior que o resultado. Quando fez a dieta de South Beach, por exemplo, ela passou duas semanas comendo apenas carne, queijo e ovo. Emagreceu de 3 a 4kg, mas ao fim da dieta, ganhou peso novamente. Durante o período do regime, passou mal, sofreu diversas alterações no humor e teve crises de labirintite.

Com a Dieta dos Pontos, que consiste em contar pontos ao invés das calorias de cada alimento, ela não conseguiu seguir em frente porque achou o esquema de contagem por si só desgastante. Com outros regimes, diferentes no método, mas não nos resultados, ela diz ter perdido algum peso, mas que acabou voltando ao longo do tempo. “Eu sei que é errado, que vou engordar novamente, mas quando vejo a possibilidade de emagrecer, não tem jeito, a loucura toma conta”, diz, rindo.

Héllen, 25 anos, sabe que a maioria das dietas envolve riscos e que o efeito é temporário, mas diz ser impossível resistir (Arquivo Pessoal/Facebook)
Héllen, 25 anos, sabe que a maioria das dietas envolve riscos e que o efeito é temporário, mas diz ser impossível resistir
Héllen disse que já procurou um nutricionista, não recorda se seguiu exatamente a proposta, mas lembra-se de achar que tinha “comida demais” no cardápio. Essa sensação, segundo Jacqueline, acontece porque em uma educação nutricional bem feita você come de tudo, cortando, obviamente, os alimentos com mais predisposição a glicose e colesterol, mas não chega a ser uma dieta restritiva. “O que as pessoas precisam é de paciência”, diz.

Reeducação alimentar

Para a nutricionista, a melhor forma de obter resultados positivos é “não ter essa ideia de tempo na cabeça. Eu quero, no Natal, ter menos 10kg, por exemplo. Não dá”, diz. Mas é completamente possível perder essa quantidade de peso através de uma alimentação saudável, sem passar fome e com o acompanhamento de um profissional.

Ela conta a história de um cliente de 48 anos, que sofre de obesidade mórbida e começou o tratamento em agosto deste ano. “Ele aprendeu a comprar, a preparar, a organizar a cozinha... No início foi difícil, mas hoje comemora a perda de 9kg”. De 132kg em 12 de agosto, ele passou a 123kg em 21 outubro.

Outro fator que na opinião da nutricionista é de extrema importância no processo de emagrecimento é a capacidade de aliar a reeducação alimentar à pratica de exercícios físicos. Ela lembrou de um caso curioso: uma cliente que, por estar muito acima do peso, tinha dificuldades de se movimentar. Assim, permanecia mais tempo sentada e deitada. Uma pessoa que vivia com ela e se exercitava diariamente, acabou seguindo a mesma dieta, e ao chegarem ao consultório para checar os resultados, veio a surpresa: enquanto a primeira perdeu apenas 2kg, a segunda conseguiu emagrecer 6kg.

O relato é uma prova da importância da atividade física na perda dos quilos extras, mas o processo também tem a ver com o metabolismo de cada um. A nutricionista explica que cada pessoa responde de um jeito particular ao tratamento. Alguns conseguem perder 2kg por mês, outros, 4kg. Segundo a profissional, é possível que a reeducação alimentar seja um processo mais lento, mas ela garante que os resultados são permanentes e não trazem nenhum risco à saúde.

O Conselho Federal de Nutrição alerta para os cuidados que devem ser tomados a fim de evitar a obesidade (Reprodução/Conselho Federal de Nutrição)
O Conselho Federal de Nutrição alerta para os cuidados que devem ser tomados a fim de evitar a obesidade
O que esperar das dietas milagrosas


Recentemente, milhares de pessoas nos Estados Unidos e Reino Unido aderiram a chamada Dieta do Jejum, ou Dieta 5:2, que consiste em um método de abstinência. Ela ganhou a mídia após o jornalista Michael Mosley contar como perdeu 9kg em um ano comendo normalmente durante cinco dias da semana e fazendo dieta por dois. O regime funciona exatamente assim: a pessoa escolhe dois dias onde irá comer apenas 500 kcal/dia se for mulher e 600kcal/dia se for homem. No restante da semana, deve comer a quantidade de calorias recomendada pelo FDA, 2.000kcal/dia.

A princípio, pode parecer fácil e eficiente, já que os dias de sacrifício são poucos e nos outros não há qualquer tipo de restrição no cardápio, mas para Jacqueline, ao longo do tempo, o próprio corpo fará com que o método não funcione. “O corpo reage da seguinte forma: se hoje estou sendo privado de alimento, da próxima vez que eu recebe-lo, vou procurar guarda-lo”, explica. Assim, após um tempo em jejum, o corpo vai entender que está passando por um estado de privação e por isso passará a armazenar o alimento, ao passo que diminuirá o gasto de energia.

Uma outra forma de perder peso, que vem ganhando adeptos no Brasil e nos Estados Unidos, é a ingestão de remédios naturais para emagrecimento. A novidade da vez é uma semente chamada Noz da Índia. Apesar de não ter qualquer benefício comprovado pela ciência, a fórmula é vendida por populares em mercados e lojas de produtos naturais com a promessa de eliminar até 12kg por mês, além de diminuir os níveis de colesterol ruim e triglicerídeos. Uma das propriedades da semente seria o efeito laxante e diurético.

Valéria Campos, de 45 anos, usou a semente durante dois meses, quando morava no Pará, e perdeu cerca de 4kg. Ela conta que durante o tratamento não sentiu qualquer efeito indesejável, já que o único que chegou a incomoda-la já era esperado: o laxante. Ela alertou, no entanto, para o cuidado com a manipulação do remédio, já que qualquer dose maior que a recomendada pode ser muito perigosa. “Tenho amigas que tomavam meia semente por dia, mas como fui aconselhada a dividir a semente em quatro partes, não tive problemas”, diz.

A nutricionista Jacqueline diz que as plantas, em sua maioria, têm um grande poder de cura e auxílio em tratamentos diversos, mas pondera que, antes de tudo, a semente precisa passar por estudos que comprovem seu efeito. “Pelo que vi dessa semente, ela pode ser muito tóxica e se mal utilizada, causar tonteiras, náusea, problemas digestivos e até mesmo uma parada cardíaca”, diz.

O maior problema das dietas, segundo a profissional, não está no método, mas na forma de segui-lo. É preciso ter consciência de que cada pessoa responde de uma forma diferente, tem uma relação diferente com a comida, um metabolismo diferente, uma rotina diferente... Por isso, o acompanhamento médico é essencial. Abaixo, ela lista algumas dicas para quem quer perder peso:

  •  Procurar um profissional. Se não gostar do primeiro, procure outro e assim por diante, até se sentir a vontade;
  •  Seguir o trabalho de reeducação nutricional;
  •  Dê um tempo para o corpo se adaptar às mudanças;
  •  Se necessário, trabalhe com um terapeuta. Existem diversos problemas relacionados ao peso, entre eles a compulsão alimentar, a anorexia e a bulimia;
  •  Praticar atividade física é indispensável;
  •  Ser frequente nas consultas;
  •  Ter disciplina e paciência.

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